O que realmente te faz gastar?

Nossa vida financeira é diretamente influenciada por fatores inconscientes, biológicos e emocionais. Quando tomamos consciência do real porquê dos nossos gastos exagerados e sem controle, podemos finalmente tomar as rédeas da nossa carteira e viver em equilíbrio financeiro.

Ter uma vida financeira saudável é como cuidar da saúde de qualquer outra área de sua vida. Exige esforço, trabalho, disciplina e educação. É algo que não acontecerá de um dia para o outro, mas aos poucos e por isso é preciso paciência e determinação. Mudar a mentalidade na forma como você lida com o seu dinheiro é uma atitude prioritária para que você possa viver melhor, dando preferência aos valores que lhe são mais importantes, sem descuidar da construção de um patrimônio que lhe dê conforto e segurança. Quem controla suas finanças pessoais, educa-se, melhora seus gastos, diminui despesas, fazendo o dinheiro render para realização de sonhos e metas. Isso faz com que você tenha mais tempo com a família, valorizando todos os momentos com o que realmente importa. Além do mais, você pode viver sem preocupações financeiras, o que tira um belo peso das costas. Como seria a sensação de você ter total liberdade Financeira na sua vida? Como seria a sensação de você poder dar o melhor para você e sua família? Pensou? Então você sabe que isso demanda esforço e paciência. Exige controle, economia, inteligência, controle de emoções e foco.


Fique tranquilo! Vou te mostrar alguns aspectos que te ajudarão e muito nessa caminhada e você verá que não é tão difícil como imagina, se persistir em
ter as atitudes certas. Até porque o caminho do sucesso é longo, mas o final vale a pena!

Não sei se você já percebeu, mas muitas das suas atitudes são tomadas de maneira irracional. Nós temos a impressão que somos seres racionais, mas é muito fácil perceber algumas atitudes irracionais no nosso dia-a-dia. Perceba que muitas pessoas que vão ao mercado para comprar uma certa quantidade de itens saem de lá com muito mais que precisava. Perceba como muitas mulheres compram dezenas de pares de sapato, sendo que os usam raramente. Note que muitos homens preferem carros modernos e caros a modelos mais econômicos. Isso não é racional. Hoje paga-se por um Iphone um alto valor, sendo que a maioria não usa todas as suas funcionalidades, somente pelo fator marca e status. Mas existem motivos inconscientes para isso tudo. A hora de economizar, de conter gastos e cumprir todas as promessas ficam sempre para o futuro. A recompensa imediata é que faz a diferença. Essa é outra prova da irracionalidade. O futuro é incerto. O nosso primeiro nível de comportamento diz respeito à sobrevivência e reprodução. O nosso cérebro vem em constante evolução desde os tempos primitivos e de acordo com os desafios gerados ao homem ao longo do tempo, o cérebro humano tende a gravar certos comportamentos e características em sua estrutura. Nesta estrutura cerebral existem algumas separações.

Temos o Neocórtex, que é a área mais desenvolvida do córtex e que mais sofreu transformações ao longo dos tempos. É a área responsável por específicas habilidades cognitivas, como a memória, a fala, a linguagem, entre muitas outras.
Temos o Sistema Límbico que é a unidade responsável pelas emoções e comportamentos sociais.

O Sistema Límbico abrange todas as estruturas cerebrais que estejam ligadas, principalmente, com comportamentos emocionais, sexuais, aprendizagem, memória, motivação, mas também com algumas respostas homeostáticas (estabilidade corpórea).

E por fim o Cérebro Reptiliano, no qual se incluem as zonas mais profundas do cérebro que guardam as estruturas da evolução. Esta parte do cérebro controla o lado animal e instintivo do ser humano, carregando as funções de sobrevivência e reprodução.

Então pense comigo, para os nossos ancestrais não era nada fácil encontrar comida e isso ficou gravado em nosso cérebro. Por isso, além de comermos demais, fazemos estoques na geladeira e na despensa, mesmo sem a menor necessidade. Antigamente esta estratégia até que era inteligente para prevenir períodos de escassez, mas não pode-se dizer o mesmo de hoje. Gastamos muito com comida e comemos além do que precisamos. Outro problema que surge em função do nosso cérebro primitivo é que, cada vez que temos uma boa experiência de consumo, isso incita uma experiência positiva. Isso acontece com comida, bebida, compras etc. O problema está no fato que, no caso da comida, algumas substâncias presentes principalmente em fast foods provocam reduções profundas na sensibilidade dos centros de prazer do nosso cérebro, fazendo com que, cada vez mais, seja necessário um aumento na ingestão desses alimentos para adquirir a mesma quantidade de prazer. Em consequência, gastamos mais com comida. Os locais que vendem comida são justamente projetados para instigar nossos circuitos de desejo. Os supermercados são preparados para essa provocação. Os produtos são expostos de maneira calculada e, repare, os alimentos básicos sempre estão no fundo do local para que o indivíduo percorra toda a extensão da loja e leve mais produtos do que precisa. As embalagens dos produtos seguem a mesma linha, pois utiliza-se a psicologia das cores para estimular a compra. Tudo é manipulado para você gastar mais.

Algo importante a se saber é que existe um fator biológico fundamental para o entendimento do consumo: a ação da dopamina. A dopamina é um neurotransmissor que tem o papel de estimular o sistema nervoso central. Ela está ligada à comportamentos de dependência de jogo, drogas, sexo, álcool e também de consumo. Ela ativa o centro do prazer em certas partes do nosso cérebro, por isso induz ao vício, que não é nada mais do que a vontade de repetir uma experiência gratificante. Esse hormônio aumenta a atração pelo objeto desejado e ainda não adquirido, e faz com que o indivíduo se arrisque mais, sem pensar no montante do cartão de crédito por exemplo. Essa descarga de prazer é uma peculiaridade evolutiva, que auxilia no incremento do sucesso reprodutivo, pois a compra é uma oportunidade de obtenção de status. As vitrines são um prato cheio para a dopamina. Tendo aprendido o que é bom, seu cérebro vai pedir sempre mais e você sempre vai querer consumir mais. Após a inundação de dopamina na hora da compra, o nível desse hormônio cai drasticamente, acabando com aquela sensação de prazer horas depois. O segredo é não ficar pensando muito, comprar somente o que é necessário e evitar frequentar lugares que remetem à consumo. Desse modo você pode diminuir seus gastos com objetos desnecessários.

Mesmo sabendo disso tudo, você precisa perguntar a si mesmo se, ao comprar um item, se ele é realmente necessário, se você não pode viver nem mais um dia sem aquele produto. Se a resposta for positiva e você realmente precisar, compre. Caso contrário, saia de dentro da loja imediatamente evitando uma compra inconsequente.
O maior erro  é se deixar influenciar pelo emocional. Se você controla tudo que entra e sai de sua conta bancária, inclusive os cartões de crédito, é provável que você consiga sair dessa sinuca de bico com mais rapidez e consciência. Mas se você não controla todas as suas entradas e saídas de dinheiro, e não tem uma noção exata do valor que virá na sua próxima fatura do cartão de crédito, comece a se preocupar, pois há muitos aspectos controlando sua pseudo racionalidade. Toda esta questão de controle e descontrole vem do nosso modelo de dinheiro. Muitas pessoas, desde pequenas, aprenderam ou ouviram que “dinheiro não traz felicidade”, “dinheiro não é fácil de ganhar”, “dinheiro é sujo”, “os ricos são corruptos”, entre muitas outras expressões. São “verdades” transmitidas que poucas vezes são questionadas por nós e na maioria das vezes seguem inconscientes à nossa vida cotidiana. São programas inconscientes, que geram conflito com o pensamento consciente. Afinal todos querem ganhar dinheiro, ficarem ricos, e serem felizes, mas se dinheiro não traz felicidade ou é tão difícil de ganhar, como fazer para definir este impasse? A necessidade de mudar este tipo de pensamento é fundamental para haja mudança de comportamento.

O modelo de dinheiro de cada pessoa consiste num ajuste dos seus pensamentos, dos seus sentimentos e das suas ações em questões financeiras. Essa programação foi recebida, principalmente, na fase infantil, advindo de pais, irmãos, amigos e professores, por exemplo. São ensinamentos que ficam enraizados e condicionam inconscientemente as pessoas ao longo da vida. Ao tomar consciência e mudar essa programação, pode-se mudar todo o trajeto que conduz à ação problemática.

Atrelado à tudo isso, vemos na falta de autorresponsabilidade a principal razão pela qual as pessoas se justificam por seus erros. É sempre culpa da crise, é culpa do patrão que não gostava de você, é o colega que te puxou o tapete ou o emprego não era o que você pensava e assim por diante. Alguns pesquisadores afirmam que 2% da população humana são os que de fato produzem mudanças; 13% veem as mudanças acontecerem e ás vezes apoiam os outros 2%. E incrivelmente 85% da população mundial não identifica o que ocorre e simplesmente se deixa levar pelos acontecimentos sem atitude nenhuma. E isso não está relacionado à classes sociais, culturais ou econômicas. As pessoas presentes nestes 85% são conduzidas e manipuladas facilmente pelo sistema, pois vivem apenas o prazer imediato. Sua visão futura não passa das baladas ou churrascos do fim de semana, da roupa que vai exibir para as amigas, do carro novo com o qual vai desfilar com os amigos.

Se você olhar para dentro de você e analisar toda sua realidade financeira e perceber como chegou até onde está, ficará muito mais fácil para você consertar seus erros e agir de maneira diferente para que possa ter resultados mais satisfatórios. Isso não quer dizer que você não vá errar, pois é no erro que aprendemos. E infelizmente enquanto você não aprender com certas situações elas continuaram presentes na sua vidam até que você aprenda e não erre mais. Enquanto você não controlar seus impulsos e seus gastos, não analisá-los e não colocá-los no lugar, sua vida financeira continuará no vermelho. Só depende de você.

A conscientização de todos estes fatores que afetam o comportamento consumidor coloca você numa posição diferenciada e gerará resultados mais positivos em sua vida financeira. Entendendo a ação da dopamina, você pode identificar os momentos nos quais ela atua com mais força, gerando o prazer da compra, por exemplo, e evitando muitos gastos desnecessários. Identificando e avaliando o pensamento do cérebro reptiliano, focado na reprodução e na sobrevivência, você pode diminuir as despesas com artigos que tentam impressionar o sexo oposto, como também diminuir gastos com alimentos pouco nutritivos para a sua saúde, por exemplo. Ao entender o poder de uma crença negativa sobre dinheiro ou riqueza, enraizada desde a infância, você tem o poder de alterar esta percepção, mudando também sua realidade e seu comportamento futuro.

Lidar, de forma honesta e coerente com seus sentimentos, anseios e reações já é ser inteligente emocionalmente. Planejar, poupar e investir são atitudes, puros reflexos de seu comportamento. Trata-se da tradução, em ação, dos seus sentimentos e relacionamentos subjetivos. No final das contas, é sua interdependência emocional que define sua capacidade de realização.

Bom, agora você já tem um bom conhecimento das forças inconsciente que agem na sua vida. Mas não basta somente ter o conhecimento e não mudar as atitudes. Esta é a hora de você ser o gestor dos seus pensamentos e de suas emoções, ser o administrador dos seus sentimentos, gerenciador da sua insegurança, dos seus temores, dos medos, das angústias e do humor. Isso lhe tornará seguro de si mesmo, autoconfiante e determinado e te levará a dominar seus pontos fracos, não os deixando arruinar sua vida financeira.

Ter inteligência emocional financeira é saber o porquê de suas reações e sentimentos na hora do gasto, é ter consciência do real motivo pelo qual você toma a atitude de comprar, mas principalmente gerenciar tudo isso que você aprendeu até agora com o objetivo de construir uma vida financeira segura para você e sua família.

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Tags: autorresponsabilidade comportamento economia finanças gasto inconsciente mindset financeiro vida financeira saudável