O que Rogue One: uma história Star Wars pode ensinar sobre inovação?

O novo filme da franquia Star War já ultrapassou US$ 790 milhões na bilheteria mundial e tem em seu enredo um segredinho para fazer tanto sucesso

Muito se fala em inovação nos negócios. Da importância de se inovar para que uma empresas prospere, cresça, faça diferente do seu concorrente. E, de fato, sou muito a favor dessa corrente. Afinal, esse é um passo muito relevante para que a empresa não seja engolida pelo mercado ou pelo sangrento Oceano Vermelho. Basta lembrarmos, rapidamente, da Kodak ou da Blockbuster - gigantes que sucumbiram pela falta de inovação - para reforçarmos a importância desse quesito.

Mas o que isso tem a ver com um dos grandes sucessos do cinema em 2016: Rogue One: Uma História Star Wars? Tudo e, ao mesmo tempo, nada. De inovador, o filme não possui nenhuma mirabolante situação ou cenas que cheguem a surpreender até o mais detalhista fã da saga. Ainda sim, sucesso. Sucesso nos últimos 8 filmes da saga (Rogue One e os outros sete episódios). E se você reparar, esse grande desempenho, na verdade, possui a mesma fórmula na construção do roteiro de toda franquia.

Estou forçando a barra? Será mesmo?

Então, queria voltar antes do primeiro Star Wars e comentar sobre o livro que foi base para George Lucas criar o roteiro da saga cinematográfica mais aclamada do mundo. Considerado um dos mais importantes livros do século XX relacionado à mitologia, “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell, e baseado em estudos do psicanalista Carl Jung sobre os arquétipos e o inconsciente coletivo, relaciona que qualquer história que conta a saga de heróis ou pessoas de destaque reconhecido possui contextos comuns.

Dessa forma, seja o enredo de um filme, as fábulas, os mitos mais longínquos, de Cristo, Buda ou outros, todos percorrem histórias que possuem semelhanças bem apuradas na construção de suas narrativas. Segundo Campbell, essa condução parecida pode ser chamada de “A Jornada do Herói Mitológico”, e serve de base e indicativo para a estruturação de qualquer história que tenham mocinhos e bandidos, ou melhor, heróis e vilões.

Isso mostra desde a saída do herói para a aventura, o arauto que o incentiva, o velho sábio que orienta seu caminho, os guardiões de entradas que precisam ser atravessadas, os companheiros de viagem que se transformam, os vilões e os brincalhões. Todos eles seguem uma trajetória dividia em três estágios: Partida, Iniciação e Retorno.

No primeiro estágio temos o começo da jornada do Herói. Geralmente ele se vê em seu mundo comum, mas de alguma maneira esse mundo não o completa, e logo acontecerá algum incidente que revelará um mundo novo, um novo caminho, que trará mudanças que farão o Herói ser impelido à aventura. No segundo nível, a Iniciação, o Herói passa por uma série de provações e acontecimentos extraordinários que levarão a novos conhecimentos e à aventura em si. Nesse estágio, há a confrontação com uma figura antagônica, que submete o aventureiro a uma série de provas, mas que permitem a evolução do herói. E, finalmente, no terceiro estágio, o protagonista retorna para o seu mundo comum.

Acredito que você já tenha visto bem isso na saga do Harry Porter, do simpático Hobbit, do Frodo na saga do Senhor dos Anéis, de quase todos os super-heróis da Marvel e da DC, dos próprios Luke e Anakin Skywalker no Star Wars, além da personagem central de Rogue One, Jyn Erso (não darei spoiler aqui).

Quando a fórmula dá certo

No caso do cinema, das histórias a serem contadas, utilizar elementos que sigam essa estruturação da Jornada do Herói mostraram ser realmente eficientes. Nesse ponto, a inovação não existe na estrutura, mas sim na repetição de alguns estágios já pré-estabelecidos com temperos diferenciados para serem incluídos. Chacrinha diria: "nada se cria, tudo se copia". Não entendo dessa forma, apenas que, no caso do cinema, entender o que há de sucesso em tantas histórias pode ser um bom caminho para construir novos enredos em novos cenários. No meio do empreendedorismo, inclusive, sempre destacamos que aprender com os mais experientes (os mentores) e por quem já passou por aquela situação podem encurtar os caminhos dos erros.

Seguir fórmulas dá certo em todos os negócios? Definitivamente, não. Repetir o que dá certo ao longo da vida da empresa dá certo? Também não. Mas fica uma reflexão sobre a importância do aprendizado, de como é importante fazermos diferentes dos outros, ao mesmo tempo de que a não inovação - dependendo do caso - pode ser uma saída válida.

Curiosidades da Rogue One

Ah, se você chegou até aqui e ficou meio triste de não ter lido muito sobre Rogue One: uma história Star Wars, vou destacar algumas curiosidade de que você encontrará ao assistir o filme (sem spoiler), apesar de ele não ter tido tanta inovação assim:

A história começa 13 anos antes da explosão da primeira Estrela da Morte. Ou seja, o filme, na ordem cronológica, está entre o episódio III e o episódio IV.

Já haviam passado seis anos da extinção da Ordem dos Cavaleiros Jedis e o surgimento de Darth Vader, assim como do Império Galáctico.

Primeiro filme de Star Wars a não apresentar Obi-Wan Kenobi de forma alguma. Em Star Wars: O Despertar da Força (2015), sua voz é ouvida brevemente.

Aguarde, teremos um filme apenas do Han Solo.

Assista ao trailer abaixo:

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