Pessoas medíocres, atitudes e resultados...?

Não é neste momento que você encontrará a melhor resposta. Só estou alertando para que não precise acontecer uma tragédia em sua vida para você perceber que precisa ir além do habitual, fazer mais do que a maioria faz, senão, será apenas mais um no meio da multidão.

O que seriam pessoas medíocres? Muita gente tem idéia que pessoas medíocres são pessoas pobres, no sentido financeiro. Bem, os indivíduos medíocres são realmente pobres, mas não, necessariamente, no aspecto financeiro, mas sim, nas suas atitudes ou na falta delas.

A pessoa medíocre está sempre pronta; a fazer o mínimo, quando faz. Você conhece alguma pessoa medíocre? Alguém que faz a coisa do jeito certo e não a coisa certa?

Há uma grande diferença entre fazer do jeito certo e fazer o que é certo. Fazer do jeito certo é seguir as normas, os padrões, embora estejam errados. Por exemplo: o gerente de uma loja de venda de móveis impõe a todos os vendedores que repitam, assim que os clientes adentrarem, o “jargão” de cumprimento “Bom dia, seja bem vindo à nossa loja, posso ajudá-lo?”. Você pode pensar: “Professor, mas o que há de errado nisso? É um ótimo atendimento”! Vamos conversar sobre isto.

Com algumas ressalvas, eu diria que, para a média nacional, a forma é aceitável. O que você não está captando, é a mensagem subliminar que pretendo passar. Os vendedores começam a agir dessa forma sem questionamentos, aceitando “goela abaixo” essa instrução. Outra vez você pode questionar: “sim Professor, eles receberam uma ordem, foi o chefe delas que as instruiu, o que está errado”? Percebeu do que estou falando? Se você fez a colocação de que, como foi o chefe quem pediu, todos devem obedecer, cuidado! Precisa mudar essa idéia rapidamente, para não cair na mediocridade.

O que acontece é que, como foi passado aos vendedores que isto é uma norma, é um padrão, todos devem repetir, atendimento após atendimento, para todos os clientes, o mesmo formato de cumprimento, o que é inaceitável. O mais incrível é que, aos poucos, os vendedores tornam-se iguais a papagaios, que só repetem o que lhes ensinam. Não há nenhum sentimento no pronunciamento das suas palavras iniciais de atendimento. Muitas vezes, sequer olham para o cliente, no olho do cliente. Falam por falar, porque é norma.

“Professor, então não devo obedecer meus superiores”? Olha você de novo aí interpretando equivocadamente! Não foi isso que eu disse (risos).

Quero que você questione-se, pergunte-se e após fazer algumas análises, emita sua opinião, cautelosamente, educadamente, sempre no intuito de colaborar e não de fazer pouco caso dos superiores, ou duvidar das habilidades deles. Se você agir de forma respeitosa, provavelmente, será ouvido. É bem provável, e eu já presenciei esses acontecimentos, que até ganhe mais credibilidade junto à gerência. Às vezes, o gerente não teve treinamento, nem desenvolvimento. Ocorre muito disto no mercado empresarial. Empresas que promovem pessoas despreparadas para cargos importantíssimos, levando em consideração apenas o tempo de casa do funcionário, a idade, ou o famigerado “Q.I”. (...)

Quero comentar com você, agora, algo que poderá mudar todos os seus pensamentos quanto as suas atitudes diante das situações profissionais: “numa empresa, onde há dez pessoas e todas têm a mesma opinião sobre determinado assunto, nove estão sobrando”. Não é proibido pensar, não é proibido opinar e, se na empresa onde você labora atualmente é, não é lugar para se trabalhar; saia o quanto antes, senão, você tornar-se-á uma pessoa medíocre e, o dia que tiver de deixar essa empresa, não estará preparado para novas oportunidades que requerem criatividade, sabedoria, raciocínio rápido, inovação, ou ao menos, se arrastará por um bom tempo sua busca por empregos que, talvez, continuem mantendo-no eternamente medíocre. E o que poderia ser pior que isso? Saber que é você quem faz as escolhas!

Ser medíocre, então, dentre vários outros fatores, é não questionar-se sobre o que acontece a sua volta, aceitando tudo o que lhe é imposto. De forma alguma comungo de idéias radicais, onde normas não são respeitadas, leis são transgredidas, a ética, a moral, a boa conduta, o respeito não têm valor. Não é disso que estamos falando. Muitas normas, muitos padrões são excelentes e devem ser sempre respeitados, todavia, o que preciso esclarecer é que, de forma alguma, você está impedido de emitir opiniões, que contribuam, inclusive, para a melhoria dessas normas e padrões.

No ambiente de trabalho, temos inúmeros casos de mediocridade. É o caso do gerente de vendas que não atende o cliente que está aguardando, pelo fato de ter, segundo ele, um cargo superior e que esta não é sua tarefa. Ou do proprietário da empresa que passa por todos os funcionários sem cumprimentá-los e, em reuniões, afirma da atenção que todos devem dispensar aos clientes, embora ele, não aja dessa forma com os seus principais clientes; os colaboradores. Também, um belo exemplo é o do funcionário que não repassa seus conhecimentos aos demais, por receio de perder seu posto e prefere ver a empresa quebrar, por falta do trabalho em equipe, que gera sinergia, do que colaborar para o sucesso de todos. Quer mais exemplos?

Digamos que você é contratado para laborar de segunda a sexta-feira, porém, acontece algo inesperado e se faz necessário que labore num sábado. Sua primeira idéia é de que deve receber hora extra? Espero que não! Esse é o pensamento medíocre. Vá trabalhar nesse sábado, se for necessário, vá no domingo, noutro sábado. Faça mais do que é sua função, não seja uma pessoa-função, uma pessoa-horário, uma pessoa-cargo, seja maior que tudo isso, faça mais, faça diferente. Diga-me, sinceramente, o que você irá perder se agir assim? O jogo de futebol com os colegas? Dormir até mais tarde? “Professor, mas será que eu não mereço receber horas extras”? E quem disse que não merece? Eu não disse! É claro que você merece receber horas extras, todavia, muitas vezes, você estará sendo testado pela empresa, para ver qual é o seu grau de comprometimento com ela, ou se está ali meramente para receber um mísero salário ao final do mês, porque é exatamente o que acontece com pessoas medíocres: vivem mendigando trocados!

Preciso esclarecer o seguinte: se os trabalhos aos sábados e/ou aos domingos se tornarem uma constante, e você, depois de certo tempo, não receber qualquer tipo de gratificação, remuneração, reaja. Dirija-se até seus superiores e indague sobre a possibilidade de receber por esse trabalho extra, mas justifique que não está desinteressado pela empresa, mas que acredita ser justo esse recebimento. Acredito que se você trabalhar em uma empresa que não seja medíocre, não precisará agir dessa forma, porque antes disso, será reconhecido pelo esforço. Novamente, cabe a você decidir o que fazer; sempre podemos fazer escolhas. Empresas que não valorizam os funcionários, no tempo adequado, terão esse mesmo tratamento dos seus clientes.

Já disse o saudoso Peter Druker, que a melhor coisa que uma empresa pode fazer é treinar e desenvolver seus colaboradores e nunca mais perdê-los. Para atingir esse objetivo é preciso que haja reciprocidade entre empregador e empregado.
“Poxa Professor, como é difícil mudar alguns pensamentos! Ainda acho que devo receber quando trabalhar em horários extras, ou quando fizer algo que não é da minha imediata obrigação, estou errado”? Prefiro dizer que você está equivocado, não errado.

Não é neste momento que você encontrará a melhor resposta. Só estou alertando para que não precise acontecer uma tragédia em sua vida para você perceber que precisa ir além do habitual, fazer mais do que a maioria faz, senão, será apenas mais um no meio da multidão.

Quando eu tinha catorze anos, arranjei emprego como gari. O que a maioria fazia nessa profissão? Fácil responder não é? Varria a rua, limpava as calçadas, juntava o lixo público. Durante meus primeiros dias, percebi que se eu fizesse a mesma coisa ou fizesse do jeito certo (o jeito que me mostraram como fazer), seria apenas mais um gari dentre tantos que estavam ali durante anos.

Decidi que teria de fazer mais, fazer melhor, ir além do que esperavam de mim. Quero lhe contar um segredo, que, novamente, mudará sua vida por completo, se você praticá-lo: supere as expectativas daquilo que esperam de você! Toda vez que você agir dessa forma, estará dando um pequeno passo para longe da mediocridade. Esqueci-me de sugerir que buscasse no dicionário o significado para medíocre e mediocridade. Você irá se surpreender com o significado.

Voltemos à história do gari. A maioria dos meninos da minha idade, que faziam o mesmo trabalho, o faziam com desprazer, mal feito, não se preocupavam se o local havia ficado limpo e afirmavam “amanhã tenho que limpar tudo novamente”. Não era mentira o que falavam. Eu nunca os critiquei por realizarem o trabalho da forma que realizavam. Infelizmente, passados muitos anos, ainda encontro muitos deles, hoje homens, na mesma profissão e, possivelmente, ainda reclamando. “Mas o que se pode fazer de diferente varrendo ruas Professor”? Muita coisa, você não faz idéia, embora eu adorasse saber que você faz alguma.

Eu limpava aquelas ruas como se fosse o chão da minha casa, como se fosse o meu melhor brinquedo ou a minha melhor roupa. Era o meu trabalho, era onde eu estava no momento e ninguém me obrigou a estar ali. Não é porque você ainda não encontrou o trabalho da sua vida que pode fazer pouco caso do que está realizando no momento. Se você agir com desdém na profissão que está exercendo momentaneamente, e esse “momentaneamente” pode se delongar por vários anos, seu cérebro e todo seu corpo tenderá a agir em todos os demais casos da mesma forma. Logo, você começará a não se sentir motivado, entusiasmado para encontrar o que realmente deseja fazer. E adivinhe o que acontecerá com você, mesmo que inconscientemente? Tornar-se-á uma pessoa medíocre. Bingo!

Outra atitude que eu tinha era a de cumprimentar os moradores das ruas aonde eu laborava. As pessoas adoravam aquele moleque franzino, falador, animado com a vida. Várias vezes eu limpava a frente das calçadas das casas desses moradores e até o pátio delas. Foram muitas as vezes que ganhei presentes, lanches, roupas, brinquedos.
O Senhor que eu acompanhava na limpeza, já que cada menino tinha um guia maior de idade, admirado com a minha atitude, coisa que ele, pobre de conhecimento, nunca teve, e por isso estava a ponto de aposentar-se na profissão, passou a comentá-la com todos e, inclusive com o “encarregado”. Pasme! Em seis meses eu fui considerado o melhor gari e fui promovido a auxiliar de serviços gerais numa grande instituição financeira.

Para concluir, de forma alguma, não quero que você aja porque alguém está lhe forçando a agir. Procure fazer as coisas por vontade. Por mais que pareça ser difícil a situação, quase que insuportável, teime um pouco, veja se, talvez, para melhorar, não depende mais de você mesmo. As pessoas medíocres não acreditam que as coisas podem melhorar, que fazendo mais e melhor, serão reconhecidas e estarão se preparando para boas novas nas suas vidas. Esqueça um pouco o que os outros lhe dizem e isole-se por um instante e ouça os seus pensamentos. Vá até um lugar calmo para refletir. O que desejo profundamente é que entenda e aceite a seguinte verdade: para pessoas medíocres, os resultados serão sempre medíocres.

E você merece uma vida cheia de conquistas, relações prazerosas e adoráveis, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Um forte abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre.

Professor Paulo Sérgio

Palestrante

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Avalie este artigo:
(0)