Pessoas que vivem de modo antigo, medieval e moderno.

“Em que medida poderíamos dizer que hoje em dia há pessoas que vivem de modo antigo, de modo medieval ou de modo moderno?” Para responder a este questionamento, se faz necessário recorrer a uma divisão cronológica e como toda divisão cronológica, é uma opção arbitrária de quem estabelece os pontos de ruptura para justificar as separações entre um período e outro. Na Historia da Filosofia identificamos que esta "arbitrariedade" está sustentada em algum princípio que permite aproximações entre temas, características e proposições dos autores. E as periodizações da História da Filosofia, conforme identificamos estão bem dispostos no Esquema da História da Racionalidade Ocidental , o que permite “escolher” um período ou tema central, uma vez que para cada período histórico há conceitos diferentes do ser humano, por exemplo. Contextualizar hoje em dia, sobre este questionamento, é uma tarefa não tão árdua, uma vez que nós mesmos, sem muitas vezes saber bem, nos “posicionamos” ora de maneira antiga, ora com uma conduta ou procedimento dito moderno, ora com um comportamento medieval. Dialogando entre uma caracterização geral e as particularidades de cada período, faremos breves exposições e referências a alguns nomes de filósofos, até em razão da periodização das divisões clássicas da própria História: antiga, medieval e moderna.

Luiz Gustavo,
Na Idade Antiga pela dimensão temporal podemos localizar temáticas díspares que são sistematizadas neste mesmo grupo. Entre estes grupos estão:

 

Os pré-socráticos ou físicos: os filósofos, desde Tales de Mileto, que se localizam antes de Sócrates e se interrogavam sobre a physis (natureza), daí o nome "físicos". A preocupação deles sobre o princípio (a arché) da natureza, da ordem do mundo fez com que estabelecessem as primeiras elaborações à procura de um princípio lógico que explicasse a própria natureza.

A Filosofia Socrática. Sócrates: é a figura central da Filosofia grega. Embora nunca tenha escrito nada foi a partir dele que as questões humanas superaram as preocupações sobre o princípio ordenador da natureza.

Sócrates é uma figura emblemática por ter legado à Filosofia a figura do homem questionador, que procura conhecer, interrogando as pessoas que julgava sábias. Ele dialogava e interrogava as pessoas à exaustão, através da ironia e da maiêutica, as partes constitutivas do seu método dialético: inquiria para que as pessoas pudessem "dar a luz às idéias". Incorporou o lema de um oráculo "Conhece-te a ti mesmo" como parte de sua tarefa e foi condenado à morte.

Podemos dizer, neste pensar socrático, que nos dias atuais, muitos de nós vivemos sim na Idade Antiga. Na medida em que questionamos o mundo ao nosso redor, as questões sociais, por exemplo, os problemas de nossa cidade, os problemas que nos atingem diretamente enquanto cidadãos. Assim como Sócrates, na maneira antiga, hoje buscamos as verdades, quer seja através da ética, quer seja combatendo a corrupção.

Por outro lado, consideramos também como esses valores se aplicam no relacionamento interpessoal, pois a noção de um modo correto de se comportar e posicionar na vida pressupõe que isso seja feito para que cada um de nós conviva em harmonia com os outros.

A ética, portanto, trata de convivência entre seres humanos na sociedade. Num sentido mais restrito, ela se restringe às relações pessoais de cada um. Num sentido mais amplo - já que ninguém vive numa pequena comunidade isolada -, ela se relaciona com a política - da cidade, do país e do mundo. Neste caminhar socrático, muitos de nós vivemos e nos portamos como na Idade Antiga.

Na Idade Média identificamos a figura de Agostinho de Hipona que é apresentada como um dos últimos representantes da Antiguidade e por outros como o primeiro representante da tradição medieval. Neste período histórico houve uma separação dos saberes e dois campos de conhecimento: a Teologia, que investigava sobre as questões relativas a Deus, vista como superior; e a Filosofia, que abrangia todos os outros saberes, inclusive as investigações sobre natureza, fazendo com que a Filosofia fosse um nome dado a um grande número de saberes.

Outro grande nome da Filosofia medieval foi o de Tomás de Aquino, um dos responsáveis pela cristianização do pensamento aristotélico e pela modernização das teorias do mundo cristão.

Identificamos claramente pessoas, e uma quantidade que acredito ser significativa, que acredita que o mundo é uma criação de Deus. Que Deus existe, e que os seres humanos são criaturas de Deus, filhos de Deus, cuja verdade é revelada por Deus e não simplesmente descoberta pelo ser humano. Muitas pessoas, inclusive eu mesmo, acreditam que só na comunidade cristã poderá ser feito o bem. Também neste caminhar Agostiniano, podemos afirmar que existem muitas pessoas que vivem como na Idade Média e tem como razão última Deus.

Na Idade Moderna percebemos que foi um período que teve uma pulverização de temas e abordagens, um verdadeiro despertar.

Por exemplo, a teoria política e cientifica que com este despertar ganhou novos ares e as transformações pelas quais passava o continente europeu entre os séculos XV-XVIII e que foi marcada por um movimento de novas elaborações filosóficas: Maquiavel, Montaigne, Erasmo, More, Galileu, Descartes, kant e Locke são alguns nomes que marcaram a Filosofia do período.

As perguntas sobre os fundamentos da realidade eram revestidos de questionamentos sobre o que é o conhecer e o papel do que se passou a chamar de "sujeito moderno". Do "cogito" cartesiano aos princípios da experiência, passando pelas novas invenções, temos um panorama de algumas das questões de fundo naquele momento.

Neste contexto histórico, hoje existem pessoas, sociedades inteiras, que decidem, por exemplo, que é válido o casamento sem passar pela necessidade do casamento religioso, outras sociedades e pessoas aceitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Por este caminhar Kantiano, há em nós e em muitas sociedades um "sujeito moderno", um sujeito responsável e que responde, portanto pelo que se é e pelo que faz, ou seja, tem autonomia. Há maioria de nós procura compatibilizar a vida privada com a vida pública, por exemplo, não confundindo ética com a ética profissional. É a primazia ao individuo que se sustenta.

REFERÊNCIAS

ASSMANN, S.J. –Filosofia e Ética / Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília]: CAPES: UAB, 2009. Pág 36 – 59.

Avalie este artigo:
(0)

Curta o Administradores.com no Facebook
Acompanhe o Administradores no Twitter
Receba Grátis a Newsletter do Administradores

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.