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Pilares de uma boa Gestão: Razão ou Coração?

Devemos sempre ter em mente que uma Organização é composta por pessoas, processos e metas a serem alcançadas. O Equilíbrio é fator preponderante no sucesso de sua Gestão!

Duas faces por vezes extremas e divergentes no que tange aos comportamentos adotados por ocupantes de cargos de gerência dentro das organizações: Razão e Coração.

Se você está refletindo sobre o primeiro questionamento deste artigo, fatalmente poderá estar se remetendo ao passado para refletir sobre como age enquanto Líder/Gestor ou como seus superiores agem quando da tomada de decisão. Fato é, que todos nós conhecemos pessoas que achamos flexíveis, compreensíveis, ponderados e bonzinhos, ou enérgicos, determinados, controladores e assim por diante. Os adjetivos serão definidos conforme nossos valores, ou seja, nossa maneira de ver o mundo, de mensurar como a postura das pessoas nos afeta, nos tira ou não da zona de conforto.

Todavia, é notório que existem os famosos perfis de liderança, variando conforme os princípios de vida do indivíduo, sua formação acadêmica, vivência de mercado e o contexto em que está inserido. E dentro disso, opções são feitas no dia a dia para atingir os objetivos da Instituição, os quais variam de acordo com sua missão, visão, cultura, valores, propósito, mercado em que está inserida, stakeholders, tudo englobado e incorporado de maneira formal e/ou informal dentro do planejamento estratégico da organização.

Nesta salada composta de premissas estratégicas, o Líder deve primar pelo propósito estabelecido pela organização e assim incentivar sua equipe a alcançá-lo. Aqui acho importante frisar que o Líder não motiva ninguém. Ele pode e deve ser uma referência, fonte de inspiração para as pessoas, um espelho no que diz respeito à sua maneira de agir, conquistando desta forma admiração dos liderados. Porém, Motivação é algo interno, que tem a ver com nossos valores (o que é relevante para nós/como mensuramos dada situação/grau de destaque em nossa vida) propósitos (nossos objetivos pessoais e profissionais), os quais nos trazem força e vontade de seguir em frente, chegando ao que fora almejado.

Retornando ao papel do Líder no que diz respeito a forma de direcionamento de sua

equipe na busca por seus objetivos, atacaremos o tema principal:

O que é mais eficiente, agir com a razão ou coração?

Depende.

Costumo falar sério em tom de brincadeira desde os tempos de faculdade que em Administração, tudo depende. Não existe receita de bolo e solução pronta. Cada caso demanda uma ou mais soluções, uma ou mais ferramentas, uma percepção, um feeling do gerente em que caminho seguir para erradicar ou minimizar o problema. Por isso, o Líder/Gestor poderá e deverá utilizar das características comportamentais da razão e da emoção. Como exemplo, vamos imaginar que um membro muito competente de sua equipe está passando por problemas pessoais. Você já deve ter ouvido falar aquela velha, delicada, compreensiva e carinhosa frase: “A empresa não tem nada a ver com isso. ” Tão boa quanto essa é “Deixe seus problemas pessoais lá fora”. Bom, isso acontece e muito! Certo ou errado, vai do valor dado do Líder/Gestor a esse tipo de situação bem como do subordinado ao ouvir esse tipo de orientação. O caso é que partimos do princípio que o ser humano não é perfeito e principalmente, existem vários perfis de comportamento dentro de sua equipe. Alguns conseguem deixar os problemas para fora e outros não ou nem tanto.

E agora, como agir?

Você não precisa resolver o problema do funcionário, se envolver a fundo na situação e até mesmo se abalar com o fato. Entretanto, flexibilidade, ponderação e compreensão ajudam muito na valorização para com sua equipe. Um período que você liberar o funcionário para resolver a situação, não afetará os resultados da empresa. E se afetar, algo está errado dentro de sua organização. Tal decisão não o impedirá de cobrar os resultados e nem mesmo dar um feedback de correção quando necessário. Não lhe tornará fraco e muito menos o temido “bonzinho. ” Você estará sendo justo! Aposto que o liderado voltará mais aliviado e disposto a se dedicar ainda mais ao trabalho, pois isso faz toda a diferença no engajamento de seu time! As grandes corporações americanas do Vale do Silício têm uma política de gestão de pessoas inovadora, criativa e flexível. E como se sabe, estão entre as mais valiosas do mundo no momento.

Para tanto, isso não deve ser corriqueiro e deve ser bem dosado, o famoso bom senso, para que não aja desvios de ambos os lados.

Por outro lado, toda organização tem um propósito, traçado por meio de um planejamento estratégico, contendo metas de curto e longo prazo a serem alcançadas. Para que sejam cumpridas de maneira assertiva e eficiente, são criados processos que tem com função a otimização, rastreabilidade e foco no resultado. Quando estamos tratando de processos e metas, o Gestor deve acompanhar o andamento do trabalho de sua equipe, a fim de garantir que as orientações repassadas estejam sendo aplicadas/executadas no dia a dia, para que ao final do trabalho, o resultado planejado torne-se realidade. O cumprimento do plano é algo que deve ser acompanhando de forma racionalizada, com atenção aos prazos e assertividade no decorrer dos processos, que nada mais é do que o meio para se alcançar o objetivo. Aqui aplicamos conceitos de foco, disciplina, atenção e aplicação de conhecimento técnico. Esse acompanhamento necessita de um comportamento racional do Gestor. Por exemplo, existe uma meta de vendas para dado mês no valor de R$ 1.000,00. Em suma, o Gestor traçará estratégias de prospecção de clientes e posterior fechamento das vendas. Tal planejamento será repassado ao funcionário responsável por essa função, normalmente um vendedor no nosso exemplo. Cabe ao Líder/Gestor estipular prazos e metas parciais de entrega ao liderado. Sua função primordial será acompanhar se tudo está saindo no prazo acordado e se as metas parciais estão sendo cumpridas. Caso não esteja ocorrendo conforme o previsto, entra em cena a correção, redirecionamento da rota junto ao subordinado, deixando claro que o andamento do trabalho não está saindo como pensado, os impactos para a empresa bem como um redirecionamento – opções para correção de rota – o qual o funcionário deve adotar de imediato. Isso independe da vontade e do que o responsável pelo trabalho acha, pois, as opções devem estar condizentes com a missão, propósito, cultura e metas da empresa e não dele. Ou seja, o trabalho deve ser fielmente executado como fora repassado. A ressalva feita é que deve haver transparência, clareza e objetividade nas orientações repassadas e principalmente uma verificação do entendimento do liderado. Ele entendendo o propósito do processo, o porquê está fazendo, facilitará seu engajamento, envolvimento e principalmente e eficiência na execução do trabalho em busca dos melhores resultados. Feito isso, ou seja, seguindo esse roteiro devemos dar autonomia para potenciais questionamentos relativos a dúvidas ou melhorias de como executar a tarefa e principalmente passar confiança para que o liderado realize o trabalho da melhor forma possível.

Levando em consideração os dois casos, vimos que quem lidera exerce duas funções comuns dentro de um cargo de chefia, porém distintas em sua essência. Todavia, o equilíbrio entre adotar os dois papeis de Líder e Gestor, bem como o discernimento de quando adotar determinadas posturas as diferentes situações do dia a dia, faz toda a diferença na busca pelos objetivos das Instituição.

Resumidamente, o Líder é sensitivo, ponderado, compreensivo, conciliador, inspira, incentiva, justo, almejando desta forma a alta performance das pessoas e um bom clima organizacional, enquanto o Gestor direciona, acompanha, mensura, redireciona visando a assertividade dos processos, cumprimento das políticas/regras, o atingimento das metas por mensuradas por meio de indicadores.

Notadamente, um Líder/Gestor de sucesso deve atrelar as suas atitudes valores como transparência, incentivo, lealdade, justiça, foco, dedicação e flexibilidade. Assim, com toda certeza atingirá voos mais altos em sua carreira, resultados para a empresa e desenvolvimento contínuo das pessoas que lidera.

 

 

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