Porque ser louco pode ser inteligente

Você está ficando louco? Os tempos são loucos, mas nem por isso precisamos ficar loucos – a saída é produzir ideias loucas e enlouquecer o concorrente - aplicar o Canvas facilita esta tarefa. O objetivo desta matéria é mostrar como utilizar o Canvas para criar o seu Modelo de Gestão de forma prazerosa e efetiva – e, principalmente, inovadora

Provavelmente você já ouviu falar de “Canvas”, no contexto Modelo de Negócio, uma ferramenta criada e promovida como inovação pelo suíço Alexander Osterwalder, sob o nome Business Model Generation (Geração de Modelo de Negócio), conhecida pela sigla BMG.

O foco desta ferramenta é buscar o melhor modo de descrever o modelo de negócio de uma empresa na hora de start ups, ou seja, clarear o caminho a ser seguido por uma empresa em seu estágio inicial e sem capital para arriscar aventuras.

Nesta matéria, o foco é outro: descrever um modelo voltado para gerenciar o dia a dia de uma empresa existente.

1 – Por que a importância de um modelo de gestão?

Você está sentindo a crescente pressão para que a geração de resultado se torne prioridade na sua agenda?

Você está enfrentando um fluxo excessivo de informações, conhecimentos e aprendizados?

Um dos maiores problemas para os gestores é a intensa ocupação voltada para as operações do dia a dia, ou seja, menos orientada para a gestão empresarial.

Pouco adianta varrer a complexidade da gestão debaixo do tapete e fazer de conta que as peças se encaixam de uma forma ou outra.

Também faz pouco sentido, entregar-se às mesmices de práticas gerenciais.

Como disse Albert Einstein: “Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”.

Então, por que não facilitar o seu dia a dia e dar um impulso à inovação
na gestão empresarial?

Como disse o guru Tom Peters: “Tempos loucos exigem ideias loucas”.

Daí a sugestão de aplicar o Modelo de Gestão – Canvas.

A pergunta aqui não é “Qual é o seu modelo de negócio?” e sim: “Qual é o seu modelo de Gestão?”

2 – Por que a ferramenta Modelo de Gestão – Canvas?

Enfocar inovação de produtos não basta mais; se você olhar apenas o produto do concorrente, mais cedo ou mais tarde você será igual a ele.

É preciso inovar em gestão!

E mais: Organizações bem sucedidas costumam pensar só em executar melhor o modelo de gestão; elas esquecem que um modelo tem seu ciclo de vida – um dia a sua vai expirar!

Se a empresa não desafia a competitividade do modelo ao longo do tempo, ela deixa de gerar modelos atualizados ou até inovadores; quando “acordar”, ela corre o risco de fazer ajustes sob pressão (“na marra”) ou até chegar tarde demais para sustentar seu crescimento com lucro.

A ferramenta facilita descrever, desafiar, desenhar, criar, avaliar ou revisar Modelos de Gestão de forma mais sistemática.

3 - Como o Modelo de Gestão - Canvas facilita a carreira do gestor?

O Modelo de Gestão – Canvas facilita ao Gestor Empresarial desenvolver a nova competência dos grandes líderes: ser Integrador (Ram Charan)– aquele que combina execução de objetivos, envolvimento de pessoas e ênfase no resultado.

4 - Quando a ferramenta Modelo de Gestão – Canvas é adequada?

O momento certo ocorre no instante em que a Organização quer ou precisa profissionalizar a sua gestão empresarial.

5 - Quais são os benefícios do Canvas?

 O Canvas permite uma visão completa (!) (“helicóptero”) do que Organização faz, deve e pode fazer;

 O Canvas promove a interação entre diferentes unidades, áreas e equipes;

 O Canvas é mais “solução boutique, do que “remédio de prateleira”;

 O Canvas estimula a equipe a remar na mesma direção: otimizar a competitividade da gestão;

 O Canvas facilita planejar, atuar e gerar resultado de maneira a atrair e reter os stakeholders;

 O Canvas otimiza a visualização de ideias e soluções;

 O Canvas explica e sintetiza o que interessa de fato para a gestão;

 O Canvas aplica o conceito do Lego ao juntar as peças da gestão;

 O Canvas organiza ideias e soluções;

 O Canvas inspira e instiga na hora de envolver todos;

 O Canvas é prático, colaborativo e lúdico;

 O Canvas educa para uma linguagem comum;

 O Canvas leva à ideias e soluções loucas - de impacto.

Por tudo isso, não é nenhuma surpresa que o Canvas esteja avançando nas organizações.


Importante: o CANVAS pode ser utilizado em qualquer empreendimento, em qualquer segmento, de qualquer porte.

Enfim,o Modelo de Gestão Empresarial - Canvas permite às pessoas cocriar (!) modelos, ajustados à sua(!) realidade.

No entanto, em última instância, a abordagem do Canvas não visualiza o resultado de pesquisas, insights, dados e fatos, mas permite encontrar os mais diversos pontos de um modelo de gestão, massa crítica para aprofundar, questionar, completar – sempre na busca das melhores ideias para responder questões ou resolver problemas do dia a dia do gestor.

6 - Quais são os Blocos do Modelo de Gestão Empresarial – Canvas, com seus respectivos elementos?

Objetivo: Crescer – com lucro

         O que queremos ser?
         Onde queremos chegar?

Estratégia: Obter vantagem competitiva a partir da diferenciação

       Cenário: O que os stakeholders buscam?
      Proposta de Valor - em poucas palavras
      Análise SWOT
          o 1 - O que facilita? (Oportunidades/Pontos Fortes)
          o 2 - O que restringe? (Ameaças/Pontos Fracos)

Prioridades: Montar uma Agenda de Prioridades – de impacto

      Foco Colaborador
      Foco Cliente
      Foco Fornecedor
      Foco Comunidade
      Foco Investidor

Pessoas: Tornar-se um Gestor cobiçado, desenvolvendo competência como:

      Estrategista
      Executor
      Líder
      Integrador

Organização: Desenhar uma Organização que aprende, seguindo o processo:

      Informação
      Conhecimento
      Criatividade
      Inovação
      Mudança

Monitoramento: Gerenciar resultado – com soluções digitais (BSC)

      Cliente
      Processos
      Aprendizado
      Finanças

7 - Quais são as fases na construção do Modelo de Gestão Empresarial - Canvas?

Fase 1 – Fixar o desafio

Criar, avaliar ou revisar o Modelo de Gestão da Organização, sob os requisitos

 Desejabilidade – o que faz sentido para os stakeholders

 Praticabilidade – o que é funcionalmente possível

 Viabilidade econômico/financeira – o que sustenta crescimento com lucro

Fase 2 – Pesquisar as necessidades dos stakeholders

 Elabore um questionário - quais são os principais problemas?
 Como são resolvidos hoje?
 Prepare as entrevistas
 Efetue a pesquisa

Fase 3 – Transformar os insights da pesquisa em oportunidades

 Classifique e condense os insights da pesquisa;
 Realize um brainstorming para propor, sem censura, soluções inusitadas, tantas quantas forem possíveis.

Fase 4 – Trazer vida às melhores ideias

 Faça simulações que tornam as ideias tangíveis

Fase 5 – Comunicar as conclusões

8 - Como aplicar o Modelo de Gestão Empresarial - Canvas?
- embasado no DESIGN THINKING

“O maior território inexplorado no mundo
é o espaço entre as nossas orelhas”
O’Brien

Passo 1 – Mobilizar a equipe para um projeto bem sucedido (Discover)

1 – Nomear o líder do projeto com ampla experiência em gestão empresarial e perfil de um Intraempreendedor - o empreendedor que trabalha dentro(!) de uma organização, capaz de ousar com ideias, de inspirar pessoas e de mover mudanças para gerar soluções impactantes.

2 – Muito importante envolver um Executivo sênior para patrocinar o projeto – um apoio visível para sinalizar a importância de um Modelo de Gestão.

3 – Para otimizar ideias e superar eventuais resistências à implantação, reunir pessoas de diferente conhecimento, experiência, comportamento, i.e. uma equipe multidisciplinar/ multifuncional, composta por pessoas das áreas chave da organização (marketing/vendas – engenharia/produção – materiais – serviços/logística - administração/finanças – tecnologia de informação e comunicação), de diferentes níveis hierárquicos.

4 - Sensibilizar a equipe da necessidade de um modelo de gestão empresarial, orientando sobre o papel de Modelos de Gestão e sua importância sobre o processo de inovação; seja prático, embasando sua mensagem com casos, fatos e números de sucesso (ao invés de conceitos).

5 – Envolver um Consultor/Facilitador para ajudar, de forma neutra, a questionar, pensar em alternativas (“e se?”, “por que não?”) – “fora da sombra de Organização”.

6 - Descrever, numa linguagem comum, a justificativa por trás do trabalho.

Passo 2 – Compreender os elementos chave para montar um modelo de gestão (Define)

1 - Estimular a equipe para desenvolver uma boa compreensão do contexto, onde o Modelo de Gestão deve evoluir, definindo o que é Gestão Empresarial; O GOOGLE traz mais de 600.00 respostas; sugerimos entender gestão empresarial como o processo de alinhar (apenas) seis passos: Definir Objetivo – Elaborar Estratégia – Estabelecer Prioridades – Desenvolver Pessoas – Desenhar Organização – Monitorar Resultado.

2 - Entender o contexto do problema da não existência de um Modelo de Gestão Empresarial através de entrevistas com membros-chave da Organização (Inspiração).

3 - Entrevistar os stakeholders da Organização para identificar problemas, necessidades e expectativas deles de uma “boa” Gestão Empresarial; é preciso se colocar na posição do outro e tentar “viver” a sua realidade; isso permite compreender melhor as expectativas dos stakeholders (Mapa de Empatia).

4 - A partir de análise e síntese dos dados coletados, criar insights - descobertas que surgem “do nada”, depois de um momento de observação /ou reflexão do comportamento dos stakeholders: como eles lidam com propósitos, pessoas e processos diante de situações, problemas, obstáculos etc.; ou seja, estamos falando de uma contemplação sobre a situação que queremos resolver.

5 – Desenvolver a capacidade de quebrar mesm!ce, simulando caminhos para chegar na melhor alternativa; organizações estabelecidas tendem a barrar ideias ousadas; para enfrentar, articule as vantagens da proposta: potencial de mais receita/lucro, etc.

Para ganhar conforto quanto a ideias e soluções de impacto é preciso realizar sessões de cocriação no formato brainstorming: propor, sem censura, ideias “loucas” e soluções inusitadas, tantas quanto forem possíveis, com o público acima através do Mapa Mental, com seus elementos:

- pensamento divergente, abrindo espaço para caminhos, respostas e soluções alternativas – se possível criativas, inovadoras e impactantes;

- pensamento convergente, no qual se usam critérios práticos para decidir entre as alternativas;

- pensamento integrativo, explorando ideias opostas (tese – antítese) para construir uma nova ideia ou solução (síntese) ou ampliando o escopo das questões relevantes com perguntas do tipo “e se?”, “por que não?”
é essencial fazer perguntas ( “e se”, “por que não”, “e se não” ) e gerar ideias para identificar uma grande variedade de soluções.

Obs: O maior desafio é ativar os dois(!) lados do cérebro para pensar, de forma lógica (“in the box”) e(!) de forma criativa (“out of the box”).

6 - Consultar especialistas externos; comentários como “isso não vai dar certo” ou “os stakeholders não precisam disso” indicam resistência potencial; questionamentos adicionais podem ajudar a refinar o Modelo de Gestão Empresarial.

“A melhor maneira de ter uma boa ideia é ter várias ideias.”
Linus Pauling

Passo 3 – Desenhar as ideias (Design)

1 - Usar ferramentas como:

- Pensamento Visual - utilizar imagens, ícones, desenhos, gráficos, diagramas para expressar uma ideia na busca de resultados diferentes daqueles , caso fossem expressos por palavras ou números;

- Storytelling – narrativas para introduzir o novo, enxergando além dos padrões e estudar cases de Modelos de Gestão Empresarial inovadores bem sucedidos, para envolver pessoas.

2 - Desenvolver ideias e soluções pilotos em escalas diferentes, de guardanapo de papel, numa conversa entre duas pessoas regada a cerveja ou vinho, até cases (de sucesso e de fracasso) que possam ser testadas – é como “conversar” com suas ideias - (Prototipagem).

3 - Analisar a viabilidade de ideias, antecipar problemas com ideias inovadoras (Feasibility Study).

Para ganhar adesão das soluções às suas expectativas reais pergunte a profissionais da área em questão se:

a) As ideias são interessantes para eles que serão “servidos” pelas soluções criadas?

b) As ideias são viáveis (técnica- e financeiramente)?

Observação: Evite análise excessiva (“paralisia da análise), demonstrando progresso e aprendizado para a Alta Direção.

4 - Após um questionamento intensivo de cada protótipo, selecionar os mais satisfatórios.

5 - Adaptar o Modelo de Gestão em resposta à reação da Organização (Develop)

É a fase de revisar ideias e soluções, onde for necessário (Concept Review).

6 – Documentar as ideias consensadas (Briefing)

“Descobrir o que o consumidor quer, é fácil.
Fazer algo em relação a isso, é que já não é assim tão simples”
Liz Wetzel

Passo 4 – Colocar as ideias e soluções validadas em prática e testá-las até acertar 100% - o que funciona (“energiza”) e o que não funciona (“mata”) (Deliver)

1 - Implementar na Organização o protótipo do Modelo de Gestão Empresarial:

- Definindo o mapa do projeto;

- Especificando os marcos da execução;

- Conduzindo uma comunicação interna de alta visibilidade, anunciando o novo modelo.

2 - Adaptar o Modelo de Gestão Empresarial em resposta à reação dos stakeholders.

- Avaliando de forma contínua como se comporta o modelo no dia a dia da Organização;

- Promovendo workshops regulares com membros chave da Organização, para avaliar se o modelo precisa de ajustes.

“A mente que se abre a uma nova ideia
jamais voltará ao seu tamanho original”
Albert Einstein

Lembre: o Canvas é um ponto de partida, não um plano imutável.

9 - O que fazer então para montar o seu(!) Modelo?

1 - Imprimir o quadro Canvas padrão, pré-formatado, contendo os seis blocos e seus elementos do modelo de negócios, em tamanho A 1, e fixá-lo na parede.

2 – Convidar a equipe para o trabalho.

3 – Descrever o seu(!) Modelo de Gestão Empresarial, o caso da sua realidade, preenchendo os elementos do quadro CANVAS.

4 - Priorizar cada elemento conforme o peso que você atribui para cada um deles.

5 - Conectar os elementos de maior peso para indicar o caminho crítico da sua gestão empresarial.

6 – Avaliar no final de um período, a ser definido por você, marcando os ítens do caminho crítico conforme o resultado (“alarmante” em vermelho, “crítico” em amarelo, “tudo bem” em verde).

O elemento marcado em vermelho requer uma ou mais ações corretivas, a serem discutidas com sua equipe.

Pronto – Você acabou de programar o GPS para a sua Gestão!

11 - Quais são as Variáveis de um treinamento para implantar um Modelo de Gestão – Canvas na Organização?

1 – Objetivo

Construir, avaliar ou revisar um modelo de gestão empresarial.

2 – Situação

Sanear ou gerenciar a empresa.

3 - Perfil do Grupo

Preparado ou não preparado.

4 - Duração

Sessões concentradas cada uma, que podem ser agendadas enquanto forem necessárias, para chegar numa conclusão.

12 - Quais são os Fatores de Sucesso?

 Induzir o pensar coletivo, sim; conduzir a pensamento uniforme, não.

“Quando todos pensam igual é porque ninguém está pensando”
Walter Lippman

 Entender que a combinação de elementos e post-it sozinho não gera inovação.

“A vontade de questionar
é a base mais forte para horizontes mais amplos”
Hans Holser

 Desenvolver o próprio Canvas, não clonar um padrão.

“A chave do sucesso da Sony e para tudo nos negócios é...
não seguir os outros”
Masura Ibuki

13 – Por que “Canvas 4.0”?

O mundo da educação corporativa desencadeou tendências de assimilação, aprendizado e aplicação como templates, softwares e jogos que buscam facilitar a carreira das pessoas.

Como métodos tradicionais de gerenciar não são mais uma alternativa viável, está na hora de acionar o Plano B da gestão: o Canvas 4.0

O Canvas, como apresentado aqui, combina elementos inovadores como:

- Aplicação para construir um Modelo de Gestão (não Negócio)

“There is a better way – every day”
Robert Wong

- Desenvolvimento embasado no DESIGN THINKING

“Troque o não pelo por que não?”
Victor Mirshawka Jr.

- Ponderação dos elementos para indicar o caminho crítico da gestão.

“Triste não é mudar de ideia. Triste é não ter ideias para mudar”
Francis Bacon

É todo um jogo

Mais Management Model Game – MMG
do que Business Model Generation – BMG

Convido você para enxergar a gestão empresarial sob uma nova ótica, ou seja, buscar sempre um foco específico sob um ângulo diferente, o qual deve ser fragmentado sob a luz da inspiração e inovação, para convergir na melhor solução a ser aplicada.

“A gestão empresarial é como um prisma – o que você vê depende de como você gira o cristal”.

Girando o prisma gerencial, é possível desencadear um processo evolutivo, ampliando horizontes na busca de soluções, negócios e resultados nunca antes imaginados.

“A Empresa passiva está condenada. A Empresa adaptável poderá sobreviver. A Empresa inovadora deverá suceder”
Philip Kotler

Tempos loucos requerem gestão louca – use o Canvas 4.0!

Se, em princípio, a ideia não é absurda (louca),
então não há esperança para ela.
Albert Einstein

 

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Tags: Canvas, carreira, design thinking, gestão, gestão empresarial, gestor, gestor empresarial, inovação, modelo de gestão

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