Pré-história da administração: os japoneses na sua estrutura básica

Sob muitos aspectos, especialmente o construtivo, o mundo moderno é criação dos japoneses

Entre os precursores da administração no século dezenove, está Robert Owen, que ainda se destaca pela profundidade de seus insights e pela coragem e pela coragem de suas convicções. Ele ainda é, cento e setenta anos depois de seu modelo experimental, em New Lanark - a fábrica de tecidos falida que, em poucos anos, transformou-se em empresa de grande sucesso e em modelo de relações humanas de organização fabril - , um dos gestores mais progressistas, em pé de igualdade com os melhores da atualidade. Mas também outros se sobressaíram, como Saint-Simon, francês, contemporâneo de Owen, que primeiro constatou a importância do empreendedor como criador de riqueza. Na segunda metade daquele século, surgiram os japoneses. Diante da necessidade de serem excelentes nas técnicas e na economia do Ocidente, preservando os valores sociais e culturais de suas tradições milenares e fecundas, os japoneses foram os primeiros a refletir com seriedade sobre a responsabilidade e função social dos gestores. Finalmente, quase no fim do século dezenove, despontou o americano Henry Towne, com sua ênfase na contribuição da experiência gerencial.

 

Esses pioneiros exerceram forte influência.

 

Owen, sem dúvida, estava tão à frente de seu tempo que não teve imitadores: New Lanark foi uma sensação, mas nunca se tornou exemplo. Durante alguns anos, foi a atração turística popular. Porém, embora muitos fossem os príncipes e as cabeças coroadas entre seus espectadores, o autor não soube de um único empresário que tivesse ido lá para descobrir o que Owen estava fazendo.

 

Saint-Simon, em contraste, era tremendamente eficaz. Até hoje, a filosofia e a estrutura básica da administração no continente europeu trazem o seu selo, especialmente quanto à diferença entre empreendedor, ou seja, o detentor do risco financeiro, e gestor. Com efeito, embora o nome de Saint-Simon seja um anátema para qualquer bom marxista, a indústria russa se organizou com base em seus conceitos, em vez de nos de Marx. Do mesmo modo, Towne exerceu influência profunda sobre a estrutura básica da administração e da empresa nos Estados Unidos. É até possível que ele tenha apenas codificado o que já existia, mas, decerto, a estrutura da administração americana até hoje reflete o conceito de Towne de que a função do empreendimento de negócios é usar o conhecimento sistemático a fim de criar valor econômico. Os japoneses, finalmente, talvez tenham exercido o impacto mais importante, dentre todos os pensadores anteriores. Ao criarem condições para que um país não ocidental se modernizasse e se industrializasse, mas mesmo assim, continuasse, na essência, um país não ocidental, com sua própria tradição e cultura, não só romperam o monopólio do avanço econômico e tecnológico pelos países ocidentais, como também lançaram os alicerces da atual explosão de desenvolvimento econômico. Sob muitos aspectos, especialmente o construtivo, o mundo moderno é criação dos japoneses.

 

E, no entanto, essa é a pré-história da administração, não a história propriamente dita, pois faltou algo em cada um desses pioneiros, a saber, o reconhecimento da existência da administração como área distinta; de administrar como diferente de trabalho; e dos gestores como grupo e função à parte. Hoje, quando se lê seus insights, é de impressionar. Mas agora é sabido algo que seus contemporâneos ignoravam; são lidos alguns trabalhos deles que simplesmente não estava explícito naquela época. Cada um desses pioneiros encontrou uma pepita de ouro puro, mas não se deu conta da própria descoberta, inconsciente de seu valor. Outras informações podem ser obtidas no livro Pessoas e desempenhos, de autoria de Peter F. Drucker.

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