Qualidade Total: aplicação dos conceitos no gerenciamento das rotinas das obras Industriais

A filosofia da Qualidade Total, trouxe para o ocidente um ensinamento fundamental para o crescimento dos profissionais de gerenciamento, que Falconi (1994), traduziu assim: É muito difícil que as funções gerenciais possam ser conduzidas de forma eficaz se as funções operacionais não funcionam bem".

Valdair Sarmento,
A filosofia da Qualidade Total, modelo japonês, trouxe para o ocidente um ensinamento fundamental para o crescimento dos profissionais de gerenciamento que Falconi (1994), traduziu assim: "É muito difícil que as funções gerenciais possam ser conduzidas de forma eficaz se as funções operacionais não funcionam bem". Isso reflete a realidade da maioria das empresas quando tratamos de obras ou montagens externas.


A montagem externa da maioria das empresas de pequeno e médio porte não tem nos seus colaboradores operacionais de campo - coordenadores, supervisores e líderes -, cultura de gestão, seja técnica ou administrativa, tendo na experiência – também importante – a sua principal virtude. Mas isso não basta.

Características do gerenciamento do dia a dia da obra, tais como: padronização em atividades repetitivas, monitoração do desempenho e dos resultados, ações corretivas nos processos a partir do levantamento dos desvios de qualidade, prazos, custos e aplicação do 5S no canteiro de obras, não são processos aplicados nas obras, por rigorosa falta de cultura de gestão.


Como proposta para melhorar desempenho dos Departamentos de Obras, este artigo sugere como marco inicial, a aplicação de básicas do gerenciamento da rotina proposto por Falconi (1994), entre as quais eu destaco:


Desenvolvimento de novas lideranças: Dar oportunidades as novas lideranças que já existem dentro do grupo de profissionais, separando-os dos líderes mais antigos, que por receio de perder o poder, não permitem o crescimento de seus subordinados. Fazer com que as novas lideranças passem a realizar a supervisão das obras individualmente.
Outro ponto importante é contratar novos profissionais que atendam ao novo perfil de liderança pretendida pela empresa, com conhecimentos não só técnicos, mas administrativos também;

Educação e treinamento: Patrocinar cursos e treinamentos de gestão técnica e administrativa, as lideranças existentes e aos novos supervisores contratados, que somados que preencham o número das necessidades atuais da empresa. Juntar a experiência dos supervisores com treinamentos e cursos, permitirá o desenvolvimento dos mesmos e a aplicação dos conceitos e processos propostos neste artigo. Só assim, poderá ser mudada a mentalidade e aplicar o Gerenciamento da Rotina, com utilização de técnicas do PDCA, por exemplo, que além de eliminar eventuais desvios poderá vir a contribuir significativamente no aumento da produtividade das montagens.


Aplicação do PDCA
: As obras por si só, já acontecem com resultados fora do planejado. Isso acontece por que não existe controle sobre nenhum dos processos de produção das montagens. Segundo Falconi (1992, pág. 29), "Kaoru Ishikawa disse: Se você não tem item de controle, você não gerencia."


Seguindo com os ensinamentos de Falconi (1992), ele indica que "o controle de processo é exercido através do Ciclo do PDCA de controle de processos." O ciclo do PDCA (PLAN, DO, CHECK, ACTION) é composto por quatro fases básicas do controle: planejar, executar, verificar e atuar corretivamente.


Os termos no ciclo PDCA têm o seguinte significado:

· Planejamento (P):

Consiste em estabelecer metas sobre os itens de controle; Estabelecer a maneira (o caminho, o método) para se atingir as metas propostas;


· Execução (D):

Execução das tarefas exatamente como prevista no plano e coleta de dados para verificação do processo. Nesta etapa é essencial o treinamento no trabalho decorrente da fase de planejamento;


· Verificação (C):

A partir dos dados coletados na execução, compara-se o resultado alcançado com a meta planejada.

· Atuação corretiva (A):

Esta é a etapa onde o usuário detectou desvios e atuará no sentido de fazer correções definitivas, de tal modo que o problema nunca volte a ocorrer.


Uma dos maiores problemas de controle nas obras das empresas de pequeno e médio porte é sem dúvida nenhuma, a falta de controles de materiais, insumos e ferramentas, e pior que isso, faltas que só são percebidas no momento da utilização. Esses devem ser os problemas de maior responsabilidade pelos atrasos das montagens - ociosidade e baixa produtividade.


Meu entendimento é de que através da reestruturação do setor de Recebimento e Armazenamento de Materiais e Insumos nos canteiros de obras com aplicação dos conceitos e processos do Controle de Qualidade Total, poderá ser reduzido de forma significativa o problema. Sabe-se que o problema nasce dentro das quatro paredes das empresas, e seria lá o local mais adequando para aplicação desta filosofia de gestão, mas como isso é um processo que ainda levará muito tempo para as empresas darem o devido valor, resta tratar do assunto na hora do recebimento dos materiais diretamente nas obras.

Hoje, na maioria das montagens a figura do técnico de materiais representa apenas o conferente de romaneio e de nota fiscal, e o almoxarife, um simples guardador de materiais e ferramentas.


Com o treinamento adequado o técnico de materiais passará a trabalhar com cópia dos projetos, comparando o romaneio com o desenho do equipamento, no ato da chegada do material. Constatado algum problema na remessa, imediatamente é aberto um Relatório de Não Conformidade (RNC), com a identificação do problema. Após a abertura o relatório o mesmo deverá ser enviado para a empresa, para que a não conformidade seja atendida imediatamente.


Outra proposta para mudança é a forma de trabalhar do almoxarife, hoje esse profissional realiza suas tarefas durante 3 a 4 horas por dia (entregando materiais e ferramentas nas primeiras horas da manhã e recebendo as ferramentas na última uma hora do horário da tarde), o resto do dia ele fica parado sem uma atividade produtiva. O mesmo desenho que serviu para conferência dos materiais na chegada a obra deverá servir para que o técnico de materiais e o almoxarife preparem para o dia seguinte, todos os materiais e recursos necessários para o atendimento da produção, por equipe de trabalho.

Também neste momento poderá ser verificada alguma eventual falta de material, ferramental ou material consumível. Além do ganho de produtividade da montagem pela redução da falta de materiais, com o RNC enviado para a empresa, acredita-se que no futuro o problema poderá ser minimizado.

Finalizo mais esse artigo destacando duas perguntas com respostas do mestre Falconi (1992, pág. 15):


Que é "controle total"?

Controle total é o controle exercido por todas as pessoas da empresa, de forma harmônica (sistêmica) e metódica (baseado no ciclo PDCA).

Que é "qualidade total"?

É o verdadeiro objetivo de qualquer organização humana: "satisfação das necessidades de todas as pessoas".


Pensem nisso!



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


FALCONI, Vicente, TQC: Controle de Qualidade Total (No Estilo Japonês). Rio de Janeiro: Bloch, 1992.


FALCONI, Vicente, TQC: Gerenciamento da Rotina do Trabalho do Dia a Dia. Rio de Janeiro: Bloch, 1994.

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Tags: Gerenciamento da Rotina Gestão de Planejamento. Gestão de Produção Qualidade Total