“Que a força esteja com todos nós”: a estratégia de longo prazo da Disney e a compra da Fox

A compra da maior parte da FOX pela Disney é uma lição sobre estratégia e pensamento de longo prazo.

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“Que a força esteja com todos nós”

Não é sempre que o presidente de uma empresa pode acabar uma conferência séria com analistas com essa frase, mas hoje Bob Iger se deu a essa luxo.

Já disse e repito várias vezs: Ler relatórios de bancos, corretoras e “casas de pesquisa” não servem para muita coisa. Se você quer se informar sobre os mercados financeiros, é muito mais útil ouvir as conferências e ler os relatórios de algumas das maiores empresas do mundo. Se um economista me diz que o mercado da China está crescendo, posso fazer uma anotação mental e dar um bocejo. Se os presidentes da Starbucks e da Disney dizem na frente da comunidade financeira que estão investindo naquele país (como vem acontecendo nos últimos tempos), é outra história.

Um dos casos mais interessantes de acompanhar nos últimos tempos é a indústria de entretenimento. Não só por satisfazer meu lado nerd e ficar sabendo em primeira mão dos lançamentos de filmes, mas por toda a discussão e movimento em torno do que as “mudanças tecnológicas” estão fazendo no setor, e do valor de pensar em longo prazo.

Há alguns anos já, o presidente da Disney (e de outras empresas da mídia “tradicional”) tem enfrentado questões sobre serviços de streaming como Neflix e mais recentemente, Amazon Prime. A Netflix, especialmente, comprando conteúdo relativamente antigo que antes estava parado dos grandes Estúdios, cresceu de forma exepcional chegando a valor mais de 80 bilhões de dólares. A Time Warner, dona da HBO, dos quadrinhos da DC e do Harry Potter, vale 70 bilhões.

“Nosso foco é o conteúdo.”, “o produto é o conteúdo”, “é o produto”, são algumas das respostas que me acostumei a ouvir sobre quais as vantagens dos grandes estúdios sobre os novos concorrentes. Para quem acompanha, houve até uma certa pressão para a Disney ou algum outro estúdio comprar a Netflix e acabar com a história de uma vez.

Outro detalhe interessante foi quando resolveram construir brinquedos do filme Avatar nos parques da Disney. Perguntado várias vezes sobre o porquê de colocar um filme da concorrência quando a Disney possuía tanto conteúdo bom, Iger respondia que eles sempre estavam atrás de bom conteúdo (se ele já estava pensando ou não em comprar o estúdio inteiro é algo que provavelmente nunca saberemos).

Agora, Avatar faz parte do Império do Rato. Se você está curioso, Marge Simpson é princesa da Disney e os X-men podem aparecer nos filmes da Marvel (quem mais quer ver uma briga do Wolverine com o Hulk?). A Disney, que já anunciou a vontade de tirar o catálogo de filmes de Netflix, sai com uma biblioteca maior ainda. Basta a Comcast, dona da Universal, e AT&T, que está comprando a Time Warner, espirrarem, que a ameaça dos serviços de streaming como a Netflix se torna uma vaga lembrança. Algo como o Blackberry na história dos smartphones.

A história toda, além de divertida, nos lembra do valor de manter a calma frente a competidores e pensar a longo prazo. Em meio a toda a pressão de que os serviços de streaming iriam acabar com os negócios, focar no que realmente interessa aos consumidores, não ceder as pressões e surpreender de vez em quando são a marca de uma estratégia bem feita.

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