Robert Owen e a responsabilidade social

Enquanto Charles Babbage apresentava seus inventos e estudos chamando a atenção dos cientistas ingleses que passaram a reconhecer sua genialidade, Robert Owen, um dos grandes empresários da indústria têxtil se tornava uma das maiores referência para quem deseja explorar o tema e ampliar seus conhecimentos sobre Responsabilidade Social.

Para este industrial que viveu entre 1771 e 1858, a iniciativa privada tem um papel fundamental a desempenhar no processo de melhoria das condições de vida das pessoas, de superação da desigualdade social e econômica.

Socialista ao extremo, no limiar do século XIX, mais precisamente em 1797, Owen visitou pela primeira vez New Lanark, quando disse: “De todos os lugares que vi, preferi esse para experimentar uma idéia que tenho há muito tempo.”

New Lanark era a maior fábrica de fiação de algodão do Reino Unido, nessa época.

Owen, então, assumiu a presidência e encontrou uma sociedade deplorável.

Prevalecia o vício e a imoralidade em proporções inimagináveis.

Era um grande desafio, para esse homem idealista, que acreditava piamente na maleabilidade do caráter do homem e no poder da sociedade para moldar esse caráter.

Afirmava: “O caráter do homem é feito para e não por ele.”

O reflexo dessa situação estava nas condições de trabalho e de vida de grande parte dos trabalhadores.

Homens, mulheres e crianças, muitas com não mais que cinco e seis anos trabalhavam até 14 horas por dia, seis dias por semana, ganhando salários miseráveis e vivendo em condições quase subumanas.

Sem nenhuma atenção para a higiene, a proliferação de inúmeras doenças eram favorecidas.

Para o socialista Owen, essa era uma situação que não poderia continuar. Considerava que os administradores deveriam assumir o papel de reformadores.

Para dar o exemplo construiu, em Lanark, casas melhores para seus empregados, manteve as ruas limpas, construiu uma escola e ainda montou, em sua empresa, um armazém onde as mercadorias poderiam ser adquiridas a um preço mais justo.

Reduziu a jornada de trabalho para dez horas diárias, proibiu a agressão a crianças e recusou-se a contratá-las com idade inferior a dez anos.

Acreditava, em contradição a seus colegas empresários, que o melhor investimento estava nos trabalhadores ou “máquinas vitais” como ele os denominava.

Não só melhorou as condições de trabalho em sua fábrica, como também introduziu o que chamamos hoje de “Avaliação de desempenho”.

Para controlá-lo, Owen atribuía quatro tipos de grau para o trabalho diário de cada superintendente e esses, seguindo a cadeia hierárquica, julgavam todos os trabalhadores sob seu comando.

A técnica de apuração e controle das notas era uma coisa interessante.

Eram pintadas nos quatro lados de um pedaço de madeira as cores preta, azul, amarela e branca e era colocado em cima das máquinas e virado segundo o desempenho do operário, seguindo uma ordem crescente de mérito.

Owen exigia que essas marcas diárias fossem registradas em um livro que ele analisava periodicamente.

Apesar de os pedaços de madeiras denunciarem aqueles operários com menor desempenho, Owen acreditava poder, com essa atitude, não humilhar o trabalhador, mas identificar áreas problemáticas, estimulando o orgulho, provocando a competição entre os empregados com o intuito de melhorar a produtividade, além do que, teria um feedback de seu desempenho.

Owen conseguiu uma arrumação ordenada dos trabalhos em sua fábrica.

Outra de suas características era a escolha minuciosa de seus gerentes, que fazia questão de que passassem por treinamentos, a fim de que pudesse confiar que as coisas andariam bem, mesmo durante sua ausência, tornando-se assim um dos pioneiros da gerência de pessoal.

A prova está no que ele escreveu a seus superintendentes, chamando os operários de máquinas vivas maravilhosamente construídas.

Ele dizia: “Muitos de vocês têm extensa experiência em suas operações fabris acerca das vantagens de maquinaria substancial, bem concebida e bem feita. Se então, o devido cuidado com o estado de suas máquinas inanimadas pode produzir tais resultados benéficos, o que não pode ser esperado se dedicarem igual atenção a suas máquinas vivas, que são muito mais maravilhosamente construídas?”

Vivemos hoje numa sociedade de organizações como pregavam Etzione e seus pares, onde o maior destaque são as pessoas, utilizados pelas organizações como principal meio para o alcance de seus objetivos.

E como racionalidade excessiva e felicidade não são compatíveis, o desafio é administrar esse conflito, uma vez que nem tudo que aumenta o racionalismo reduz a felicidade e nem tudo o que amplia a felicidade reduz a eficiência.

Hoje sabemos que as empresas estão preocupadas em demonstrar que sua existência vai muito além do capital econômico e financeiro, pois, estão cientes de que sem os recursos naturais e principalmente sem as pessoas elas não conseguiram gerar riquezas, não iram atender e satisfazer as necessidades humanas e conseqüentemente não iram proporcionar a melhoria de qualidade de vida das pessoas.

Ainda hoje muitas empresas confundem Responsabilidade Social com Filantropia.

A questão da responsabilidade social vai além da postura legal da empresa, da prática filantrópica ou do apoio à comunidade.

Significa mudança de atitude, numa perspectiva de gestão empresarial com foco na qualidade das relações e na geração de valor para todos e Robert Owen é sem dúvida um exemplo a ser seguido.
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