Um Velho Novo Mundo Repleto de Novas Velhas Idéias

Vivemos num mundo novo ou em uma reedição mais sofisticada de um mundo não tão novo assim? Até pouco tempo não se praticava coaching e mentoring. Será mesmo?

Carlos Hilsdorf,

Vivemos num mundo novo ou em uma reedição mais sofisticada de um mundo

não tão novo assim?

Até pouco tempo não se praticava coaching e mentoring. Será mesmo?

Resiliência é uma tônica do momento atual. Você tem certeza?

Se olharmos com mais carinho, vamos observar que, como descrito em Eclesiastes: “não há nada novo debaixo do Sol”.

O que há de mais significativo no universo conceitual dentro e fora do mundo corporativo, encontra suas referências mais profundas nos textos clássicos da antiguidade e/ou nos ainda não contemporâneos autores da psicologia, física, filosofia, entre outras.

Comecemos pela resiliência. O termo vem emprestado da engenharia (sobre a capacidade de determinadas estruturas suportarem pressão) e da física (estudo dos coeficientes de elasticidade das molas), mas a prática remonta à escola filosófica dos estóicos que se caracterizavam por uma atitude de superioridade frente às dores e pressões da vida. Já encontramos referência a esta competência nas civilizações greco-romanas, e ainda é possível retroceder mais no tempo.

A religião hindu é por excelência uma grande “exportadora” do conceito de mentor (o verdadeiro guru) que conduz com sua simples presença, avanços na vida de seus discípulos, e isto a milhares de anos. Vamos encontrar na pedagogia, em Vigotsky, a teoria do desenvolvimento proximal, que demonstra que alunos menos avançados em contato com alunos mais avançados desenvolvem-se mais rápido. O que eram os tutores eleitos pelos reis da idade média para ensinar os príncipes se não mentores no sentido intelectual e “coachs” no sentido instrumental?

O universo conceitual corporativo vem sofrendo dois fenômenos muito nítidos:

1) a “patologia dos modismos”, representada por neologismos desenvolvidos para vender livros e cursos que explodem em nosso país (mal havia siso lançado o livro Inteligência Emocional de Goleman e já tínhamos “experts” oferecendo cursos sobre o que Goleman levou anos estudando – e muitos outros antes dele).

2) uma redescoberta do fundamental nas relações humanas – já consistentemente apresentado na produção intelectual do último milênio.

O primeiro é negativo para as organizações, o segundo é imprescindível!

Precisamos desenvolver o senso crítico que nos possibilite vencer a ansiedade crônica ocasionada por uma invasão de conceitos alienígenas o tempo todo e a humildade de rever a nossa formação deficiente no conhecimento dos clássicos da humanidade.

Resiliência, no sentido atualmente utilizado, sempre esteve entre as “best practices” dos melhores profissionais, não fosse assim eles já estariam fora das organizações vitimados pela pressão. Que se queira estender o conhecimento desenvolvendo as habilidades relativas e as competências derivativas, tudo bem, mas apresentar como novidade?

É coerente perceber que hoje o presidente de uma organização deve ser simultaneamente o mentor dos mentores e o “master coach”, mas não devemos perder de vista que o fenômeno mais importante por trás de tudo isso é uma promoção da humanização das organizações.

Humanização não conquistada apenas pela conscientização (que, em parte, também ocorreu), mas demandada como diferencial competitivo por um capitalismo exaurido de “explorar” a mão de obra e que passa a depender do conhecimento como força e fator produtivo fundamental! Migramos da mão de obra para a mente de obra e se não cuidarmos bem desta transição poderá ocorrer com estes novos profissionais da revolução do conhecimento quase o mesmo que aconteceu após a revolução industrial. Se não fundamentarmos bem e aproveitarmos esta época para construir organizações qualitativamente superiores, poderemos ter no futuro os proletários do conhecimento.

É por estas e outras que esta é a era do RH! Por isso, insisto que, qualquer reunião que trate do presente ou futuro da organização para a qual o RH não tenha sido convidado é uma reunião míope!

Quando se depende de pessoas devemos consultar os profissionais que entendem de pessoas. E estes profissionais, por sua vez, têm que entender cada vez mais de pessoas e cada vez mais de negócios, que não se restringem à pirâmide de Maslow e à matriz BCG.

Quem sabe assim, no futuro possamos ter, de verdade, um mundo novo repleto de novas idéias.

Carlos Hilsdorf

Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha). Economista, Pós-Graduado em Marketing pela FGV e consultor de empresas. Autor do best seller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero. Referência nacional em desenvolvimento humano. Site oficial: www.carloshilsdorf.com.br

Acompanhe as novidades no Twitter: www.twitter.com/carloshilsdorf

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