Você se considera uma pessoa ética?

Ética é prática, não um simples discurso. O exemplo começa dentro de casa e nada do que for conquistado sem esforço próprio vale a pena. O que você está fazendo para construir um mundo mais ético, mais justo e mais interessante para se viver?

Ética é o conjunto de regras de conduta aplicadas a uma organização ou sociedade para definir algo sobre o certo ou o errado diante dos grandes dilemas da vida e “tentações” da vida mundana.

Para que as regras não se percam, o ideal é adotar princípios universais em vez de valores que colocam a ética em xeque. Valores são transitórios e próprios de uma cultura, de uma determinada sociedade ou religião; princípios são universais, aplicados ao mundo inteiro.

Exemplo prático: eu sou católico, mas tenho amigos ateus, brancos, budistas, negros, evangélicos, espíritas etc. e, baseado no princípio universal do respeito, não posso afirmar que alguém é melhor do que alguém baseado apenas na cor, no credo, na cultura ou no grau de escolaridade. Simples assim.

Apesar de tudo, a ética depende da moral e a moral está diretamente relacionada com os princípios de comportamentos adotados por uma pessoa, os quais são influenciados por valores desde a mais tenra infância, ou seja, do meio em que se viveu.

E aí reside o problema. Como diz o nobre colega Stephen Kanitz, as pessoas costumam estabelecer suas ambições antes de seus princípios, o que as leva, muitas vezes, a reduzir o rigor ético em função do alcance de seus objetivos.

Exemplo prático: um princípio ético ensinado pela maioria dos pais desde pequeno é não roubar, ou seja, não pegar o que não me pertence; o mau comportamento define-se quando, diante de uma oportunidade, eu decido roubar algo de alguém ou mesmo da empresa.

Portanto, eu conheço o princípio, sei que é errado, mas a minha moral é relativa, afinal, o patrão é rico, já deve ter roubado muito para chegar onde chegou e eu acho não vai sentir falta. Quanta pobreza de espírito!

E assim o Brasil vai se perdendo em si mesmo. É o político que acha normal enriquecer às custas do povo; o ministro que acha legítimo soltar o mesmo político porque é seu amigo, o ex-presidente que se sente injustiçado por ter feito tanto pelo povo, mesmo favorecido por benesses que nunca teria conquistado como empregado; o cidadão que questiona o “excesso” de coragem e, ao mesmo tempo, de risco de morte a que se submeteu um juiz capaz de colocar dezenas de bandidos na cadeia depois de 500 anos de história; os pais que questionam os professores pelas notas ruins que o filho obteve na escola; o empregado que, mesmo tendo abusado no local de trabalho, entra na justiça para ver se consegue arrancar algum dinheiro do patrão etc.

Infelizmente, para a maioria dos pervertidos que dominam o nosso país, o melhor cidadão que existe é aquele que não reclama, não questiona, não incomoda e, acima de tudo, não tem a mínima pretensão de ser político.

Ser ético no Brasil é fazer parte de uma batalha insana, desafio para gente grande, pessoas fortes de espírito, resignadas e resilientes, afinal, a impressão que se tem é a de que estamos semeando no deserto e remando contra uma corrente de pessoas que não tem a menor preocupação com as injustiças cometidas pelo Executivo e o Legislativo, sob as bênçãos do Judiciário, de norte a sul do país.

Tenho amigos e conhecidos que riem de mim quando eu digo, sem medo, que não há nada no meu notebook que não seja legal: músicas, vídeos, software etc. Não se trata de preço alto ou excesso de impostos; trata-se de cumprir a lei, do prazer de poder pagar, do respeito aos direitos autorais de alguém que lutou para proporcionar algo de bom para a sociedade.

Eu gosto de compartilhar a matriz da ética, concebida por José Carlos Martins de Melo em seu livro Negociação baseada em estratégia (Editora Atlas). As três perguntas da matriz são um excelente balizador para definir uma situação ética ou não ética. Vejamos por meio do exemplo a seguir:

Primeira questão:

A atitude está dentro da lei? Se não estiver, descarte como não ética. Exemplo: matar, roubar, contrabandear, sonegar impostos, invadir terrenos alheios etc.

Se está dentro da lei, temos a segunda questão:

A atitude é aceita pela sociedade? Se não estiver, descarte como não ética. Exemplo: políticos da Câmara e do Congresso têm auxílio financeiro para a compra de ternos, mas isso é aceito pela sociedade?

Se for aceito pela sociedade, considere a terceira e última questão:

Posso dormir tranquilo? Essa questão depende exclusivamente da sua consciência, com base nos seus princípios e valores. Está dentro da lei, é aceito pela sociedade, mas você pode dormir tranquilo, de acordo com a sua consciência? Há quem durma tranquilo mesmo depois de retirar algo que não lhe pertence pelo simples fato de tomar algo de alguém que possui mais bens do que ele. Você dormiria tranquilo?

Na dúvida, não fale nem pense, apenas pratique. O exemplo começa dentro de casa e nada do que for conquistado sem esforço próprio vale a pena. Nesse caso, pode-se até viver uma sensação temporária de alegria, bem-estar ou inteligência, mas, ao longo do tempo, você será castigado pela própria consciência.

Pense nisso, aja diferente e seja bem mais feliz!

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