Estudos revelam que a empresa tropeça na execução por passar direto à reorganização estrutural, negligenciando os grandes motores da eficácia - direitos de decisão e fluxo de informações, afirmam Neilson, Martin e Powers, HBR, 2008.
Gary L. Neilson, vice-presidente sênior da consultoria administrativa Booz & Company em Chicago, co-autor de "A organização passivo-agressiva" (HBR, Outubro, 2005), Karla L. Martin, uma das diretoras da consultoria em San Francisco, Elizabeth Powers, diretora na filial Nova York, escreveram para Harvard Business Review, Junho 2008, um artigo chamado
"Segredos para Executar bem a Estratégia."
Nos últimos cinco anos
, os autores solicitaram a milhares de indivíduos (cerca de 25% deles ocupantes de cargos executivos) que respondessem a um questionário online sobre as capacidades de sua organização - processo que gerou um banco de dados com 125 mil perfis representando mais de mil empresas, órgãos públicos e entidades sem fins lucrativos de mais de 50 países.
Nesta avaliação os autores concluiram que uma estratégia brilhante, um produto arrasador ou uma tecnologia revolucionária podem colocar a empresa no mapa competitivo - mas só uma sólida execução será capaz de mantê-la ali.
A empresa precisa fazer aquilo a que se propõe. Infelizmente, a maioria não se sai bem nessa tarefa, afirmam os autores.
Quando indagados se concordavam com o enunciado "Decisões estratégicas e operacionais importantes são rapidamente convertidas em ação", a maioria dos pesquisados respondeu não. Ou seja, funcionários em três de cada cinco empresas declararam que sua organização é fraca na execução.
Segundo os autores, a execução é o resultado de milhares de decisões tomadas todo dia por funcionários agindo com base na informação que possuem e no interesse próprio.
Na assessoria que os autores deram a mais de 250 empresas interessadas em aprender a executar com mais eficácia, foram identificados quatro elementos fundamentais, que o executivo pode empegar para influenciar essa atuação:
- Esclarecer direitos de decisão
- Projetar fluxos de informação
- Alinhar motivadores
- Promover mudanças na estrutura
Para simplificar, os autores chamam esses elementos: decisão; informação; motivadores e estrutura.
O que mais pesa para a execução da estratégia
Quando uma empresa tropeça na execução da estratégia, o primeiro remédio cogitado por gerentes é reestruturar a organização.
Neste estudo, os autores revelam, no entanto, que para garantir uma boa execução é preciso primeiro esclarecer direitos de decisão e se certificar de que a informação chega aonde precisa chegar. Isso feito, a estrutura e os motivadores corretos em geral se tornam óbvios.
Força relativa (de total de 100)
- Informação = 54
- Direitos de decisão = 50
- Motivadores = 26
- Estrutura = 25
Isto quer dizer que medidas vinculadas a direitos de decisão e informação são muito mais importantes - cerca de duas vezes mais eficazes - do que melhorias promovidas nos dois outros pilares (motivadores e estrutura).
Da sondagem de mais de 26 mil funcionários em 31 empresas, os autores chegaram aos traços que tornam uma organização eficaz na hora de colocar em prática sua estratégia. São 17 trações fundamentais da eficácia organizacional.
Os dois mais importantes são:
- Todo mundo tem uma boa noção das decisões e dos atos que são de sua responsabilidade (81 pontos entre 100);
- Informações importantes sobre o ambiente corporativo chegam rapidamente à matriz (68 pontos entre 100).
Em síntese, Neilson, Martin e Powers demonstram que quase sempre funciona o seguinte: garantir que as pessoas realmente saibam o que é de sua responsabilidade e a quem cabe decidir o quê - e dar a todos a informação de que precisam para cumprir esse dever.
Fonte: Harvard Business Review, Junho 2008, pgs. 34 - 44.