Objetivo comum

Em 73 a.C., cerca de duzentos escravos da escola de Batiato revoltaram-se devido aos maus-tratos que recebiam do Ianista.

Dentre eles, Spartacus, um garoto orgulhoso e rebelde que havia sido vendido, antes de completar treze anos de idade, às cruéis minas da Líbia. 

Lá, sob chicote, correntes e sol passou sua juventude e adolescência sonhando com o fim da escravidão, mais de dois mil anos antes que ela acabasse de vez.

Spartacus não tinha muito com o que sonhar, pois fora condenado à morte por morder um guarda.

Mas, seu destino foi mudado por um Ianista (negociante e treinador de gladiadores) que o comprou para ser treinado nas artes de combate e se tornar um gladiador.

Até que um dia, dois poderosos homens chegam de Roma, um com a esposa e o outro com a noiva.

As mulheres pedem para serem entretidas com dois combates até à morte, e Spartacus é escolhido para enfrentar um gladiador negro, que vence a luta, mas se recusa a matar seu opositor, atirando seu tridente contra a tribuna onde estavam os romanos.

Esse nobre gesto custa a vida do gladiador negro e enfurece Spartacus de tal maneira que ele acaba liderando uma revolta de escravos que atinge metade da Itália. 

O grande diretor Stanley Kubrick transformou a história de Spartacus num monumental filme estrelado por Kirk Douglas, Laurence Oliveir e Peter Ustinov que, aliás, recomendo a todos que ainda não assistiram.

No filme, os escravos, depois de derrotarem as legiões romanas por duas vezes, após um longo cerco e uma árdua batalha, foram, finalmente, dominados pelo general Marcus Crassus.

Este diz aos sobreviventes do exército de Spartacus:

— Vocês eram escravos e voltarão a ser escravos. Entretanto, serão poupados da pena de crucificação por clemência das legiões romanas. Basta, apenas, entregarem-me o escravo Spartacus, pois não sabemos quem ele é... 

Após uma longa pausa, Spartacus levanta-se e diz:

— Eu sou Spartacus.

Então, o homem que está a seu lado também se levanta e diz:

— Eu sou Spartacus.

No transcorrer de um minuto, o exército escravo todo está de pé gritando:

— Eu sou Spartacus.

Apócrifa ou não, essa história mostra uma profunda verdade. Pondo-se de pé, todos os homens optaram pela morte.

Mas, a lealdade do exército de Spartacus não era ao homem Spartacus e, sim, ao objetivo que ele inspirara e que era compartilhado por todos – a idéia de que podiam ser livres.

O objetivo era tão forte que nenhum dos homens suportaria a idéia de abandoná-lo e voltar à escravidão.

Um objetivo compartilhado, ou comum, não é uma idéia, mas uma força inculcada no coração das pessoas, uma força de poder impressionante, como ensina Peter Senge.

Pode ser inspirado por uma idéia, mas, assim que ganha impulso, deixa de ser uma abstração, transformando-se em algo concreto. As pessoas começam a vê-lo como se existisse.

Poucas forças nas relações humanas têm o poder de um objetivo que é de todos.

Em um nível mais simples, um objetivo comum é a resposta à pergunta:

— O que queremos criar?

Assim como os objetivos pessoais são imagens que as pessoas carregam na mente ou no coração, a mesma coisa acontece com os objetivos compartilhados pelas pessoas de uma mesma organização.

Eles criam um sentimento de coletividade que permeia a organização e dá coerência às diferentes atividades.

Transformar um simples objetivo em um objetivo comum, a ser perseguido por todos, não é fácil, porém qualquer sociedade, organização ou grupo de pessoas sem objetivo é um desastre.

Na história de Spartacus, todos, naquele momento, tinham um único sentimento e um horizonte pouco promissor, unir-se em torno de um objetivo comum era a melhor alternativa.

Assim, o exemplo mostra clara e concisamente, que a união é fundamental para conseguir o que se pretende.

A lealdade não era ao escravo Spartacus, e, sim, à idéia de liberdade, que ele defendia, e a qual passou a ser um objetivo comum, a ser alcançado por todos custasse o que custasse.

Para a empresa, o objetivo comum, que todos devem perseguir, é a sobrevivência e o crescimento da organização e, com ele, a sobrevivência e o sucesso de cada colaborador.

Qualquer modelo de gestão só poderá sobreviver e crescer por um período longo se as pessoas que o compõem acreditam naquilo que fazem.







Compartilhe



Palavras-chave

Sobre o autor

Rubens Fava

Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tokyo - Japan, Teoria das Restrições – Institute Goldratt – Saint Paul – USA., Management Study – Baldwin-Wallace College – Berea – Ohio – USA. Mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC. Autor dos livros Caminhos da Administração, Arauto, Gestão Empresarial – Volume II, Um tributo a Peter Drucker – capítulo 2, Gestão & Administração – A trajetória de uma executiva de sucesso.  



É autor dos livros



Caminhos da Administração.
e



A trajetória de uma executiva de sucesso.




Mais do autor


PUBLICAÇÕES RELACIONADAS
Cartas a um Jovem Administrador: o Futuro Está na Administração
IDALBERTO CHIAVENATO
Obrigado Pela Informação Que Você Não Me Deu!
NORMANN KESTENBAUM
Os Segredos da Mente Milionária
T. HARV EKER
Uma Bagunça Perfeita: Como Aproveitar as Vantagens da Desordem
DAVID H. FREEDMAN ERIC ABRAHAMSON CLAUDIA GERPE DUARTE
A Tríade do Tempo: a Evolução da Produtividade
CHRISTIAN BARBOSA

CURSOS ONLINE RELACIONADOS
Como Influenciar Pessoas
Catho Educação Executiva
Redação Empresarial
Joaquim Maria Botelho
Gestão de Equipes
Maria Elisa Galvão
Estratégias de Avaliação de Pessoas
Celso Thiede
Administração de Recursos Humanos
Djalma Barbosa e Marco Dalpozzo

Comentários

Você moraria em uma cidade com péssima qualidade de vida, mas recebendo o dobro do que ganha hoje?

Sim, e feliz da vida!
Sim, mas achando ruim.
Não, mas com dor no coração.
Não, e feliz com o que tenho hoje.





apoioAngradHightech
Apresentação | Anuncie | Política de Privacidade | Contato
© 2003-2007. Administradores - O Portal da Administração.