Onde está o Erro do Funcionalismo Público
02 de março de 2009 às 02:05
Alguns apontam o erro na estabilidade e na vitalicidade característica do regime; outros apontam a singularidade das funções, em que o colaborador de regime público lida com poucas funções e com uma rotina metódica e não tão cansativa - o que exprime negatividade quando há crescimento no montante "atarefação". Ou seja, quando algo sai de ordem do comum e o mesmo se vê mais atarefado que o "normal"...
Há um pouco de certeza se mesclarmos ambas as coisas com mais algumas variáveis ambientais e culturais. Mas afirmá-las como único problema pode ser equívoco. Isolar a variável "estabilidade", por exemplo, pode não resolver o "caos" em questão e, ainda por cima, pode gerar um problema ainda maior, dentre os quais desmotivação, aumento do índice de rotatividade e criação de um clima de competitividade entre colegas de repartição ou de organização se insere nesse contexto.
Até então, todavia, não se pensara na mensuração gradativa das variáveis "Clima' e "Cultura". Em qualquer parte do mundo, perante mecanismos de proteção e estabilidade, uma organização necessita agilidade em sua tarefas e variação de rotinas (com quebras contínuas e eventuais), em virtude da viabilidade exprimida para o estabelecimento de um clima de comodismo, por parte de seus agentes. Dessa forma, cria-se uma cultura achatada ao enfado preponderante de beneficiar, primeiramente, os membros dessa organização e, por ultimo, seus clientes e público-alvo.
Também não se pode pensar na implementações de programas que imprimam pressões sobre os mesmos, já que as tarefas do serviço público não exigem um alto grau de eficiência em sua execução - principalmente se praticado num ambiente puramente burocrático, como no caso brasileiro.
Deve-se, dessa forma, se implementar um estudo aplicado, o qual se faça permitir mensurar estruturas de rotina, graus de necessidades, brechas e possibilidades à Multifuncionalidade e "Poli-responsabilidade" e nível de trabalho e envolvimento em equipe. Logo, estabelecendo-se um ambiente menos monótono, mais dinâmico, tais atividades se tornarão menos cansativas, mais suportáveis e menos "fadigáveis". Permitir-se-á também que o funcionário público dê de encontro com coisas novas, de forma que ele amplie sua visão acerca da organização e lide com diversos tipos de pessoas - para além daquelas que ele já se relaciona.
Essa variabilidade fará com que tal colaborador inove no ambiente de trabalho, dê sugestões, procure aprimorar atividades, canais e processos e até mesmo reinvente o modo de lidar com as rotinas - assim que elas se tornarem cansativas. Menos cansado de seu ambiente de trabalho, ficar parado ou não saber passar uma informação para terceiros será algo incomum ou anormal.
Além da "Multitarefalização" do ambiente, incentivos à realização de pesquisas sobre o momento de trabalho ou à participação em projetos desenvolvidos pelo órgão ou organização em si permitiria aumentos significativos na satisfação com o trabalho. O funcionário passaria a se sentir mais útil e importante para o contexto, dando-o mais moral a si e maior envolvimento com a estrutura organizacional.
Lógico que, dentre estas e outras colaborações com a melhoria do serviço público, devem ser aplicadas, postas em prática e divulgadas para todos, sem excessão. Um outro grande entrave do serviço público é a má qualidade na gestão da informação e da comunicação corporativa. Em alguns casos os sindicatos colaboram com o congelamento dessa situação, atrapalhando o progresso organizacional. Todavia, os sindicatos se flexibilizam quando do esclarecimento da equipe responsavel pela implementação do projeto, logo, mais do que qualquer coisa, a comunicação e a participação dos sindicatos far-se-ão bastante válidas.
Além de questões salariais, o que se tornou um praxe do movimento sindical do serviço público no país, o excesso da rotina invariável é o que assola o pensamento de mudança dos servidores dos órgãos estatais. Inferem, como vem se percebendo em observações realizadas à rotina organizacional no serviço público, o cansaço da rotina e do tempo demasiado de relação e inserção em tal contexto isônomo à qualidade salarial, deixando a entender que por ter que passar por esse processo fadigal merecem receber uma maior remuneração - quando na verdade, em virtude do grau de responsabilidade e de cobranças, os salários pagos se encontram acima do parâmetro justo para com o nível de funções e exercícios executados.
Nos moldes atuais existem servidores que entendem a justiça a seu salário dessa forma, assim como mencionam questões políticas no contexto do movimento sindical. Relatam ainda que há um pouco de má vontade por parte de muitos e que realmente não querem trabalhar. Quanto aos aumentos salariais, todos os recebem de braços abertos. Contudo, há de haver algo maior acima disso tudo. E isso se chama mau gerenciamento de pessoal e precarização da Administração Aplicada à Gente e Gestão (nos setores do serviço público brasileiro).

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Sobre o autor
Andesson Amaro Cavalcanti
Bacharel em Administração por formação, tem colaborado nos dias atuais com atividades dos ramos cultural e científico. Sua filosofia de trabalho está intrínseca no gerenciamento de alta performance das decisões e das rotinas, sejam elas administrativas das organizações, nas atividades autônomas ou nas rotinas pessoais dos indivíduos, ou stackholders.

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