Rei da Indonésia defende valorização do DJ

É interessante como a ignorância - em todas as suas formas e nuances - se revela como fundamentalista. Ao arrepio da dialética, ou mesmo da mais comezinha picuinha, melhor do que o totalismo fuinha, um dos epitetados DJs tupiniquins responde a um questionamento sobre a conveniência ou não da legalização da profissão de Disk Jockey. Kid Vinil, Big Boy e Sônia Abreu deveriam se manifestar.

Surtado e com amnésia histórica, Meme, solicita uma "retratação" pelo que escrevi sobre a inconveniência de se regularizar uma profissão que abraça a cópia, ou no mínimo a falta de criatividade. Melhor "regularizar" a profissão de Músico, que sofre tormentos constantes pela apropriação de seu trabalho por outra súcia composta por arrecadadores de direito autoral e fornecedores de carteirinha a analfabetos musicais funcionais.

Para quem não conhece o elemento, que em seu site se refere a si mesmo como "o Top dos Tops DJs de House no País (o "P" maiúsculo está errado, e o "T" dos top é desnecessário), além de ser o mais bem sucedido DJ/Produtor e remixer do Brasil até hoje", ele nasceu e se criou no Rio de Janeiro, começou suas atividades profissionais aos 11 anos, andou se apresentando por alguns países da Europa, dentre eles (segundo o site) Ibiza...

À parte o desconhecimento de geografia, o site diz ainda que ele "tendo tocado (gerúndios e particípios de telemarketing... será que ele também toca head set?) regularmente na Indonésia, onde é rei..." O Rei da Indonésia coleciona vários prêmios, dentre eles Melhor Programa de Rádio, oferecido pela Academia Brasileira de... Letras. Estamos, pois, diante de um quase imortal, "ao nível" de Paulo Coelho.

Seguem-se alguns comentários por email do Rei da Indonésia, mostrando toda a sua capacidade de diálogo, imparcialidade e genialidade:

"Que vergonha, não ? Ninguem concorda com voce. Ninguém ! Faz bastante sentido que no seu perfil esteja escrito “separado, desquitado e divorciado ”... É LÓGICO, não é não ? Criticar sem responsabilidade e sem nenhum respeito parece ser uma conduta normal de sua parte. Pelo menos agora o senhor conseguiu “notoriedade”. Aproveite bem a “fama”, para atrair as ruivas. DJ Meme ( Marcello Mansur )"

Em vez de responder com argumentos lógicos, Meme foi "pesquisar" sobre o autor da matéria, e comenta seu estado civil, preferências femininas e outros assuntos decerto impertinentes a sua alçada. Insisti no diálogo:
“...Caso queira conversar sobre produção musical, creio que teríamos assunto, controverso, discordante, mas um bom assunto não demanda concordância em todos os sentidos, não acha?"
Mas ele não quer papo:

"Nao...não acho nada ! O senhor não merece e nem parece ter alguma razão após aquele texto estapafúrdio e delirante. E por outro lado, pensando bem, não faria sentido voce travar uma “conversa sobre produção musical” com alguem da raça que o senhor tanto desdenha...a menos que dentro de sua “discutível razão”, eu seja uma excessão (sic) , o que faria com que o senhor tenha menos razão ainda no que escreveu. Voce pegou pesadíssimo e ofensivamente por pura deliberação no que diz respeito a opinar sobre a profissao a qual (sic) faço parte e ajudei a fazer crescer e ser bem compreendida no Brasil. Voce nao teve respeito algum ao falar sobre NÓS. Sim...NÓS. Sou um DJ, apesar de ter produzido COM SUCESSO varios discos de artistas nacionais de talento inquestionavel, que pelo sucesso absoluto que obtiveram, nao dependem de critica ou duvidas, e portanto estou 100% incluído na “raça” a qual voce se refere como “espécime que brotou de fungos bolorentos” e outras ofensas mais , por isso procurei palavras ofensivas a voce tambem, mesmo nao sendo essa a minha natureza. Vejo que sabes falar beeeeeem mais macio, quando lhe convém...sendo assim, sugiro uma retratação geral com todos, se houver alguma gota de sensatez nessa cabeça branca...mas...isso obviamente fica por sua conta, se é que já nao lhe passou tal idéia pela mente. O senhor já é bem crescidinho e dono de suas decisões. M"

Ele não quer conversar, quer a "retratação". Continua comentando sobre a cor do cabelo do autor. Enviei mais um texto elucidativo sobre as origens da Música Eletrônica, e veio a resposta:

"O senhor colocou-se a disposição para receber comentarios, e por isso escrevi. Por favor, nao escreva mais para esse email. M"

Falou e disse. Esta é a posição do "top dos tops dos DJs" do país. Durma-se com um barulho desses...




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Sobre o autor

Saulo Eduardo Fernandes Wanderley

Formado em Jornalismo (Cásper Líbero) e Composição & Regência (UNICAMP), atua nas duas áreas com sua microempresa PAUTA Arte & Comunicação Ltda. desde 1989.


Foi membro fundador do Núcleo Música Nova de Sâo Paulo em 1976, que teve por objetivo divulgar a música de vanguarda. Participou do grupo oTaoDoMinf, ganhando o Prêmio Sérgio Motta de Música & Tecnologia em 2007.



Na foto, a gata Iasmim, especializada em caçar ratos de balada, que violam a Lei 9.610, sobre Direitos Autorais, Conexos e Morais, que os tais de DJs (sigla que identifica os Déjà Vu da Música Eletrônica), roubando a propriedade intelectual alheia, na falta de cérebro.





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