5 videogames que me fizeram amar Administração desde cedo

Muito além de divertir, jogos eletrônicos ensinam e estimulam habilidades mesmo sem o jogador perceber. Eis aqui 5 jogos que acenderam minha paixão por administração desde cedo.

Reprodução/ Microsoft/ Age of Empires II
WOLOLO: Age of Empires, 20 milhões de cópias vendidas e o monge mais odiado da história.

Assim como Política, Administração é o tipo de área do conhecimento que consegue estar em absolutamente tudo, mesmo que não seja percebida. Obviamente você sabe disso melhor que eu. Mas, quando pequeno, viciado em jogos de gestão e administração (enquanto todo mundo só queria saber de jogos de luta e corrida), eu não fazia ideia de que aquilo que eu jogava naturalmente me direcionaria a amar tanto essa área como hoje.

Depois de mais de duas décadas de jogatinas em diversas plataformas, dou uma olhadela para trás e seleciono o TOP 5 de jogos que mais me influenciaram nos estudos de administração até hoje - com um bônus no final! Fica comigo até o fim e bora lá!

1. AGE OF EMPIRES III - 2005

Claro, o maior clássico de estratégia em tempo real da Microsoft tinha que abrir esse top 5. Dispondo de toneladas de textos e imagens sobre civilizações reais, suas unidades econômicas/militares únicas e seus feitos pela humanidade, a série Age of Empires sempre foi uma fonte rica de História que te faz aprender muito enquanto joga. Nela, você é um governador de uma civilização específica - que tal jogar com os persas e seus irritantes elefantes de cerco? ou os ingleses e seus arqueiros de alcance absurdo?! - e deve lidar com várias camadas de gerenciamento e logística como extração e estocagem de recursos, habitação para seus trabalhadores, treinamento e organização de contingente militar, expansão estrutural por meio de construção de melhorias para a sua base principal e claro, exploração e controle geográfico para uma dominação garantida!

Por mais que Age II tenha sido o jogo que mais se eternizou no imaginário dos oldschoolers de estratégia em tempo real, deixo aqui destacado o Age of Empires III pelas várias adições interessantes que o jogo trouxe à franquia. Como as rotas comerciais: de três a cinco pontos estratégicos interligados no mapa onde circulam mercantes que geram materiais e riquezas para o governador que controlar a rota - e pela primeira vez a influência do gênero RPG na série, fazendo você coletar XP para destravar cartas e montar “baralhos” de melhorias específicas para a sua civilização. Caiu num mapa lotado de água? É só carregar seu baralho com forças marítimas e se preparar. Deserto inóspito com recursos escassos? Saque seu baralho com melhorias de produção, materiais bônus e fábricas para passar por esse perrengue. Certamente essas novidades trouxeram novos níveis de complexidade e mais possibilidades para os estrategistas mais sagazes.

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2. ROLLERCOASTER TYCOON - 1999

Só de escrever esse nome uma torrente de lembranças nostálgicas embaladas a terna trilha sonora de um carrossel arcaico inunda meu cérebro. É virtualmente impossível ser um jogador de computador nascido nos anos 90 e não ter jogado esse clássico de gerenciamento de parques de diversão. Rollercoaster Tycoon povoa o imaginário de uma legião de crianças que chegava da escola para investir dezenas de horas semanais na construção ultrapersonalizada de parques temáticos e sua infinidade de atrações e brinquedos.

Por trás de animações simpáticas, jogabilidade simples e uma direção de arte extremamente cativante está um poderosíssimo simulador de gerenciamento de estabelecimento comercial com muita, muita complexidade envolvida. O gerente de cada parque tem - ou teoriamente deveria ter… heh - total controle para expandir, melhorar e administrar seu parque, desde a construção manual peça por peça de montanhas russas até a seleção de rotas otimizadas para seus funcionários. Lidar com pesquisas que trazem novos brinquedos, campanhas de marketing para trazer novos clientes, resolver necessidades básicas como banheiros, caminhos simples e limpos, áreas arborizadas bem tratadas, cenários decorados e filas suportáveis e, claro, se aproveitar dos visitantes de bolsos cheios com inúmeras lojas e brinquedos mais refinados - e consequentemente caros - também estão na lista de obrigações de um gerente competente.

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Destaque para a desfaçatez da ATARI que só fez captar o menu principal de jogo e chamou de trailer. Parabéns, ATARI. Taí um feito que poucos conseguem.  

3. CIVILIZATION V - 2010

AoE III foi meu jogo de estratégia preferido até a monstruosidade do Civilization V ser lançada em 2010. E monstruosidade não é um exagero deliberado como os outros que cometi nesse texto. Tudo em relação a esse jogo é monstruoso. Como os tempos de cada partida. Uma partida realmente demorada de Age of Empires se arrasta por oito horas de muita resistência militar e reviravoltas. Já uma partida de CIV V, facilmente ultrapassa uma semana, não sendo raro durar meses. Como o jogo se desenrola por turnos, cada jogada é pensada várias vezes e cada pequena decisão tem um impacto direto com o desenvolvimento da sua civilização, que precisa se alastrar pelo globo, dominando recursos de luxo para sua população - como especiarias, jóias e incenso - e materiais estratégicos para seu desenvolvimento científico e militar - carvão, petróleo e urânio, por exemplo - ao mesmo tempo que assegura pontos geográficos vantajosos que facilitam o trânsito de tropas aliadas e a visibilidade de movimentação inimiga.

Dizer que Civilization V lembra um jogo de tabuleiro é uma visão simplista. Mas se é pra usar essa alegoria, CIV V é como se houvessem vários jogos de tabuleiro distintos um em cima do outro, com suas várias engrenagens independentes funcionando paralelamente com os outros aspectos do jogo. Você não simplesmente cuida da economia de forma prática como em Age, você tem o controle de cada construção em cada cidade sua e como essa construção está gerando renda, como cada cidadão seu está produzindo e pra onde está indo a riqueza que ele gera. Você não simplesmente treina exércitos, você desenvolve as tecnologias necessárias para seu espadachim virar um gabaritado combatente tecnológico. Você não só amontoa barquinhos como em AoE III. Você claramente vê sua caravela turno a turno se transformar em um colossal porta aviões nuclear.

Tudo isso com doses cavalares de gerenciamento socioeconômico, diplomacia e espionagem, desenvolvimento científico, político e cultural e a cerejinha do bolo: imposição religiosa como ferramenta de dominação. Qualquer coisa é válida para construir a civilização que resistirá ao teste do tempo.

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4. THEME HOSPITAL - 1997

Ok, chega de falar de poder bélico e destruição da humanidade por holocausto nuclear e vamos falar de coisa boa. Vamos falar de DOENÇAS.

Me sinto meio estranho de ter sido o tipo de criança que via todo mundo na locadora jogando Street Fighter / Mortal Kombat e morria de tédio, mas gastava todas as minhas moedinhas num simulador de gerência hospitalar. Criança estranha ou não, o fato é que Theme Hospital é extremamente viciante pelo seu ritmo acelerado, seus gráficos amigáveis e principalmente por seu senso de humor latente. Mas sobre esse último falo mais tarde.

No jogo você é o diretor geral de um hospital e no início recebe só uma locação de paredes vazias, com a promessa de transformar aquele local em uma fábrica de curas (e dinheiro!). O jogador deve resolver todas as etapas para montar um estabelecimento funcional, colocar as salas de tratamento e mobiliá-las com seus equipamentos específicos, contratar clínicos gerais, médicas especialistas, enfermeiras, zeladores, recepcionistas e pra amarrar tudo isso precisa elaborar um processo de acompanhamento completo para cada paciente que chega, desde o seu diagnóstico, passando pelas salas de tratamento, até a sua cura - e a consequente abertura de carteira! Enquanto o paciente não é curado, o jogador pode investir seu tempo criando áreas de espera, salas para descanso da staff, centros de treinamento e formação para funcionários e salas para pesquisa de doenças e diagnósticos.

Mas a melhor parte de Theme Hospital está em como o jogo tem as doenças mais hilárias possíveis. Não estranhe ao ver um paciente com uma cabeça inchada cujo tratamento consiste em estourá-la como um balão de festa pra ser inflada novamente com uma câmara de ar. Ou vários pacientes que chegam com invisibilidade aguda que só se vê seus sapatinhos e bengala. Ou o meu preferido: o Elvismo. Uma epidemia psiquiátrica que faz vários pacientes chegarem no seu hospital com roupas coloridas e um topetão, tal qual o Rei do Rock ‘n Roll. Sério, quanto mais doenças você descobre no jogo, mais você ri das presepadas que os desenvolvedores criaram pra tornar a jogatina uma experiência divertida e instigante.

Mas não se deixe enganar pela carga humorística. Como qualquer jogo dos anos 90 que se preze, aqui o desafio é real e zerar esse game é uma tarefa apenas para os administradores mais intrépidos. Apenas imagine um acidente massivo de trânsito que faz seu hospital ser inundado de pacientes urgentes sem aviso prévio…

Jogos relacionados: Hospital Tycoon e o interessante Project Hospital, que promete ser um “sucessor espiritual” de Theme Hospital lançado ainda em 2018.

5. SIMCITY 4 - 2003

Se comecei a lista com um clássico, nada mais justo que finalizar com outro. A série SIM não poderia deixar de aparecer por aqui com seus históricos simuladores e a assinatura do gênio Will Wright. E dessa vez não é exagero, assim como o Sid Meier o Will é um gênio MESMO. Escolhi o SimCity 4 por ser o título mais maduro da franquia e por ter visto a luz do dia antes do drama do Will na Maxis, pouco antes de seu lançamento mais problemático.

No jogo - caso você tenha nutrido sua existência num bunker subterrâneo ou só não saque muito desse negócio de joguinhos - você é o novo prefeito de uma cidade em frangalhos que deve arregaçar as mangas e fazer tudo funcionar, em seus infinitos aspectos. SimCity é tão complicado e cheio de camadas que realmente não sei como se mantém tão divertido por tanto tempo. Você tem a obrigação de tratar de todos os aspectos de uma cidade como produção e distribuição elétrica, saneamento básico com tratamento de água e esgoto, controle de tráfego e criação de diversos meios de transporte público por terra, água ou ar, instituições de saúde e segurança pública, construção de parques, ornamentos decorativos e pontos de lazer como praças e quadras e pra conseguir fazer tudo isso funcionar, há a instauração de leis que causam impacto social e um controle tributário cirúrgico pra cidade não se esvair de verbas e estagnar.

Tão desafiador quanto divertido, SimCity 4 trouxe várias novidades na época (como a “integração” com The Sims e a ligação direta com outras cidades no mapa) que o tornaram meu preferido da série. Volta Will Wright :’( Nunca te pedi nada.

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E NÃO É SÓ ISSO!!!!

Prometi um bônus pra quem chegasse até aqui no texto e ele é a prova de que ótimos jogos de gerenciamento e administração não ficaram lá nos anos 90 e 2000. Conheça: FROSTPUNK!

FROSTPUNK - 2018

Lançado recentemente na Steam, FROSTPUNK, produzido pela 11bitstudios, tem uma pegada nova sobre jogos de gerenciamento e administração que eu ainda não tinha visto em todos esses anos de jogatina. Nele, você não é um governador, prefeito, diretor, imperador ou qualquer figura célebre; você é apenas um líder da última aldeia do planeta que foi tomado por uma geada global que cobriu continentes inteiros de neve. Sua missão é liderar a expansão da última cidade do mundo, sobrevivendo à castigante nevasca ao redor de geradores de carvão que emitem o mais precioso e vital recurso do jogo: o calor.

FROSTPUNK realmente chamou minha atenção trazendo ao gênero RTS aspectos de jogos survival, além de um interessantíssimo esquema de construção radial: você só pode construir em volta do gerador, o que faz o jogador criar camadas circulares de construções, como uma cebola urbana. Isso só amplifica o conceito de que o gerador de calor é o coração da cidade e de como o controle de temperatura é o principal fator do jogo. Como não joguei tanto - ainda! - não posso dissertar sobre o game tanto quanto falei dos anteriores, - os quais gastei dezenas/centenas de horas a fio - mas FROSTPUNK definitivamente é o tipo de jogo que interessa quem gosta dos outros citados nessa lista.

Mas e você? Tem um preferido nessa lista ou esqueci algum? (Esqueci propositalmente de CONSTRUCTOR - 1997, por motivos… Legais! heh) Adicionaria qual à lista e por qual motivo? Comente e vamos conversar sobre jogos! Todo administrador é meio nerd mesmo, né?

Até a próxima! 🐒

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