A Era da Sabedoria

A história sabiamente nos revela a trajetória da evolução humana, permitindo-nos fazer analogias com o que efetivamente acontece nos dias atuais. Foi o tempo em que as pessoas necessitavam de arco e flexa para sobreviverem. Metaforicamente o arco e a flexa são tomados pelo nosso emprego meramente como formas de sobrevivência. Em seguida vem a era do “agricultor,” cuja sobrevivência era pautada na terra fértil, nas sementes e nas ferramentas. Assistimos ao processo da plantação de pequenas sementes, quando era necessário regá-las para crescer e colher. Em meio à mágica da plantação, ervas daninhas também se multiplicaram, porém essa fase se expandiu produtivamente, e, então, as pessoas descobriram novo método de sobrevivência. Nesse contexto, os caçadores, que não se transformaram em agricultores, perderam o emprego, prática que se repete na atualidade.
Passam-s gerações e aos poucos surge a Era Industrial como forma de aprimorar os métodos manuais até então praticados. As máquinas vieram para aumentar a produção numa linha de montagem eficiente e muito superior àquela realizada pela agricultura familiar. A partir daquele momento, foi necessário que as pessoas se adequassem às novas tecnologias mudando seu modo de pensar e de agir, adaptando-se à nova metodologia que ia da simples agricultura à “agricultura industrial”. Quem não se adaptou, acabou perdendo o emprego ou simplemente continuou plantando somente para a própria sobrevivência – como ocorre com grande parte das pessoas que na atualidade se acomodaram e aceitam viver com o básico.
O crescente desenvolvimento da era industrial foi tão notável, que aos poucos veio se transformando na Era do Conhecimento, a qual propiciou alavancar o desenvolvimento do potencial humano, do crescimento das organizações, da melhoria da qualidade de vida e do crescimento da humanidade como um todo. E é nesse contexto que devemos parar para refletir sobre o marco da nova trajetória da história da sociedade: Em meio às turbulências geradas pela competitividade acirrada, mais uma vez a humanidade se vê perdendo postos de trabalho, não somente pela ameaça do desenvolvimento tecnológico propriamente dito, mas também e muito mais pela pouca disposição mental de as pessoas enfrentarem e se prepararem para o novo.
Essa prática nos remete a tempos remotos em que nos transformamos em meros caçadores ou coletores de alimentos, cada dia transformando-se numa luta, numa batalha, numa guerra sem fim e isso é tudo o que vemos ou que fazemos para sobreviver.
E é do fundo desse turbilhão de conflitos que emerge a Era da Sabedoria que, ao contrário das anteriores, vem vindo lentamente, fruto do nosso despertar; vem emergindo de dentro de cada um de nós. É isso mesmo, a era da sabedoria é psicológica, é invisível. Ela faz com que as pessoas tenham atitude mental, capacidade de escolha e de dirigir a própria vida, estimulando-lhes o senso de possibilidade e de potencial, ampliando os horizontes em relação à capacidade de descobrir a verdadeira vocação frente às várias oportunidades que o mundo lhes oferece. O segredo da Era da sabedoria consiste em descobrir o próprio talento e fazer aquilo que realmente lhe causa prazer. O segredo é sair da zona de conforto e de comodismo e conquistar a autonomia dirigida; o segredo é criar seu foco e com ele a descoberta de caminhos.
A era da sabedoria não deixa ninguém temeroso de que venha a perder o emprego; ao contrário, ela faz com que a pessoa não desperdice energia com algo sobre o qual nada pode ser feito. Nessa era, é bom evitar reclamações, críticas ou atitudes negativas, pois ela exige visão, um padrão a ser atingido ou o aprimoramento de algo. Exige disciplina no pensar e no realizar. Para que isso aconteça, é preciso decidir dentre o que é mais importante na vida e o que é supérfluo; quais os valores vitais mais altos; que tipo de serviços se deseja prestar à comunidade; de como fazer a diferença no trabalho, enfim qual é o planejamento ideal pessoal.
Pegue um papel e comece escrevendo o foco de interesse e as etapas de execução. Não parece, mas a escrita funciona como a impressora do nosso cérebro e quando menos percebermos, teremos traçado o planejamento da era da sabedoria que significa o autocohecimento, enquanto “ser”.
Para Johan Goethe , o autoconhecimento mais bem se aprende, não pela contemplação, mas pela ação. Procure cumprir o dever e logo descobrirá do que você é feito.

*Maria Bernadete Pupo é consultora e gerente de RH do Centro Universitário FIEO e professora universitária da FAC-FITO, ambas em Osasco (SP), e autora do livro “Empregabilidade acima dos 40 anos” (ed. Expressão & Arte). Contato: mbpupo@terra.com.br
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