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Administração: ciência, técnica ou arte?

Rubens Fava,
Hoje existem muitos “administradores” que não têm a menor idéia do que vem a ser Administração.

Tratam-na como uma mera profissão sem se conscientizar de que é uma ciência, que deve ser estudada e respeitada como todas as demais.

Lêem algumas obras, muitas de excelente qualidade, sem dúvida, mas esquecem-se de que, para compreender melhor a Administração, é preciso conhecer as diversas teorias que a transformaram em uma ciência complexa e fascinante.

O número de lançamentos de livros na área de administração realmente é assustador!

Isso faz da Administração uma ciência viva, em pleno desenvolvimento. Hoje, de cada dez novos lançamentos de livros técnicos, pelo menos cinco são ligados a áreas da Administração.

O grande problema é essa dúvida que existe em relação à administração.

Afinal, trata-se de uma ciência, de uma técnica ou de uma arte?

Existem muitos enfoques sobre a administração quando diferentes autores a classificam como ciência, outros como técnica e até mesmo como uma arte.

De qualquer forma, para dirimir esta dúvida é preciso definir bem o que vem a ser ciência, técnica e arte.

Ciência significa conhecer, compreender, enfim, explicar a realidade. Ela não cria objetos e coisas.

O objeto da ciência é algo real, algo que existe.

A ciência procura conhecer e explicar algo que já existe, busca o conhecimento e a explicação das coisas.

A técnica tem como objetivo principal a operação ou... podemos dizer, a manipulação da realidade.

Técnica significa, através de normas e procedimentos, transformar a realidade de um objeto ou coisa, neste sentido, podemos dizer que a técnica é uma complementação da ciência.

Logo, a ciência explica as coisas através de hipóteses, leis e teorias, e a técnica não explica nada, apenas transforma coisas e objetos de acordo com a necessidade.

Por fim a arte que não explica e nem procura transformar coisas e objetos. Ela apenas procura captar uma realidade.

A arte depende, quase que exclusivamente, do ponto de vista do indivíduo, depende até do estado de espírito da pessoa no momento em que está captando essa realidade.

É o mesmo que dizer que a atitude de um gerente depende de seu humor.
Como disse o grande Michelangelo: a arte não é matemática, não é engenharia, e eu complemento, não é administração, a arte é idéia, é inspiração.

Este é um assunto polêmico.

Entendo que, diante dos conceitos dos principais autores da administração, não podemos considerar a administração como uma arte, já que a administração não pode ficar à mercê de interpretações subjetivas e vivências espirituais, isto é, não pode ficar a mercê somente do talento e da aptidão artística, se assim podemos colocar, de um indivíduo.

É difícil imaginar como ficariam as empresas dependendo do talento e da capacidade artística de seus gerentes e diretores, afinal, assim como na música, na pintura e em outras artes, não é todo dia que podemos encontrar um grande artista.

Na minha modesta opinião, a administração é antes de tudo uma ciência que estuda as organizações a fim de compreender seu funcionamento, sua evolução e seu comportamento, e a técnica atua como um complemento dessa ciência tão maravilhosa e desafiadora.

Podemos comparar a administração, por tratar-se de uma ciência em formação, a um objeto que se vai formando em etapas sucessivas.

A administração, ao longo de sua história, foi buscar em outras ciências aquilo que considerava pertinente.

Por exemplo, a administração, no início do século, adotou tudo o que a engenharia podia lhe oferecer de bom.

Podemos dizer que foi o período da racionalização do trabalho, isso foi mais ou menos até 1920.

Após a Primeira Guerra Mundial, começaram a se destacar as ciências do comportamento, tais como a psicologia e a sociologia, onde a administração foi buscar, também, contribuições importantes para o seu desenvolvimento.

Recebeu influência da matemática, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, quando os métodos quantitativos foram muito difundidos.

E, finalmente, por volta dos anos 50, a administração começa a ser tratada como parte da teoria geral dos sistemas.

Assim, podermos constatar claramente os vários enfoques dados por estudiosos da administração, considerados em períodos bem definidos.

Percebe-se que, até a década de 80, o enfoque principal era nos recursos físicos, ou seja, buscava-se produzir mais e mais investindo-se em equipamentos e máquinas.

Após 1980, a ênfase foi nos processos de produção, constatou-se que investir apenas nos recursos físicos não era suficiente se os processos não fossem coerentes.

A reengenharia proposta por Michael Hammer e James Champy, que nada mais é do que um completo repensar dos processos de trabalho da empresa é o melhor exemplo desse enfoque.

A transformação da sociedade, a partir do século XX, tem sido extraordinária.

Passamos de uma sociedade, basicamente, agrária para uma sociedade dinâmica e industrial, onde a educação e a tecnologia passaram a ser prioridade.

Acontece que, muitos de nossos problemas decisivos não estão no mundo das coisas, mas no mundo das pessoas, ou seja, esses problemas não podem ser resolvidos apenas por habilidades técnicas e científicas, exigirão também habilidades humanas e sociais, uma vez que o maior fracasso do homem tem sido sua incapacidade para conseguir a cooperação e a compreensão das pessoas.

Hoje administrar emoções é, provavelmente, o maior desafio do administrador moderno ao formar equipes harmoniosas e produtivas, na concretização do lucro e da felicidade grupal.
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