HomePod, da Apple, começa perdendo no mercado de smart speakers

A Apple e seu ecossistema fechado podem encontrar dificuldades para assumir a dianteira

Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A guerra pela sua casa digital já eclodiu. A Apple finalmente decidiu acompanhar a Amazon, Google e Microsoft ao lançar um smart speaker com um assistente baseado em inteligência artificial controlado por voz. Embora o HomePod seja uma maravilha tecnológica, a Apple possivelmente já está perdendo a batalha.

A competição não se dá apenas no quesito de qualidade do produto, mas em todas as outras coisas que os usuários podem fazer com ele. Os pedidos mais comuns aos assistentes pessoais, como a própria Siri, da Apple, são tocar música, informar a previsão do tempo e ajustar alarmes ou lembretes.

Mas as capacidades desses assistentes estão aumentando à velocidade da luz. Não se trata apenas da sofisticação da inteligência artificial envolvida, mas também nas tecnologias que podem ser ligadas ao dispositivo. E dada a tendência da Apple de rejeitar conexões abertas aos sistemas de outras empresas, pode ser uma coisa bem difícil de dar certo.

O HomePod entrou agora em um mercado lotado. Provavelmente, o mais famoso smart speaker é o Amazon Echo, que roda o assistente de IA Alexa. A Amazon abriu seus sistemas para que outros desenvolvedores criassem softwares, e hoje a Alexa tem mais de 25 mil capacidades, ou "habilidades", apenas na versão norte-americana. Há apenas um ano atrás, eram cerca de 5 mil. Ela pode ler receitas, pedir uma pizza, ligar as luzes ou contar piadas. Em parte por ter sido o primeiro grande smart speaker lançado no mercado, o Echo tem um volume maior de capacidades do que os seus rivais.

O Google Home, que lançou seu assistente sob o sugestivo nome Google Assistant, pode ligar a múltiplas contas do Google para que você possa verificar seu calendário ou gerenciar lembretes. Mas também liga ao seu smartphone Android para que você faça chamadas por meio do speaker e permite que você veja numa tela os resultados de buscas na internet solicitadas por voz.

A Microsoft fechou parceria com a indústria de eletrônicos Harman Kardon para criar um speaker chamado Invoke, equipado com a assistente da Microsoft, Cortana. Também permite checar calendário e lembretes, bem como fazer chamadas pelo Skype, mas apenas para uma conta Microsoft. Essas capacidades de AI são quase tão desenvolvidas quanto as do Google Assistant ou Amazon Alexa.

A Apple está adotando uma abordagem diferente dos seus rivais, na expectativa de ocupar uma alta posição no mercado de smart speakers e encorajar os clientes a desembolsarem mais dinheiro, como fez, de maneira bem sucedida, com outros produtos. O HomePod entrega alta qualidade de som usando sete falantes dispostos em um círculo para criar um efeito estéreo, levando diferentes partes do som para diferentes direções.

Mas o HomePod não é, de fato, um smart speaker — ao menos, não ainda. A Siri ainda não pode entregar uma das três capacidades mais críticas, já que só consegue ajustar um temporizador por vez. Acima de tudo, ela tem bem menos habilidades do que a Alexa, Google Assistante ou mesmo Cortana, além de só funcionar com um número reduzido de alicativos de terceiros.

É fácil admitir que o poder financeiro e tecnológico da Apple permitirá que ela alcance as demais. No entanto, a maneira como o sistema subjacente opera pode tornar esse caminho um pouco mais difícil. O Google Assistant está disponível em dispositivos Android e iOS, bem como em Chromebooks e outros dispositivos, como headphones. A Cortana vem por padrão em computadores Windows, mas também está disponível para download em aparelhos Android e iOS.

Já a Alexa é acessível por meio de dispositivos externos, como alto-falantes (embora em uma extensão menor em relação ao Google Assistant ou Cortana) e logo estará disponível para alguns computadores com Windows. O falante mais básico Amazon Echo pode ser adquirido por menos de US$ 40, tornando-o significativamente mais baato do que o HomePod, de US$ 349. Isso significa que é bastante fácil para os clientes apostar no Echo ou mesmo posicionar vários dispositivos pela casaajudando a disseminar a tecnologia.

A Siri, por outro lado, não pode ser baixada em dispositivos que não sejam da Apple. Enquanto os rivais estão espalhando assistentes virtuais em cada canto das vidas dos consumidores, a Apple continua mantendo a sua limitada aos seus caros produtos. E qualquer fabricante que for autorizado a entrar no jardim murado da Apple precisa customizar seus produtos para se adaptarem à companhia, mas não pode adaptar para outras plataformas. A Apple precisaria mobilizar um número considerável de desenvolvedores para ampliar suas capacidades.

A competição por dispositivos controlados por voz apenas começou, e as casas inteligentes são o prenúncio da Inteligência Artificial nos nossos carros e escritórios. Cada competidor tem suas próprias vantagens: a Amazon pode entregar qualquer coisa. O Google já é conhecido por ser capaz de responder a qualquer questão e levar as pessoas de um ponto A para um ponto B. Os produtos da Microsoft podem ser encontrados basicamente em qualquer espaço de trabalho.

Enquanto essas empresas querem colocar suas assistentes em todos os lugares, a Apple aposta no amor pela qualidade do som. Mas conseguir as respostas certas é importante para os clientes — e, no momento, parece que a Siri sequer entende os questionamentos. Se a Apple continuar apegada ao seu ecossistema fechado, vai ser difícil voltar a vencer novamente.

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