Markets in Countdown - Postos de combustíveis

A tecnologia tem um potencial imenso em eliminar produtos tradicionais e seus mercados. Vamos analisar o impacto do veículo elétrico no segmento de postos de combustíveis.

Existe uma coisa inegável: O automóvel a combustão está com os dias contados.

Dentre os países que já oficializaram o fim do motor a combustão temos: A Noruega até 2025, A Alemanha até 2030, A Holanda até 2035, A França e o Reino Unido até 2040.

Dois grandes países com relevante participação no mercado mundial de automóveis e que também já anunciaram o fim do motor a combustão até 2030 são China e Índia.

No Brasil, já está tramitando no Senado um projeto (PLS 304/2017) que proíbe a venda de automóveis novos movidos a gasolina e diesel a partir de 2030.

A Alemanha, além de banir a venda de motores a combustão até 2030, vai proibir a circulação de qualquer tipo de veículo a combustão a partir de 2050 e ainda vai investir US$ 1,3 Bilhão em subsídios para compra de carros elétrios até 2019.

Se considerado somente os países que já manifestaram sua intenção de banir o motor a combustão já temos uma queda relevante na demanda por essa tecnologia, o que forçará outros países, especialmente os Estados Unidos, a romper de vez com a indústria do petróleo e a aderirem ao motor elétrico.

Um outro fator que irá acelerar a mudança para o motor elétrico é o compartilhamento: Veículos compartilhados serão uma realidade em um futuro muito próximo.

Mas, sem dúvida, um grande impulsionador dos veículos elétricos está no acordo da VW por conta do escândalo do DieselGate, na qual a empresa se comprometeu a investir US$ 2 bilhões na promoção de veículos de emissão zero nos Estados Unidos e que, segundo a própria empresa, tem o potencial de aumentar as vendas de unidades movidas a motores elétricos em 25%, o que representaria 2,5 milhões de unidades por ano ou quase 30 vezes o volume de unidades vendido pela Tesla.

aInda como consequência do escâncalo, a VW anunciou que até 2030 vai oferecer pelo menos uma opção 100% elétrica para todos os modelos do grupo, que envolvem as marcas Audi, Porsche, Bugatti, Bentley e Lamborghini e até 2025 serão lançados 80 modelos "verdes", sendo 50 totalmente elétricos e 30 híbridos. Para tal a VW disponibilizará 20 bilhões de Euros até 2030 para seguir o rumo da eletrificação em seus carros. 

Outros fabricantes seguem a mesma linha: A Mercedes pretente atinger a mesma meta que a VW, só que até 2022; A Volvo já afirmou que a partir de 2019 somente venderá carros elétricos ou hibridos; e a BMW prometeu que até 2025 terá 25 veículos "verdes", sendo 12 totalmente elétricos e a Peugeot estabeleceu que a partir de 2023, 80% de sua produção será de veículos elétricos ou hibridos.

O motor elétrico é mais simples e gera menos manutenção que o motor a combustão, o que representa uma melhoria importante no custo variável do veículo e um custo menor por quilômetro rodado, o que é um fator crítico de sucesso para o negócio de carros compartilhados.

Alguns analistas têm avaliado que a mudança para o carro elétrico está longe porque ainda não temos uma infraestrutura de postos para abastecer estes carros. Este artigo considera a visão de que carros elétricos continuarão a abastecer em postos incompatível com a ruptura que o veículo elétrico provoca no mercado.

O Primeiro argumento: As novas tecnologias, especialmente o grafeno. Baterias com maior durabilidade, maior autonomia e que carregam a uma velocidade muito maior que as baterias atuais permitirão à maioria absoluta dos usuários trafegar o dia inteiro sem abastecer o veículo.

O segundo argumento: A maioria dos usuários de veículos elétricos optará por abastecer seus carros em casa, em sua própria tomada, ao longo da noite, sem a necessidade de se deslocar até postos de combustíveis.

O terceiro argumento: Novas tecnologias de geração de energia, como o Tesla Home PowerWall, estarão acessíveis à maioria dos lares, o que reduzirá de forma significativa os custos de abastecimento dos veículos elétricos.

O quarto argumento: A inclusão nos veículos das tecnologias de geração de energia, como as tecnologias que aproveitam a energia das freadas, dos movimentos das rodas ou os próprios painéis solares, o que aumentará significativamente a autonomia dos veículos elétricos. Um veículo elétrico poderá ter sua bateria recarregada simplesmente sendo deixado sob o sol.

O quinto argumento: O custo por quilômetro rodado, que a depender do consumo do seu veículo será a metade do custo se comparado com o motor a combustão.

O abastecimento será necessário, se muito, somente para aqueles usuários que irão trafegar por distâncias excepcionalmente longas (Acima de 1000 Km).

O que poderia dar uma sobrevida aos postos, especialmente aos postos de estrada, está relacionado ao transporte de cargas e pessoas entre regiões, mas que também já se preparam para a transição para o motor elétrico. Neste cenário a Nikola Motors está bastante avançada com caminhões de 1000 HPs e autonomia próxima de 2.000 quilômetros ou a Proterra com seu ônibus elétrico Catalyst que percorre 1.700 Km com uma única carga em uma bateria de 660KW, que demora de 3 a 5 horas para carregar . A Tesla pretende apresentar seu caminhão puramente elétrico ainda em 2018, mas com autonomia “limitada” a 500 quilômetros.

Fora o combustível, a troca de fluidos do veículo é a principal razão para um proprietário de veículo ir a um posto de combustível. Porém esta necessidade também será drasticamente reduzida, especialmente por que o principal fluido, óleo lubrificante de motor, não será mais necessário e a direção hidráulica será convenientemente substituída pela direção elétrica, sobrando um volume mínimo de fluidos a serem trocados e ainda assim em períodos longos e, a depender da indústria, serão projetados para serem trocados pelo proprietário.

Neste cenário é inegável avaliar uma redução da utilidade dos postos de combustíveis para os usuários de automóveis. As razões pelo qual um usuário precisaria procurar um posto de combustível irão minguar com o veículo elétrico, tornando este negócio obsoleto.

Considerações finais

Existe uma oposição muito forte por conta do impacto ecológico gerado pelo veículo a combustão, e a população está aberta a trocar o veículo a combustão pelo veículo elétrico.

Como toda nova tecnologia, o veículo elétrico ainda é muito caro para ser massificado, mas a massificação acontecerá em breve (enquanto o automóvel a combustão demorou quase 50 anos para se popularizar, a expectativa é que o elétrico leve menos de 15 anos), impulsionada pela decisão dos países em proibir os veículos a combustão, o que aumentará a oferta de veículos elétricos.

A demanda será também impulsionada pelos benefícios oferecidos pelo veículo elétrico, especialmente a maior autonomia, a comodidade de abastecer em casa, o menor custo de manutenção e o menor custo por quilômetro rodado.

Conforme o processo de produção em massa (que já se iniciou) avance, os investimentos no motor a combustão serão reduzidos, levando aqueles usuários mais resistentes à mudança a optarem pela nova tecnologia.

A evolução na utilização do grafeno será outro fator a impulsionar a utilização de veículos elétricos, principalmente por conta do aumento d a autonomia e do aumento da eficiência destes veículos.

O aumento da demanda por energia elétrica (estima-se que até 2040 veículos elétricos devem aumentar a demanda em 2,7 TW/h à demanda global, mas esse valor representa apenas 8% de crescimento) irá gerar uma grande oportunidade para o mercado de geração de energia - seja através de grandes geradoras, seja através de unidades geradoras domésticas - especialmente a tecnologia solar, o que gera a expectativa de redução do custo por KW gerado e, reduzindo o custo do combustível para os veículos, reduz-se o custo do quilômetro rodado no veículo elétrico, tornando-o cada vez mais econômico e mais vantajoso quando comparado com o veículo a combustão.

A principal consequência da massificação dos veículos elétricos será a queda da demanda dos postos de combustíveis, o que tornará este segmento completamente obsoleto do médio para o longo prazo.

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