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Modelos de Gestão

Rafael de Carvalho,
Para compreender melhor o que é um Modelo de Gestão vamos entender a origem das palavras utilizadas na expressão, Modelo tem sua origem no latim Modulus que significa molde, forma, o termo já foi utilizado em diversas áreas, porem sempre seguindo o mesmo conceito de algo que deve ser seguido. Gerir é organizar os recursos financeiros, materiais e humanos de uma instituição através de técnicas adequadas. Então podemos dizer que Modelo de Gestão é o gerir através de um exemplo já existente realizando apenas as modificações necessárias para a necessidade de cada organização.

Uma boa gestão vem cada vez mais se tornando um fator de sucesso para as organizações, já que a grande maioria delas além de visarem os lucros buscam uma forma cada mais mais eficiente de redução de custos, e caso os objetivos não sejam alcançados os responsáveis pela gestão é que serão cobrados, por isso é fundamental que os gestores consigam manter as informações das diversas áreas da empresa integradas evitando assim a necessidade de uma gestão por improvisos.

A gestão deve ser feita de forma que o administrador, através dos recursos que forem disponibilizados, faça com que a empresa alcance seus objetivos e atenda as necessidades de seus clientes internos e externos.

Com uma maior busca pelos produtos e serviços seguros e a entrada de novas tecnologias na produção de muitas organizações, pareceu necessário alterar a forma de gestão, e esta evolução perpassa por algumas etapas que estão ligadas a alguns “níveis de complexidade”.

O primeiro Nível de Complexidade é o Foco no produto, em que as empresas estavam com seus esforços direcionados ao produto, não se preocupando com a questão da qualidade. Nota-se que existiam pessoas qualificadas, porém não se encontravam nos locais apropriados para a realização das tarefas de inspeção, foi então que o executivo e engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor designou profissionais para ficarem na responsabilidade do controle de qualidade, com isto o aumento de produção foi significativo e muitas organizações seguiram o mesmo modelo. Vale ressaltar que ainda se perdia muito em questão de informações que poderiam ser utilizadas para melhorar o processo, pois as peças defeituosas eram simplesmente descartadas, sendo ignorado o motivo das falhas e evitando assim a possibilidade de um estudo com a finalidade de se diminuir cada vez mais estes problemas;

O segundo Nível de Complexidade trata do Foco no processo, ou seja, o crescimento da produção fez com que o método de controle da qualidade adotado por Taylor se tornasse obsoleto e caro. Walter Shewhart utilizou como ferramenta a estatística para detectar as falhas na produção e chegar assim às possíveis causas,
visando reduzi-las e até mesmo eliminá-las. Este método buscou nos fornecedores e matérias-primas as causas da perda de qualidade dos produtos, e assim se conseguia ter uma boa visão do que realmente estava acontecendo na cadeia produtiva, de forma a buscar a melhoria dos processos considerados falhos. Este
tipo de controle mostrou-se mais eficiente do que a proposta por Taylor

O terceiro Nível de complexidade, Foco no sistema, foi discutido analisando que durante a Segunda Grande Guerra a prioridade de produção era de materiais bélicos. Os trabalhadores estavam realizando constantemente horas extra, com isto muitos produtos não utilizados nos combates deixaram de ser produzidos, e a população pode ter sua capacidade de compra aumentada já que ganhava produzindo para a guerra e não tinham o que comprar. Com o fim dos combates, as empresas precisavam suprir as necessidades e com isto começaram uma fabricação acelerada de produtos, e que, na maioria das vezes, apresentavam-se com má qualidade. Com a entrada de empresas de pequeno porte no mercado que buscavam competir com grandes fornecedores, a fabricação se tornou ainda mais carente de qualidade, gerando assim uma grande “onda de insatisfação” por parte do cliente além do retrabalho de muitas empresas para solucionar problemas de produtos de má qualidade. Isto fez surgir os primeiros processos de controle da qualidade, visando minimizar os custos com retrabalho e o índice de insatisfação, com a adoção do controle da qualidade, o produto deveria ser inspecionado desde o início de sua fabricação até o pós venda.

O quarto nível de complexidade, Foco no negócio, muitas empresas buscaram estratégias para manter seus clientes, a busca pela constante melhoria na qualidade dos produtos é um ponto forte de empresas que buscam competitividade no mercado, pois a qualidade tem que vir desde o início do processo da produção.

A inclusão do “ciclo PDCA” foi de grande auxílio na gestão, e seu relacionamento com o MEG (Modelo de Excelência de Gestão) pode ter garantido uma importante ajuda para o processo de melhoria continua.

O ciclo PDCA e o MEG estão relacionados de forma que a etapa de planejamento (P) está ligado a Cliente que é onde a organização deve focar os esforços para a manutenção dos mesmos e alcançar suas necessidades, a Sociedade que também devem ter suas necessidades atendidas de acordo com a legislação e de forma ética, tanto com as pessoas como o meio ambiente, a Liderança busca de forma analítica a melhoria dos processos e toma atitudes quando necessário para que estes processos sejam seguidos de forma a garantir a excelência da empresa e Estratégias e Planos que são realizados pelos líderes fazendo com que a organização busque uma maior competitividade. A etapa de execução (D) refere-se a pessoas que devem ser motivadas a realizar as tarefas que consolidem um ambiente de excelência e processos, que são utilizados para definir bem as políticas de fidelização de clientes e controle de fornecedores. Na etapa de controle (C) estão os Resultados, que são obtidos através de pesquisas internas e externas de mercado, avaliações financeiras e políticas entre outras, enquanto a ultima etapa do ciclo que se refere à Ação (A) e se liga com as Informações e Conhecimentos que são utilizados novamente na organização em busca de melhorias nos processos.

Através da adoção do Ciclo PDCA e do Modelo de Excelência na Gestão as empresas podem ter garantido uma importante ajuda no Processo de Melhoria Continua. Para isto seria necessário uma ferramenta capaz de analisar os dados coletados e através de análises detalhadas evitar que problemas que aconteceram fossem reincidentes. Por outro lado existem as atitudes de prevenção, que ao contrário das atitudes de correção buscam evitar que um problema volte a acontecer, já prevenção busca evitar que ele aconteça uma primeira vez. Todas estas ações estão relacionadas com que está acontecendo ou que vai acontecer na organização, por isso a importância em se manter o controle da gestão e das informações para adotar uma atitude preditiva, ou seja, a empresa com as informações corretas consegue antever o que está para acontecer e assim toma decisões que evitem fatos não esperados.

Referências:

CERQUEIRA, Jorge Pedreira de. Sistemas de Gestão Integrados: ISO 9001, NBR 16001, OHSAS 18001, SA 8000: Conceitos e Aplicações. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2006.

CASTRO, Maria Cristina Drumond e. Notas de aula. Faculdade Estácio de Sá de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 2008.

FERREIRA, Victor Cláudio Paradela; CARDOSO, Antonio Semeraro Rito; CORRÊA, Carlos José; FRANÇA, Célio Francisco. Modelos de gestão. Série Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: FGV, 2005.

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Tags: ciclo de em exelencia gestao meg melhoria modelo pdca