O pragmatismo de Jeff Bezos

Um olhar sobre uma das características pessoais de Jeff Bezos, que se reflete em suas atitudes e na trajetória da Amazon.

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A Amazon segue sendo, ano após ano, uma das empresas mais disruptivas e inovadoras do mundo. Isso ocorre, na maior parte do tempo, sem o mesmo hype tão tradicionalmente provocado por outras gigantes da tecnologia como Google e Apple, por exemplo. Parte desse fenômeno se deve à personalidade de seu fundador e CEO, Jeff Bezos.

Quem me conhece sabe que considero Bezos um dos empresários mais visionários de nossa época e que, frequentemente, o utilizo como referência em textos, palestras, aulas e papos.

Uma de suas características que mais me chama a atenção é a visão de longo prazo. Ela se reflete em todas as estratégias da empresa, seja quando a Amazon coloca um absoluto foco no cliente, quando seus resultados desagradam um mercado sempre ávido por lucros e resultados trimestrais ou quando se reinventa para atuar em mercados nos quais não atuava.

O surpreendente é que esse pragmatismo sempre foi característico de Bezos. Um bom exemplo está no processo analítico que levou a criação da Amazon. Há um bate-papo com o empresário no Amazon Web Services de 2012 (o vídeo está disponível no YouTube, procura lá por “Fireside Chat with Jeff Bezos & Werner Vogels") em que ele conta um pouco do seu processo até a criação do modelo de negócios da Amazon. Aliás, Peter Diamandis também cita essa entrevista em seu livro Bold.

O insight inicial que resultaria na maior varejista do mundo ocorreu na primavera de 1994, quando Bezos descobriu que a internet vinha crescendo 2.300% ao ano. Para ele, as coisas não cresciam tão rápido assim e a pergunta posterior deveria ser: qual modelo de negócios poderia fazer sentido nesse contexto de crescimento?

É na entrevista que citei logo acima que os desdobramentos desse insight inicial são um pouco mais explorados. Em uma de suas respostas, Jeff Bezos diz que as pessoas normalmente perguntam sobre "o que mudará nos próximos 10 anos", porém quase nunca perguntam “o que não mudará nos próximos 10 anos?”. Para o empresário, a segunda questão é a mais importante das duas, pois permite a criação de estratégias de negócios em torno de coisas mais estáveis ao longo do tempo. Segundo Bezos, no negócio de varejo é possível saber que os clientes continuarão querendo preços baixos ao longo do tempo. É possível saber que continuarão querendo entregas rápidas daqui a 10 anos. Também é possível saber que, no futuro, os clientes vão continuar preferindo uma vasta seleção de opções de compra. É improvável que um cliente apareça daqui a 10 anos, dizendo: “Jeff, adoro a Amazon, só queria que os preços fossem mais altos” ou ainda “Adoro a Amazon, só queria que as entregas fossem um pouco mais lentas”. Foi assim, focando energia em aspectos fundamentais como esses, que continuarão fazendo sentido daqui a 10 anos, e aprimorando-os continuamente, que a Amazon começou e segue atuando até hoje.

Sacou? Em uma época na qual as pessoas ainda tateavam no escuro em busca de modelos de negócios viáveis na web, Jeff Bezos não só percebeu as potencialidades da rede, como foi extremamente pragmático na hora de criar sua empresa. Deu no que deu. Já disse isso em outro artigo, mas vale repetir: é sempre bom prestar atenção em Jeff Bezos.

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