O transporte Rodoviário no Brasil e suas principais características

Wagner Gonçalves,
Artigo Cientifico.
O transporte rodoviário no Brasil e suas principais características.
Autor:Wagner Gonçalves Crescêncio.
Rio Grande-RS
2009





1. Introdução



Para o sucesso das empresas é necessário que os seus (produtos ou mercadorias) estejam sempre à disposição do mercado consumidor. Para tanto, as empresas devem manter uma planejamento no que diz respeito ao transporte de seus produtos. De acordo com Nazário (2000), para que o produto seja competitivo, é indispensável um sistema de transporte eficiente, pois o custo de transporte é uma parcela considerável do valor deste produto.

Nesse sentido, é importante ressaltar que o transporte rodoviário apresenta a vantagem de retirar a mercadoria no local de produção ou origem e levar até o ponto de entrega, não dependendo assim de várias operações envolvendo carregamento e descarga. Por outro lado, é considerado o modal que tem o maior custo operacional, mas que se for planejado, pode agregar valor ao produto final. “O transporte rodoviário é um dos mais simples e eficientes dentro dos seus pares. Sua única exigência e existir rodovias.” (Rodrigues, 2003, p 51).

Essa atividade é fundamental para a logística, tomando por base que os outros modais (aéreo, marítimo, dutoviário e ferroviário) não conseguem por si só atenderem a demanda total de produtos a serem transportados.




2.Objetivos

2.1 Objetivo Geral

Ressaltar a influência do transporte rodoviário de cargas para as empresas brasileiras, levando em consideração o alto nível de setores que formam este tipo de modal.

2.2 Objetivos específicos

a) Identificar as principais características do Transporte Rodoviário;
b) Avaliar a influência dos custos sobre o valor do frete;
c) Verificar o nível de TI para este modal;

3. Metodologia

A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste estudo foi a pesquisa bibliográfica, baseada nos principais autores e suas publicações.

4. Justificativa

Pretende-se denotar a importância do planejamento do transporte rodoviário nas empresas brasileiras, principalmente no que se refere à gestão de custos, e o auxilio da Tecnologia da informação como forma de diminuir custo e tornar a empresa mais competitiva no mercado.


5. Referencial Teórico

Keedi (2003) ressalta que o transporte rodoviário não se atem,em hipótese alguma,a trajetos fixos,tendo a capacidade de transitar por qualquer lugar,apresentando uma flexibilidade impar,proporcionando assim uma vantagem competitiva perante os outros modais.

O objetivo central da logística é o de atingir um nível de serviço ao cliente pelo menor custo total possível buscando oferecer capacidades logísticas alternativas com ênfase na flexibilidade,agilidade,e no controle operacional e no compromisso de atingir um nível de desempenho com qualidade. Bowersox e Closs (2001),

Acrescenta Silva (2004), que o transporte rodoviário apresenta como uma de suas maiores vantagens à flexibilidade, pois é possível ter acesso a diferentes pontos, sem que haja uma infra-estrutura tão complexa como as de outros modais, assim como pode transportar diferentes tipos de carga.



5.1 Características do Transporte Rodoviário

Tipos de Veículos

‘‘O transporte de carga é exercido predominante com veículos
rodoviários denominados caminhões e carretas, sendo que ambos podem ter características especiais e tomarem outras denominações’’(Keedi, 2003 p 101).

De acordo com Rodrigues (2003), os veículos utilizados no transporte rodoviário são classificados por sua capacidade de carga, quantidade e distância entre eixos.

Caminhão plataforma: Transporte de contêineres e cargas de grande volume ou peso unitário

Caminhão baú: Sua carroceria possui uma estrutura semelhante a dos contêineres, que protegem das intempéries toda a carga transportada.

Caminhão caçamba: Transporte de cargas a granel, este veiculo descarrega suas mercadorias por gravidade, pela basculação da caçamba.

Caminhão aberto: Transporte de mercadorias não perecíveis e pequenos volumes. Em caso de chuva são cobertos com lonas encerados.

Caminhão refrigerado: Transporte de gêneros perecíveis. Semelhante ao caminhão baú, possui mecanismos próprios para a refrigeração e manutenção da temperatura no compartimento de carga.

Caminhão tanque: Sua carroceria é um reservatório dividido em tanques, destinado ao transporte de derivados de petróleo e outros líquidos a granel.

Caminhão graneleiro ou silo: Possui carroceria adequada para transporte de granéis sólidos. Descarregam por gravidade, através de portinholas que se abrem.

Caminhões especiais: Podem ser:

• Rebaixados e reforçados: Para o transporte de carga pesada: (carreta heavy);

• Possuir guindaste sobre a carroceria (munk);


• Cegonhas, projetadas para o transporte de automóveis;


• Semi-reboques: Carrocerias, de diversos tipos e tamanhos, sem propulsão própria, para acoplamento a caminhões-trator ou cavalo mecânico, formando os conjuntos articulados, conhecidos como carretas.

Conforme Keedi(2003), suas capacidades de transporte dependem de sua força de tração, tamanho, bem como quantidade de eixos. O peso do veículo em si é denominado de tara enquanto sua capacidade de carga é a sua lotação, no inglês payload,sendo que somados representam o peso bruto total do veículo.


5.2 Contêiner


Este tipo de equipamento é muito versátil, uma vez que podem ser desengatados e deixados em um terminal de carga, liberando o cavalo mecânico para prosseguir em outros serviços de transporte. A primeira noticia que se tem de utilização de um tipo de contêiner em transporte de carga vem da revista National Geographic,no ano de 1911,através de uma foto de seu içamento para bordo.A partir de 1950,foi iniciada a unitização da carga,com a paletização e a utilização de contêineres e empilhadeiras.Os resultados foram expressivos: menor custo de embalagem;maior rapidez nas operações de carregamento e descarga;menor número de avarias e extravio de carga.A partir do inicio da década de 70, o transporte de carga geral em contêineres passa a ser significativo nos países desenvolvidos.Silva (2004)


5.3 A Malha Rodoviária Brasileira

Afirma Rodrigues (2003), a malha federal, composta pelas rodovias conhecidas pelo prefixo BR, compreende:

a ) Radiais - Começam em Brasília,numeradas de 1 a 100.
b ) Longitudinais - Sentido Norte-Sul,numeradas de 101 a 200.
c ) Transversais – Sentido Leste-Oeste,numeradas de 201 a 300.
d ) Diagonais – Sentido diagonal,numeradas 301 a 400.
e ) De ligação – Unem as anteriores,numeradas de 401 a 500.


Ainda segundo a visão desse autor, dentre as rodovias federais consideradas de integração nacional, destacam-se as seguintes:

BR 101 – Cobre o litoral brasileiro desde a cidade de Osório (RS), passando por capitais litorâneas como Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Aracaju (SE), Maceió (AL), Recife (PE), e João Pessoa (PB), indo terminar em Natal (RN).
BR 116 – Começa em Jaguarão(RS),na fronteira com Uruguai e corre paralela à BR 101,um pouco mais ao interior,passando por Porto Alegre (RS) ,Curitiba (PR) ,São Paulo (SP),Rio de Janeiro (RJ), Minas Gerais(MG),Bahia(BA).

BR 153 – a única que atravessa as cinco micro regiões do país, através de sua parte central, iniciando na cidade de Acegua (RS), na fronteira com o Uruguai, cruzando o território dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Oeste de São Paulo e de Minas Gerais.


5.4 As transportadoras

Para Bowersox e Closs (2001) as transportadoras, como intermediarias, têm uma perspectiva um pouco diferente.

Ela tem como objetivo aumentar sua receita bruta mediante a transação, ao mesmo tempo minimizando os custos necessários para concluir a operação. A transportadora sempre cobra a taxa mais alta aceitável pelo embargador ou destinatário, e minimiza o custo de mão de obra,combustível e desgaste do veiculo necessário para movimentar a carga.(Bowersox e Closs ,2001 pag 281 )

5.5 Transportador Autônomo


Tratando-se de transportadores autônomos, a Lei n.7.290, de 19.12.1984, assim define tal atividade: considera-se transportador rodoviário autônomo de bens a pessoa física, proprietário ou co-proprietário de um só veículo, sem vinculo empregatício, devidamente cadastrado em órgão disciplinar competente, que com seu veículo, contrate serviço de transporte a frete de carga, em caráter eventual ou continuado, com a empresa de transporte rodoviário de bens, ou diretamente com o usuário desse serviço.



5.6 Atividade desenvolvida

Considera-se transporte nacional aquele em que o ponto de embarque e destino da mercadoria seja situado em território brasileiro, segundo o disposto na Lei n.6.288, de 11.12.1975.

Conforme mencionado na Lei n 6.813/75, a exploração do transporte rodoviário de cargas é privativo de transportadores autônomos brasileiros, ou equiparados a estes por lei ou convenção, e de pessoas jurídicas que atendam os seguintes requisitos:

a ) tenham sede no Brasil;
b) pelo menos 4/5 (quatro quintos) do capital spcial,com direito a voto,pertencentes a brasileiros;
c )direção e administração confiada exclusivamente a brasileiros;

A citada lei ainda dispõe que, havendo sócio estrangeiro, a pessoa jurídica será obrigatoriamente constituída sob a forma de sociedade anônima, sendo que o capital social será representado por ações normativas.

5.7 O transporte de carga no código civil

O novo Código civil disciplina o transporte de carga, destacando-se que o transportador poderá exigir que o remetente lhe entregue, devidamente assinado, a relação discriminada das coisas a serem transportadas. Caso ocorrer informações inexatas ou falsa descrição no documento, será o transportador indenizado pelo prejuízo que sofrer.

Outro aspecto a ser ressaltado está relacionado com as obrigações do transportador, ou seja, este conduzirá a carga ao seu destino, tomando todas as cautelas necessárias para mantê-la em bom estado e entregá-la no prazo ajustado ou previsto. A responsabilidade do transportador se limita ao valor constante do conhecimento e começa no momento em que ele, ou seus prepostos recebem a coisa e termina quando é entregue ao destinatário ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado.


5.8 Órgão Regulador

Cabe à ANTT (Agencia Nacional de Transportes Terrestres), atribuições especificas e pertinentes ao transporte rodoviário de cargas, promover estudos e levantamentos relativos à frota de caminhões, empresas constituídas e operadores autônomos, bem como organizar e manter um registro nacional de transportadores rodoviários de carga(RNTRC).

5.9 O Frete

O frete geralmente é negociado em forma de cotação. As transportadoras baseadas na distância e no custo operacional formam seus preços. O frete pode ser CIF ou FOB.

Afirma Bowersox e Closs (2001) que o temo FOB e a sigla de free on bord (carga livre de despesa a bordo), na prática significa que o frete e as responsabilidades da carga como seguro e riscos, são de titularidade do comprador ou destinatário.

Ainda segundo este autor já o termo frete CIF destino, a titularidade da carga não passa para o comprador até que a entrega seja feita. O remetente é responsável pelo frete e pela titularidade da carga até sua entrega.


5.2.1 Conhecimento de frete

Trata-se de um documento contendo diversos campos para preenchimento, em que se são mencionadas as características da carga embarcada, locais de embarque e desembarque, frete e forma de pagamento, remetente e destinatário. (KEEDY, 2003)

Segundo Bowersox e Closs (2001) o conhecimento de frete é o meio de faturamento dos serviços de transportes prestados. É preenchido com dados constantes do conhecimento de embarque. O conhecimento de frete pode ser pagável na origem ou no destino. “Esse documento tem função de contrato de transporte assim como recibo de carga e até mesmo um titulo de crédito”. (Silva, 2004 p 58).

6. A influência dos custos sobre o valor do transporte.
Custos Fixos

São todos os gastos que o Transporte Rodoviário tem para realizar suas operações, não está relacionado diretamente com a prestação de serviço, ou seja, gastos com (aluguel, manutenção, água e luz). Para os autores Lopes e Lopes (1995, p.127) custos fixos é “gasto que se opera sempre dentro das mesmas medidas, independentemente do volume da produção”.
Para Bowersox e Closs (2001) são custos que não se alteram a curto prazo e são incorridos ainda que a empresa deixe de operar.Esta categoria de custos não são afetados diretamente pela quantidade de carga movimentada pela transportadora.


6.1 Custos Variáveis

São gastos que ocorrem em função da prestação de serviço do transporte da carga, está diretamente ligado ao transporte da carga, ou seja, gastos com (combustível, manutenção, mão de obra e outros). Na visão dos autores Lopes e Lopes (1995, p.137) o conceito de custos variáveis é “custo que oscila de acordo com as quantidades produzidas”.

6.2 Ponto de equilíbrio

Representa a quantidade de cargas que a transportadora precisa carregar no mês para gerar uma receita suficiente para pagar todos os custos. Isso significa o ponto exato de equilíbrio, ou seja, não ter lucro nem prejuízo. De acordo com Junior (2000), a análise do ponto de equilíbrio é importante para a gestão financeira, pois possibilita determinar o nível de operações mínimo para a viabilidade do negócio, além de propiciar a avaliação da lucratividade decorrente do volume.

7. Tecnologia da informação

Segundo Nazário (2000), o avanço da tecnologia de informação (TI) nos últimos anos vem permitindo as empresas executar operações que antes eram imagináveis. Atualmente, existem vários exemplos de empresas que utilizam TI para obter redução de custos e/ou gerar vantagens competitivas.

Ainda segundo o mesmo autor, a internet,bem como outras tecnologias de informação,tem não apenas gerado necessidades específicas, mas também criado novas oportunidades para o planejamento, o controle e a operação das atividades de transporte. Entre essas necessidades e oportunidades, poderíamos citar a crescente demanda por entregas mais pulverizadas, o surgimento de portais de transporte e o potencial para rastreamento de veículos em tempo real.


“Ao contrário da maioria dos outros recursos, a velocidade da informação e a capacidade da tecnologia de informação estão aumentando e seu custo, diminuindo”. (Bowersox,2001 p191).

Acrescenta Silva (2003), devido às evoluções tecnológicas, nesta perspectiva de comércio global, a informação tornou-se uma potente ferramenta de gerencia e, principalmente, de fidelidade e transparência nas informações que fluem dentro de toda estrutura logística. Manter o cliente informado sobre a situação do pedido, rastrear as cargas ou contêineres, através de sistemas modernos de rastreamento tracking e programar de forma eficiente as entregas, são apenas alguns exemplos do poder da informação.

8. Conclusão

O presente trabalho buscou evidenciar as principais características do modal rodoviário e seus entraves, com o objetivo de auxiliar leitores, estudantes e profissionais interessados no tema.

Vale ressaltar que no Brasil a falta de condições nas rodovias e o fluxo desorganizado de veículos, contribuem de forma negativa para o desenvolvimento deste modal, tão importante para o desenvolvimento das empresas e ao mesmo tempo pouco valorizado pelas entidades governamentais.

9. Referencial Bibliográfico

ANTT. Associação Nacional de transporte e tráfego. RNTRC. Registro Nacional de transportadores rodoviários de cargas. Disponível em: <htpp: //www.antt.gov.br>. Acessado em: 26/05/09.

BOWERSOX, Donald J. Logística empresarial: o progresso de integração da cadeia de suprimentos. São Paulo: Atlas, 2001,

JUNIOR, José Barbosa da Silva. Custos: Ferramentas de gestão. São Paulo: Atlas, 2000.

KEEDY, Samir. Transportes, inutilizarão e seguros internacionais, 2.ed;São Paulo:Aduaneira,2003.

NAZÁRIO, Paulo. Logística empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2000.

RODRIGUES, Paulo Roberto Ambrosio. Introdução ao sistema de transporte no Brasil e a logística internacional. São Paulo: Aduaneiras, 2003.

SÁ, L. M. Ana e Sá, L. Antônio. Dicionário de contabilidade. 9° edição, São Paulo: Atlas, 1995.

SILVA, Luiz Augusto Tagliacollo.Logística no comércio exterior.São Paulo:Aduaneiras,2004.


















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