Robotização no setor público, quem vai ser feliz?

A integração dos sistemas informatizados e a robotização de tarefas repetitivas pode contribuir muito para reduzir custos relacionados a mão-de-obra e diminuir a burocracia governamental

Pesquisa da Ernst & Young publicada no Correio Brasiliense On Line em 27/01/2017 anunciava que: "até 2025, um em cada três postos de trabalho operacionais serão substituídos por tecnologia inteligente". Para uma realidade país, de altos níveis de desemprego certamente não era uma notícia a ser comemorada, mas para Fabio Rua, Diretor de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios da IBM América Latina "Sociedades e governos maduros encaram o mundo digital de frente e usam a tecnologia para aumentar a produtividade e, em consequência, gerar novos e melhores empregos".

Passado um ano, o recém-inaugurado Governo Bolsonaro tenta desenvolver ações que resgatem postos de trabalho, mas a tarefa é árdua, pois passa pela implantação de projetos difíceis como a Reforma da Previdência e também do Estado Brasileiro, aí somados Municípios, Estados e União, uma vez que praticamente todos enfrentam a difícil situação de gerar caixa para cobrir uma inflacionada folha de pagamento e seus derivados.

No sentido de reduzir custos relacionados a mão-de-obra necessária para executar os trabalhos da burocracia governamental, a integração dos sistemas informatizados e a robotização de tarefas repetitivas pode contribuir muito, e os governos podem se beneficiar desses avanços tecnológicos para cortar esses gastos desnecessários e investir na geração de empregos de qualidade, cuja base é a educação. Num primeiro momento serão gerados mais desempregos sim, porque não resta dúvida de que muitas tarefas atualmente executadas por servidores podem ser transferidas para os computadores ou robôs ou simplesmente eliminadas; e por robôs não se veja aqui aquelas maquinas gigantes das industrias automotivas, ou os personagens estranhos da ficção científica, mas sim programas de computadores que através de redes capturam e transportam dados de um formulário eletrônico para outro até um banco de dados, com maior velocidade, precisão e num ritmo de trabalho impossível para os seres humanos.

É verdade que processos mal estruturados ou de baixo nível técnico e de produtividade não existem somente nos setores públicos, muitas empresas também os tem até em larga escala, mas diferentemente dos primeiros, quando estas últimas insistem em não se aperfeiçoar são retiradas do mercado pela concorrência, já as primeiras simplesmente realizam novos concursos, não é possível determinar se a resistência à modernização da gestão do setor público está nos Executivos Principais ou na massa de servidores, mas elas existem e são fortes, vez que a menor das preocupações na área tem sido a qualificação profissional e, muitas vezes, a aplicação do conhecimento aprendido.

O Governo Federal tem dado um bom exemplo com o SPED, principalmente em seu mais recente projeto de fiscalização eletrônica o eSocial, onde substitui os antigos auditores servidores por inteligência artificial que encapsula as milhares de leis trabalhistas, previdenciárias e tributárias relacionadas a mão-de-obra onerosa e recepciona, audita e arquiva as informações dos empregadores de todo o país, tornando finalmente, o cumprimento da lei uma obrigação, ainda que acessória.

O sistema já atingiu praticamente a todas as empresas privadas do país e a partir de julho de 2019 começa a chegar, em fase teste, aos órgãos públicos: União, Estados, Municípios, Autarquias, Fundações enfim, fechando o cerco e um ciclo sobre os maus cumpridores da lei. Muitos até apelidaram o sistema de máquina de arrecadação, e certamente o será até que toda a informalidade existente no setor seja retirada, mas é uma realidade e uma necessidade de um governo que se pretende gradativamente “Eficiente” conforme sempre determinou a Constituição Federal.

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