Sistemas de informação: adicionam valor e criam riqueza

A corporação que está surgindo agora está sendo projetada em torno da informação. A mentalidade predominantemente tradicional sempre entendeu empresa como uma entidade que compra barato e vende caro

Os quatro tipos de informações (básicas, sobre produtividade, sobre competência e sobre alocação de recursos) falam somente a respeito do estado atual da empresa. Elas proporcionam informações e direções táticas. Para a estratégia, necessita-se de informações organizadas a respeito do ambiente. A estratégia precisa ser baseada em informações a respeito de mercados, clientes e não-clientes, de tecnologia na própria indústria e em outras, finanças mundiais e das mudanças na economia mundial. É aí que estão os resultados. Dentro da organização existem somente centros de custos, e o único deles é um cliente cujo cheque não foi devolvido.


As grandes mudanças também se iniciam fora da organização. Um varejista pode saber muito a respeito das pessoas que compram em suas lojas. Entretanto, por mais bem-sucedido que seja, nenhum varejista possui mais que uma pequena fração do mercado entre seus clientes; a grande maioria é de não-clientes. É sempre entre estes que as mudanças básicas se iniciam e se tornam importantes.


No mínimo a metade das novas tecnologias que transformaram uma indústria nos últimos setenta anos veio de fora da mesma. O papel comercial, que revolucionou as finanças nos Estados Unidos, não se originou nos bancos. A biologia molecular e a engenharia genética não foram desenvolvidas pela indústria farmacêutica. Embora a grande maioria das empresas vá continuar operando local ou regionalmente, todas elas enfrentam, ao menos potencialmente, concorrência global de lugares dos quais elas nunca ouviram falar. É claro que nem todas as informações sobre o exterior estão disponíveis. Por exemplo, não há informações – nem mesmo pouco confiáveis – sobre as condições econômicas na maior parte da China ou sobre se as condições legais na maioria dos estados sucessores do império soviético, mesmo onde as informações estão disponíveis, muitas empresas se esqueceram delas. Muitas empresas americanas instalaram-se na Europa nos anos sessenta, sem nada perguntar a respeito da legislação trabalhista. As empresas europeias têm sido igualmente cegas e mal informadas em seus empreendimentos nos Estados Unidos. Uma causa importante do desastre com os investimentos imobiliários japoneses na Califórnia nos anos 1990 foi o desconhecimento de fatos elementares a respeito de zoneamento e impostos.


Uma séria causa de fracassos empresariais é a suposição comum de que as condições – impostos, legislação social, preferências do mercado, canais de distribuição, direitos de propriedade intelectual e muitas outras – devem ser aquilo que se pensa que são, ou ao menos o que se acha que deveriam ser. Um sistema de informações adequado precisa incluir informações que levem os executivos a questionar esta suposição. Elas devem levá-los a fazer as perguntas certas, não apenas lhes fornecer as informações que eles esperam. Isto pressupõe que os executivos sabem de quais informações necessitam e também que as obtenham regularmente. Finalmente, é preciso que eles integrem sistematicamente as informações às suas tomadas de decisões.


Algumas multinacionais – Unilever, Coca-Cola, Nestlé, as tradings japonesas e algumas grandes construtoras – têm se esforçado para construir sistemas que coletem e organizem informações externas. Mas a maioria das empresas ainda não iniciou essa tarefa.


Até as grandes empresas, em sua maioria, precisarão contratar terceiros para ajudá-las. A determinação daquilo de que a empresa necessita requer alguém que conheça e compreenda o campo altamente especializado da informação. Há informações demais e somente os especialistas sabem diferenciá-las. As fontes são totalmente diversas. As empresas podem gerar por si mesmas algumas das informações, por exemplo a respeito de clientes e não-clientes ou de tecnologias. A maior parte daquilo que elas necessitam saber do ambiente só pode ser obtida de fontes externas – de todos os tipos de bancos e serviços de dados, de publicações especializadas, de associações de classe, de relatórios do Banco Mundial e trabalhos científicos e de estudos especializados.


Outra razão pela qual há necessidade de auxílio externo é que as informações têm de ser organizadas de forma a questionar a estratégia da empresa. Não basta fornecer os dados. Estes devem ser integrados à estratégia, testar as hipóteses da empresa e questionar sua perspectiva atual. Isto pode ser feito através de um tipo especial de software. A base de dados Lexis fornece informações a advogados, mas só dá respostas, não formula perguntas. Mas são precisos serviços que façam sugestões específicas de como usar as informações, façam perguntas relativas à empresa e às práticas do usuário e permitam consultas interativas. Ou pode-se terceirizar o sistema de informações externas, em especial para as empresas menores, venha a ser um consultor independente.


Qualquer que seja a maneira pela qual a satisfizermos, a necessidade de informações sobre o ambiente onde podem surgir as maiores ameaças e oportunidades irá se tornar cada vez mais urgente.


Muitos podem alegar que poucas dessas necessidades de informações são novas, o que é, em grande parte, verdade. Conceitualmente, muitas das novas medições têm sido discutidas há muitos anos e em muitos lugares. O que é novo é a capacidade técnica de processamento de dados. Ela possibilita que se faça de forma rápida e econômica aquilo que, há alguns anos, teria sido um trabalho laborioso e muito dispendioso. Há noventa anos, os estudos de tempos e movimentos tornaram possível a contabilidade de custos tradicional. Agora os computadores tornaram possível a contabilidade de custos baseada em atividades, que sem eles seria praticamente impossível.


Porém, o importante não são as ferramentas, mas os conceitos por trás delas. Eles convertem técnicas que eram consideradas distintas, para serem usadas isoladamente e para fins separados, num sistema de informações integrado. Este sistema torna possíveis diagnósticos, estratégias e decisões e da finalidade da informação: como uma medida na qual se baseiam as ações futuras, ao invés de um registro daquilo que já aconteceu.


A organização de comando-e-controle que surgiu em 1870 pode ser comparada a um organismo mantido unido por sua concha. A corporação que está surgindo agora está sendo projetada em torno de um esqueleto: a informação. A mentalidade predominantemente tradicional – mesmo que se usem sofisticadas técnicas matemáticas e um impenetrável jargão sociológico – sempre entendeu empresa como uma entidade que compra barato e vende caro. A nova abordagem define empresa como a organização que adiciona valor e cria riqueza. Outras informações podem ser obtidas em http://www.administradores.com.br/producao-academica/administracao-antes-invisivel-hoje-afetando-pessoas-e-suas-vidas/7231  .

 

Mais em:

http://www.mtitecnologia.com.br/sistemas-de-informacao-adicionam-valor-e-criam-riqueza/  e

http://www.texs.com.br/Blog/Post/154 .

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