Tecnologia da informação: convertendo dados em informações

Cada vez mais os desafios não serão técnicos; ao contrário, eles estarão ligados à conversão de dados em informações utilizáveis

Os executivos tornaram-se conhecedores de computadores. Os mais jovens chegam a saber mais a respeito de como funciona o computador do que a respeito da mecânica do automóvel ou do telefone. Mas poucos entendem de informação. Eles sabem como obter dados, mas ainda precisam aprender a usá-los.


Poucos executivos sabem fazer perguntas do tipo: “De que informações necessito para fazer meu trabalho?”, “Quando preciso delas?”, “De que forma?”, “E de quem devo recebê-las?”, “Que antigas tarefas devo abandonar?”, “Que tarefas devo executar de forma diferente?”. Praticamente ninguém pergunta: “Que informações devo dar?”, “A quem?”, “Quando?”, “De que forma?”.


Uma base de dados, por maior que seja, não é informação. Ela é minério de informação. Para que a matéria-prima se transforme em informação, ela precisa ser organizada para uma tarefa, dirigida para desempenho específico, aplicada a uma decisão. Ela não pode fazer isso por si mesma, nem os especialistas em informação. Eles podem persuadir seus clientes, os usuários de dados, aconselhar, demonstrar, ensinar, mas não gerenciar os dados para os usuários, assim como um departamento de pessoal não pode assumir o gerenciamento das pessoas que trabalham com um executivo.


Os especialisas em informação são fabricantes de ferramentas. Os usuários destas, sejam eles executivos ou técnicos, têm de decidir quais informações usar, para que e como. Eles precisam se tornar conhecedores de informações. Este é o primeiro desafio enfrentado pelos usuários de informações, agora que os executivos passaram a conhecer computadores.


Mas a organização também precisa conhecer informações. Ela também precisa aprender a perguntar: “De que informações necessitamos na empresa?”, “Quando necessitamos delas?”, “Em que forma?”, “E onde obtê-las?”. Até agora essas perguntas estão sendo feitas pelos militares, e mesmo assim para decisões táticas do dia-a-dia. Nas empresas, essas perguntas têm sido feitas somente por algumas multinacionais, entre as quais a Unilever anglo-holandesa, em algumas empresas de petróleo (como a Shell) e as grandes trading companies japonesas.


No momento em que estas perguntas são feitas, torna-se claro que as informações de que uma empresa mais depende somente estão disponíveis numa forma primitiva e desorganizada, pois aquilo deque uma empresa mais necessita para suas decisões – em especial as estratégicas – são dados a respeito do que acontece fora dela. É para fora da empresa que estão os resultados, oportunidades e ameaças.


Até agora, os únicos dados do esterior que foram integrados aos sistemas de informações da maioria das empresas e aos seus processos de tomada de decisões são dados do dia-a-dia do mercado: o que os clientes existentes compram, onde e como. Poucas empresas têm tentado obter informações a respeito dos seus não-clientes, e muito menos integrar essas informações às suas bases de dados. Todavia, por mais poderosa que uma empresa seja em sua indústria ou em seu mercado, os não-clientes quase sempres são mais numerosos que os clientes.


As lojas de departamentos americanas tinham ma base de clientes muito grande, talvez trinta por cento do mercado de classe média, e possuíam muito mais informações a respeito dos seus clientes que qualquer outra indústria. Entretanto, o fato de elas deixarem de decicar atenção aos setenta por cento que não eram clientes explica, em grande parte, por que hoje elas enfrentam uma séria crise. Em proporções crescentes, os não-clientes eram as jovens famílias afluentes, nas quais ambos os cônjuges trabalhavam, que constituíam o mercado em crescimento nos anos oitenta.


Os banco scomerciais, apesar de todos os dados estatísticos a respeito dos seus clientes, também não se deram conta – até ser muito tarde – de que um número crescente dos seus clientes em potencial haviam se tornado não-clientes. Muitos clientes em potencial haviam se voltado para papeis comerciais para seus financiamentos, ao invés de tomarem emprestado dos bancos.


Quando se trata de informações de fora do mercado – dados demográficos, comportamento e planos dos concorrentes atuais e em potencial, tecnologia, economia, mudanças que assinalam flutuações cambiais e movimentações de capital – ou não existem dados, ou são demasiado genéricos. Poucas tentativas foram feitas para se determinar o efeito que esas informações têm sobre as decisões da empresa. Como obter esses dados, testá-los e juntá-los ao sistema de informações existente para torná-los eficazes para o processo de decisões da empresa – este é o segundo maior desafio que hoje os usuários de informações têm diante de si.


Ele precisa ser enfrentado logo. Hoje as empresas dependem, para suas decisões, de dados internos, como custos, ou de hipóteses não testadas a respeito do exterior. Em qualquer caso, elas estão tentando voar com uma só asa.
Finalmente, o mais difício dos novos desafios: há de se juntar os dois sistemas de informações que hoje as empresas administram em paralelo – o processamento de dados baseado em computador e o sistema contábil. No mínimo haverá de se torná-los compatíveis.


As pessoas normalmente consideram a contabilidade como sendo financeira. Mas isto é válido somente para a parte que lida com ativos, passivos e fluxos de caixa; esta é apenas umap equena parte da contabilidade moderna. A maior parte lida com operações ao invés de finanças e, para a contabilidade operacional, o dinheiro é simplesmente uma anotação e uma linguagem para expressar eventos não-monetários. A contabilidade está sendo abalada até as raízes por movimentos de reforma que visam a fazer com que ela deixe de ser financeira e se torna mais operacional.


Existe a nova contabilidade tranasacional, que procura relacionar as operações aos seus ativos, do custo histórico para estimativas de retornos futuros esperados. A contabilidade tornou-se a área intelectualmente mais desafiadora no campo gerencial e a mais turbulenta. Todas essas teorias contábeis visam à transformação dos dados contábeis em informações para tomada de decisões pelos gerentes. Em outras palavras, elas têm as mesmas metas do processamento de dados por computador.


Hoje esses dois sistemas de informações operam isolados um do outro e em geral nem mesmo concorrem entre si. Nas escolas de administração eles são mantidos separados, com departamentos deistintos de contabilidde e de ciência do comutador e diplomas também separados.


Os profissionais têm formações, valores e carreiras diferentes. Eles trabalham em departamentos diferentes, para chefes diferentes. Existe um diretor de informações para o processamento de dados por computador, normalmente com formação em tecnologia do computador. A contabilidade tipicamente reporta-se ao diretor financeiro, o qual emn geral tem experiência nas finanças da empresa e no gerenciamento do seu dinheiro. Em outras palavras, nenhum dos dois chefes pensa em termo de informações.


Os dois temas estão cada vez mais se superpondo e também produzindo dados que parecem clnflitantes – ou no mínimo incompatíveis – a respeito do mesmo evento, pois o veem de formas diferentes. Até agora, isto tem criado pouca confusão. As empresas tandiam a prestar atenção naquilo que os seus contadores lhes contavam e a desprezar os dados dos seus sistemas de informações, ao menos para as decisões da alta direção. Mas isto está mudando, na medida que executivos conhecedores d ecomputadores estão indo para posições de tomada de decisões.


Uma evolução pode ser considerada altaente provável: o gerenciamento do dinheiro – aquilo que hoje Peter F. Drucker chama de função de tesouraria – será separado da contabilidade (isto é, dos eu componente de informação) e terá pessoal e direção separados. Ainda não se sabe como será possível gerenciar os dois sistemas de informações. Mas é certo que nos próximos dez anos eles serão juntados (nas organizações que ainda não os juntaram), ou pelo penos decidir qual sistema faz o que.
O pessoal dos computadores ainda está preocupado com maior velocidade e memórias de maior capacidade. Mas cada vez mais os desafios não serão técnicos; ao contrário, eles estarão ligados à conversão de dados em informações utilizáveis. Outras informações podem ser obtidas no livro Administrando em tempos de grandes mundanças, de autoria de Peter F. Drucker.

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Tags: dados drucker gama informação tecnologia

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