Tipo assim, na verdade você tá ligado no emprego, né?

Tipo assim, na verdade você tá ligado no emprego, né?

“Tudo que busco se concretiza,
conforme as palavras que profiro com convicção.”
(M.Taniguchi)

     E na mentira, como será? Desligado? O primo do né, é o tá. Toda vez que o né não está, o tá está. Confuso? Sem conteúdo? Imagine você falando assim em uma entrevista de emprego.

     Certa vez estava fazendo uma seleção para um cargo administrativo. Analisei os currículos, descartei vários com “pretenção” salarial. Erros grosseiros de português são inadmissíveis em uma contratação de pessoal administrativo. Até digo que um erro ou outro todo mundo releva, dois a gente compreende, mas pretensão com “ç” já causa demissão antes de contratar.

     Ao convidar alguns candidatos para a entrevista - os que haviam passado no crivo dos poucos segundos de análise do currículo - vários ficaram na primeira pergunta. Fale-me sobre você. “Falar sobre mim? É, tipo assim, eu sou um cara batalhador, né?”. A dificuldade que alguns candidatos têm para se expressar verbalmente é tão sofrível quanto outros na confecção do currículo.

     Hoje é comum um jovem falar duas frases e já usar uma gíria, um termo explicativo – o famoso “tipo assim” – ou, não raras vezes, não ter uma seqüência de raciocínio lógica. E o tal do “né”, no final das frases? É a insegurança da resposta que leva ao “né”, uma redução do “não é”. O “né” surge quando pedimos a confirmação do outro para a resposta. Um risco que deveríamos evitar. E se o outro diz que não sabe?

     Se na entrevista de emprego já há dificuldade em falar de si, imagine quando precisar explicar um novo projeto aos diretores, explicar as demonstrações financeiras para um grupo de acionistas?

     E nem cheguei a falar de entusiasmo, na emoção, na segurança ao transmitir ao recrutador o seu projeto de vida ou suas reais pretensões em relação à companhia na qual você está participando do processo seletivo. Ficamos só no nível do razoável, do simples. Falar deve sempre ser algo simples, usando palavras simples, evitando as gírias.

     Já na apresentação dos trabalhos de conclusão de curso, como fará esse jovem? Para quem usa o famoso “embromation”, cuidado. Os orientadores estão cada vez mais severos justamente com os menos desembaraçados.

     Solução tem. Leia mais. Faça um curso de oratória. E quão maiores forem suas dificuldades, mais precisará treinar. Faz parte do processo.

     Vai participar de uma entrevista de emprego? Simule com seus pais, seu ou sua namorada, as possíveis perguntas e as suas respostas para elas. Demonstre convicção, entusiasmo, corrija seus erros.

     “Na verdade”, um errinho ou outro até que “nós aceita”, “tá ligado”? O problema é, “tipo assim”, quando os erros são tão constantes que o recrutador não pensa em outra coisa a não ser chamar o próximo, “né”?

     Abraços e até a próxima!

     Zenaide Carvalho
     www.zenaidecarvalho.com.br






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Sobre o autor

Zenaide Carvalho

ZENAIDE CARVALHO - Ministro treinamentos nas áreas contábil, administrativa e de vendas em empresas e entidades e também presto consultoria contábil.



Escritora, Palestrante e Consultora, Instrutora convidada do Projeto Educação Continuada do CRC/SC e da Fundação ESAG - Estudos Superiores de Administração e Gerência (SC). 



Autora dos Livros “Como Abrir Sua Empresa, da Idéia aos Lucros” e "Os Segredos da Oratória Política em 10 Lições" publicados em 2008 pela Editora Minelli. 



Administradora e Contadora, pós-graduada em Psicologia da Propaganda e Marketing e em Auditoria e Controladoria. Pós-graduanda em Pedagogia Empresarial. 



Diretora-Executiva da Nith Treinamentos e da Nith Assessoria Empresarial. 



Membro da ABCOP - Associação Brasileira de Consultores Políticos e Vice-Presidente de Prestadores de Serviços da ACIBiG - Associação Empresarial e Cultural de Biguaçu/SC.



Carioca, resido atualmente em Florianópolis/SC. 



www.zenaidecarvalho.com.br




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