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13/08/2008 17:58
PORQUE UMA PESSOA FAZ ALGO MESMO SABENDO QUE VAI DAR ERRADO?
Recentemente tenho dado consultoria a uma empresa de pequeno porte. O empresário me procurou, pois estava enfrentando dificuldades financeiras.

Após um ano de consultorias de acompanhamento e orientação a empresa aumentou seus resultados em 4 vezes, porem continuou com dificuldades financeiras. Este fato aconteceu devido a retiradas de lucros abusivas que comprometeram o capital de giro.

Após um ano o empresário acumulou uma divida de 75% do seu ativo e hoje está devendo todos os seus fornecedores com exceção do fornecedor exclusivo. Alem de está no cheque especial em todos os bancos.

Comunique a ele que esta situação aconteceu porque estava descapitalizando sua empresa e que deveria fechá-la antes que a divida ultrapasse o valor de seus ativos.

O empresário me disse que eu estava enganado e que não ira fechar sua empresa. Demitiu metade de sua equipe e decidiu priorizar apenas as vendas. Depois de um mês o empresário perdeu o controle de seu estoque, contas a pagar e contas a receber. Alem de afirmar para todas as pessoas que consulta quanto o caso que ira reverter a situação.

Alguém saberia me dizer porque este empresário toma esta atitude de negar o problema mesmo sabendo que esta em processo falimentar?


14/08/2008 09:29
OPINIÃO SOBRE, PORQUE UMA PESSOA FAZ ALGO MESMO SABENDO QUE VAI DAR ERRADO?
Olá Frederico Dias Moraes, tudo bém?

Estamos vivendo em um momento de muitas transformações as quais não temos outra saida, se não adaptarmos, caso contrario estamos fadados ao fracaço. E isso vale para todas as profissões inclusive  para as empresas.

Em se tratando de aconselhamentos às empresas, devemos fazer um diagnóstico detalhando da situação em que a empresa se emcontra  antes de apresentar uma proposta de recuperação. Só posteriormente desenvolver um projeto escrito de um plano de recuperação. 

Este projeto deve ser discutidos com os administradores da empresa para verificar os pontos de divergencia. Portanto, as alterações feitas não poderão alterar a estrutura do projeto, para não prejudicar os resultaod esperados.

Em fim,  deve ser levado em consideração a sua reputação profissional. Caso não haja consenso na aceitação das propostas, ou se os planos traçãdos não estiver sendo cumprido conforme o combinado, não aceite o trabalho, pois a culpa sempre cairá no consultor.

  


15/08/2008 13:45
para pensar...
Não lhes parece evidente que para esse empresário, o sucesso da empresa é uma questão existêncial, um propósito de vida, que vai muito além de sua viabilidade econômico-financeira? 

Que, mesmo considerando a gravidade dos seus equívocos, sua persistência e recusa assemelha-se àquela encontrada em  outros empreendedores como Henry Ford, que ignorou advertências de especialistas do mercado financeiroa respeito de seu método e seu projeto de massificar a produção e o consumo do modelo T?

Talvez seja melhor para ele insistir no negócio mesmo que, para alguém que conheça profundamente a gestão, ele seja inviável. No seu lugar eu tentaria de todas as formas tornar o negócio do cliente viável e quando achasse q isso não mais fosse possível, diria minha opinião e iria embora, mas o aconselharia a buscar outros consultores dispostos a ajudá-lo. 

Neste caso, talvez buscar um sócio ou incubar a empresa seja uma boa saída.Outra opção é buscar as linhas de crédito voltadas para capital de giro e qualificar o empreendedor através de cursos voltados para eles. E sempre existe a opção de convencer o empreendedor a suspender o negócio para se capitalizar, se preparar melhor e voltar com tudo.


15/08/2008 15:40
AGRADECIMENTOS
Ola, Antônio e Felipe.

Agradeço a opinião de vocês.

Realmente concordo com tudo que foi dito por vocês e executei a consultoria exatamente da forma que descreveram.

Estou retirando minha consultoria e indicando outros consultores.

Mas percebo que este empresário ignora todos os relatórios que comprovam que sua gestão é temerária. Conduzindo sua empresa para uma direção que vai deixa-lo arruinado.

Sei que é uma escolha dele e que devemos está dispostos a enfrentar as conseqüências de nossas escolhas.

Mas não consigo encontrar uma explicação para esse tipo de comportamento.



16/08/2008 00:46
CEGUEIRA... TALVEZ!?
Boa noite Sr. Frederico

Quero expor minha opinião pessoal quanto a sua indagação. Porque uma pessoa faz algo mesmo sabendo que vai dar errado?

Sabe, este seu caso... fez lembrar a minha avó... Oitenta e seis anos de idade...Dizia que se não teimasse em viver, não viveria...e que se tomasse todos os remédios não conseguia jogar xadrez.

De acordo com pesquisas comprovadas pelo Sebrae e outras entidades, um dos fatores que eleva a mortalidade das organizações é sem dúvida: O giro, a crise de liquidez faz com que o dinheiro suma, simplesmente não se consegue reter o dinheiro... Neste ponto, a organização sofre tendencias ao "caos" , mas nem tudo esta perdido.

Como foi mencionado, uma empresa devedora não consegue pagar os seus credores - retornando à velha historia da bola de neve descendo a montanha. Uma solução favorável, seria o investimento de capital (por linhas de crédito ou particular),  renegociação de débitos, parceiros e investidores "crentes", na "nova nova forma de gerir o negócio"

É sábido que administração não é uma ciência exata como os movimentos de um jogo de xadrez... mas aqui, no tabuleiro de xadrrez pode ser encontrado o motivo do seu cliente. A cegueira enxadristica, faz com que a pessoa psicologicamente perca momentaneamente a visão do jogo, sendo considerado como uma defesa do próprio organismo ao cansaço.

Ha questão é: Quanto tempo dura uma cegueira enxadristica? - Em uma partida, é cerca de segundos... tempo suficiente para se perder o jogo... 

Na vida, do dia-a-dia, uma familia inteira por acreditar na inocência da filha... "cegam-se mutuamente" e não percebem a gravidez da menina durante nove meses...

E nos negócios... não seria diferente... Cegueira... Talvez??

Jamais ganhei de minha avó no xadrez, pois mesmo sabendo o que tinha que ser feito, por "cegueira",  não fazia! Repetindo sempre o mesmo erro!

Adm. Rivalino Pereira


17/08/2008 17:15
No Brasil todo mundo é técnico de futebol e Administrador
Stephen Kanitz que é administrador por Harvad, em um artigo publicado na Revista Veja, 5 de janeiro de 2005, disse que o segredo do sucesso da economia dos estados unidos e que provavelmente não iremos encontrar em nenhum livro de economia é de que o País é administrado por pessoas competentes, preparadas. Dezenove por cento de todos os graduados nas faculdades do País Norte Americano são formados em administração empresas.
Aqui no Brasil além de técnicos de futebol todos são excelentes administradores, por conta disso é que a maioria das empresas que abrem no Brasil poucas completam 2 anos, como o CREA exige o certificado em todas as edificações em construção para ter certeza de que a obra não irá desabar e causar sérios prejuízos, o governo deveria exigir a chancela de um administrador para proceder o registro de uma organização empresarial, para frear a farra de abertura de empresas que existe milhares de empresas são criadas e depois fechadas causando um gasto para o governo que poderia muito bem ser evitado.
No caso em tela deveria haver um “descongelamento”, que nada mais é do que a redução a um determinado nível das forças que mantém o comportamento da organização, pois o descongelamento pode significar a desconfirmação, isto é, a não confirmação, pela experiência, da visão de mundo professada pelo indivíduo.
Segundo Shein, em Process Consultation (1987), sem cumprir essa etapa, as mudanças tendem a não serem digeridas, imagine que alguém que nunca vimos antes chegue e “condene” a maioria das condutas e rotinas empregadas em uma empresa onde todos estão estabelecidos e de uma forma ou de outra conseguindo naquele local o seu sustento, todos se sentiram ameaçados, suas gerências serão colocadas em “xeque”, enfim...
É preciso mostrar com atos concretos, números, dados científicos o que se propõe sob pena do empresário morrer abraçado com a sua empresa falida dizendo que ele é que o bom, que, o que aprendemos na academia é outra realidade, já ouvi bastante esse discurso.


17/08/2008 23:18
Conviver com o erro...
Bem meu caro Frederico, o que voce nos demonstrou é que o empresario realmente nao quer acreditar no tamanho do buraco que esta cavando! 
Os erros que voce diagnosticou para ele certamente ja estao formalizados dentro da empresa, ou seja, tornou-se uma rotina o DONO gastar o que nao deve e nao PLANEJAR. 
 Voce caro Frederico, como consultor, fez o que devia ser feito e nao ha como forçar o EMPRESARIO a mudar. Definitivamente ele aceitou conviver com os erros e ira acabar-se com eles.

Agora, meu caro colega-filosofo do ultimo post, facilitaria se tu colocasse o argumento mais claro.

Um abraço a todos


18/08/2008 11:50
Panaginote
Achei muito interessante os seus argumentos. Será q poderia aprofundá-los um pouco mais? Esta questão do descongelamento e de sua reação no saber convencional e sua relação com as posições estabelecidas dentro de uma organização merecem uma explicação mais detalhada,não acha?

Abs!


18/08/2008 23:29
Segurança Para Propor Mudança
De acordo com Lewin (1958), para uma mudança ter êxito em uma organização é necessário observar três epapas: descongelamento, mudança e recongelamento
A primeira fase – descongelamento – envolve a redução a um
determinado nível das forças que mantém o comportamento da organização. O descongelamento pode significar a desconfirmação, isto é, a não confirmação, pela experiência, da visão de mundo professada pelo indivíduo, o que possibilita a motivação para aceitar a mudança. Do descongelamento decorre, então, a segurança psicológica, isto é, o sentimento de crença na capacidade de mudar.
Na segunda fase – mudança – a organização muda para um novo nível, o que supõe a adoção de novos valores, atitudes e comportamentos, a mudança implica a identificação com um novo modelo e a perscrutação do ambiente, isto é, a procura de informação nova e a aprendizagem de novos conceitos relevantes para a situação.
Finalmente, o recongelamento consiste na aceitação e na decorrente consolidação das mudanças efetuadas, de maneira que novos pontos de vista se institucionalizam e passam a ser parte integrante da rotina pessoal e organizacional.
Se não forem observadas essas etapas a resistência tende a ser tanta que os argumentos serão insuficientes, para todo diagnóstico emitido virão milhares de justificativas, nesse caso, grande parte do tempo será gasto em desmistificar as justificativas ficando para segundo plano o que realmente interessa. 
Toda proposta de mudança deve ser segura, os argumentos sólidos, o emprego do que foi relatado por Lewin é importante para o empresário constatar que seu conhecimento empírico não está sendo suficiente para conduzir sua organização.


19/08/2008 13:20
Panagionte2
E nesta transição entre o descongelamento e o recongelamento me parece importante a adoção de técnicas semelhantes ao Reinzi japonês, em q se busca um consenso em relação aos valores e desinações q serão elaboradas durante esse processo para fundamentar as mudanças de comportamento que vc se refere.

Por acreditar nisso, eu não entendo por que o Kaisen fez tanto sucesso por aqui, enquanto o Reinzi foi ignorado, ou será q estou equivocado? Se estiver certo, não será esta a causa de muitos dos desafios provocados pela implementação do programa de qualidade total nas empresas brasileiras?

O q vcs acham?


28/08/2008 17:31
Reinzi Japones
Não conheço essa técnica (reinzi japonês) quanto a "kaisen" acredito ser ultrapassada, nos dias de hoje não podemos pensar nas particulariades da rotina da empresa essa função fica a cargo dos gerentes, o executivo tem/deve se preocupar com as funções "macro" da organização, não que tais atribuições não sejam importantes, entretanto, cuidar do andamento dos processos na rotina da empresa como nos ensina a técnica japonesa....
Gostaria de conhecer  a REINZI JAPONESA que foi citada acima, manda um link para eu conhecer melhor. Grato.




FRANK SANTOS DE MIRANDA
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