Início Interação Comunidades

mensagens 1 a 5 de 5
12/01/2009 18:32
Sai de cena o líder meramente "orientado a resultados"
Sai de cena o líder meramente "orientado a resultados"

Vicky Bloch
12/01/2009 – Jornal Valor Econômico.


O economista Eduardo Giannetti tem estudado e nos mostrado com muita clareza a relação do homem com o dinheiro. Na sua mais recente obra, "O Livro das Citações" (Companhia das Letras, 2008), um capítulo inteiro é dedicado ao que, historicamente, se faz para saciar a "fome de ouro".

Grandes nomes ali reunidos dizem, em linhas gerais, que quanto mais se tem mais se quer (Sólon), que o dinheiro deturpa os justos (Sófocles), que os homens seguem sempre o mais rico (Lucrécio), que é preciso ganhar honestamente, se possível, ou de qualquer jeito (Horácio), que a riqueza é melhor que a reputação (Juvenal) e melhor que a moral (Samuel Johnson), que até a honestidade é usada para lucrar mais (Baudelaire), que o desejo de acumular é natural e não produto do capitalismo (Weber) e, por fim, que nossa inteligência é medida por quanto ganhamos (Russell).

O mundo mudou muito desde que esses homens morreram, há muitos séculos ou décadas. Pode-se argumentar que eram tempos menos civilizados e que hoje somos mais conscientes, como provam nossos inúmeros programas de responsabilidade social, ambiental, fiscal, de governança corporativa e outros. Por certo, são grandes avanços, mas a atual crise veio mostrar que ainda havia algo debaixo do tapete.

Esta crise eclodiu por todos os motivos citados acima pelos sábios do passado. A visão e os meios de expansão patrimonial se sofisticaram, mas não tão rapidamente quanto a tecnologia.

Diante da vergonha de quem aparecia como ícone de eficiência, os apocalípticos bradam que surgirá um novo capitalismo e que todo discurso ético dos últimos anos era mera conversa fiada. Muita calma nessa hora! É a descrença total que dá espaço para os fundamentalistas radicais.

Ninguém é tolo de negar que a liberdade e a prosperidade econômica resultem em benefícios para a sociedade, embora ainda mantenham a desigualdade. O que está em discussão é a forma de prosperar. Portanto, estamos falando de um novo modelo de liderança.

Sairá de cena- por uma necessidade de sobrevivência das empresas- o líder meramente "orientado a resultados". Aquele para o qual o termo "sustentabilidade" começou como plantio de árvores e hoje são novos negócios para perpetuar o lucro. Aquele que ainda não entendeu que resultados de curto prazo alcançados com respeito (em todas as instâncias) geram melhores resultados em longo prazo.

Não há meios de simular o respeito. Um código de conduta pode ser cumprido apenas por medo de punição. Estará a humanidade preparada para prosperar com liberdade?

O novo líder emana respeito. As pessoas à sua volta conhecem a sua integridade- uma palavra que significa ser inteiramente coerente. Seus valores são expressos nas suas ações. E se tornam os valores de uma organização. Se as pessoas aceitam esses valores, que não precisam ser escritos nem falados, terão orgulho de incorporar sua causa.

Existem líderes assim? Sim e cada vez mais as empresas buscarão executivos que, ao respeitar pessoas, leis e ambiente, sabem produzir resultados de curto e longo prazos, separando o joio do trigo nas oportunidades de ganhos que se apresentam.

Líderes éticos e responsáveis não deveriam ser algo novo nas empresas. Há mais de 30 anos, Robert Greenleaf já apontava essa necessidade no livro "Servant Leadership" (Liderança Servidora), que se tornou um conceito bastante difundido, mas de difícil aplicação. Isso porque servir, entender e respeitar são valores que não se adquirem em treinamentos.

A crise é uma ótima oportunidade para que acionistas, conselheiros e executivos coloquem em prática também nos negócios os valores que admirávamos em nossos pais e avós e que nos formaram o caráter. Não é possível mais separar o mundo particular do mundo corporativo. Fazer isso é seguir quebrando a nossa integridade.

Vicky Bloch é psicóloga e consultora de carreiras da Vicky Bloch Associados.


26/01/2009 18:30
Essa foi profunda
Desde o período de universidade emplaquei várias discussões sobre esse tema. Aliás, sempre discuti com colegas e professores sobre o objetivo de uma empresa: lucro ou satisfação do cliente.
Lembro que a minha turma era formada basicamente por empresários e discutir isso nesse meio não era nada fácil.
Muitas vezes a discussão tomava conta da aula e os professores gostavam do que viam e ouviam.
E foi numa aula de Psicologia Organizacional que esse tema veio a tona. Veja que uma empresa só existe porque oferece algum produto ou serviço do interesse de várias pessoas. Ora, isso significa que o seu objetivo maior é satisfazer os seus clientes e além de tudo mante-los. O lucro, acredito eu, deve ser uma consequência. Afinal a gente come para viver e não vive para comer. Peter Drucker, guru da administração, já deixou isso bem claro em seus escritos.
No entanto é hipocrisia dizer que o lucro não é importante. Ele tão importante quanto a satisfação do cliente. Sem eles, a empresa e a economia não gira.
Para tanto, é fundamental que o líder esteja alinhado a este pensamento.
Se entendermos que os resultados é a junção de cliente satisfeito e retorno através de lucro, então estamos no sentido correto.


26/01/2009 21:01
paradigmas
Boa noite camaradas, o asunto é, de fato, polêmico, mas tentarei simplificá-lo.
Pensando em uma empresa capitalista, é obvio que o lucro estará permeando todas as suas ações - por meio da elevação das margens de retorno sobre as vendas - spread, quer seja através da redução de despesas. O administrador, enquanto líder e coordenador dos esforços de uma equipe ou equipes, além de orientá-las e treiná-las deve ter em mente que, liderar uma empresa/equipe é, acima de tudo, atender as expectativas dos intervenientes do processo: dos acionistas e/ou donos (lucro por ação, resultados financeiros, market share etc.),  colaboradores (desenvolvimento profissional e pessoal, valorização do indivíduo enquanto ser pensante, oportunidades para aplicar a inovação e desenvolvimento de idéias, remuneração digna, ambiente de trabalho favorável, clima organizacional etc.) stakeholders (responsabilidade socioambiental, desenvolvimento de ações em prol da comunidade, código de ética da empresa, código de defesa do consumidor, código do idoso, especificações e parâmetros para elaboração de produtos e serviços conforme os meios e intervenientes de fiscalização - Inmetro, sanitéria etc.).
Ao buscar atender as expectativas, por vezes imaginamos "realizar tudo aquilo que o "dono, acionista, cliente, colaborador/funcionário" quer... Mas não é isso - é preciso acima de tudo, prover aquilo que os intervenientes precisam - voltando a empresa apenas para o lucro, em detrimento do investimento em desenvolvimento de produtos, serviços, pessoas, pós-venda etc, embora possa representar resultados no curto/médio prazos, não garantirá a consolidação da organização no longo prazo. Gerir para resultados, parafraseando Drucker, pode ser eficaz, sem no entanto, manter-se eficiente. 
o assunto está na roda....
um forte abraço, 
zembo
Ribeirão Preto (SP).


27/01/2009 10:00
Nova liderança
Muito interessante esta discussão. Penso que ela permeará todos os fóruns de lideres daqui para frente. Entretanto, a questão da sustentabilidade como é entendida até agora, abordando as três dimensões, econômico, social e ambiental – já vem sendo discutida amplamente. Outro ponto vital que se refere à ética, também. “Pessoas” tem merecido publicações incontáveis e treinamentos intensivos. Logo, culpado é o lucro?
Excelente a observação do texto: “Muita calma nessa hora! É a descrença total que dá espaço para os fundamentalistas radicais”.
Vamos fazer um exercício: qual sociedade era melhor? A do século I AC, do século XV, XVII, XX ou XXI?
Certamente que o XXI. Evoluímos em muitos aspectos: tecnológicos, culturais, criação de riqueza e até consciência ambiental (ou o que foi feito com a natureza até aqui é apenas responsabilidade destes últimos anos?). Precisamos sim de encontrar uma forma de distribuir melhor a renda. Precisamos melhorar também as possibilidades de acesso e oportunidades iguais para todos. Isso é fato.
Meus caros, mas para isso é necessário também riquezas. Estas transformações não se fazem apenas com discursos.
Daí a frase “O que está em discussão é a forma de prosperar. Portanto, estamos falando de um novo modelo de liderança”, no meu entendimento, resumir muito bem a questão. Isso, penso, inclui todos os aspectos até aqui abordados e mais a questão de normas e travas, que não inibam a busca pela prosperidade, mas que possam frear de alguma forma a sede por resultados obscuros de algumas pessoas, que, aliás, sempre existiram em sociedades passadas e certamente vão existir nas futuras.

Geraldo Flávio Canavez


27/01/2009 11:20
Satisfação x Lucros
Em 1993 assisti uma palestra com o professor Luiz Marins, e nessa época já havia essa preocupação, quando o mesmo disse ao público: “Faça de seus funcionários seus clientes e de seus clientes seus funcionários”. Notei que deveria mudar a partir daquele momento meu conceito sobre gerenciamento de equipe, claro, nunca fui uma pessoa que desacatasse outra, mas decidir melhorar ainda mais meu relacionamento com minha equipe e o resultado foi ótimo. Percebi que estava nascendo ali uma nova equipe que mais tarde se tornou um grupo mais homogêneo e que mudou radicalmente o relacionamento com cliente tornando mais satisfatório o atendimento ao cliente melhorando assim a qualidade e imagem da Empresa. Hoje tem empresas que perdem bons funcionários por não ter um bom relacionamento com sua equipe ou com o líder de equipe ou equipes. A satisfação do cliente é muito importante para uma organização, pois dessa satisfação é que será garantida a fidelidade e o companheirismo de seus clientes, desta relação também gerara o lucro (satisfação da organização) para a organização. É uma questão de "CAUSA E EFEITO".

PS: Não sei se peguei bem o espirito deste forum mas esta ai minha colaboração.




Andréia Cristina da Silva
Andréia
Welria
Welria

Daymara Eifert dos Santos
Daymara
Paloma Cabral
Paloma

CESAR LUIS SZYNVELSKI
CESAR
Eliete dos Santos Silva
Eliete





© 2003-2007. Administradores - O Portal da Administração.