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Eu não tenho tempo ... eu não tenho vida ...

1-1 de 1 mensagens
 
Carlos Rodrigues | 2 ano(s) atrás
Eu não tenho tempo ... eu não tenho vida ...
Olá,

Li o texto abaixo e resolvi compatilhar com a comunidade. O Autor enfoca com muita clareza um grande problema que todos vivenciamos atualmente. Vale a pena conferir ....

Um excelente fim de semana para todos!

Carlos Rodrigues
Cadre@ymail.com

Tempo é vida

Por Paulo Araújo*

Qual é e o problema mais citado pelos profissionais do mercado, independente de cargo, função ou atividade empresarial? Juros altos, competitividade e concorrência acirrada, clientes exigentes ou atração e retenção de talentos? Caso você tenha escolhido alguns dos itens acima, sinto muito, mas você não só errou, como passou longe do item principal. Com certeza, os temas acima são citados por sua grande relevância, mas em minhas palestras sempre que faço essa mesma pergunta o campeão disparado é: a falta de tempo!

O tempo é considerado hoje o mais caro e escasso dos recursos e não pode ser recuperado. Como aproveitar melhor o tempo, de forma mais racional e metódica? Eu gostaria de abordar a questão sob uma outra ótica, algo que passa despercebido em nosso dia-a-dia, quando estamos em busca de uma "maior" produtividade. Algumas questões que o próprio tempo me ensinou:

Ser rápido, não é ser mal educado

Todos queremos racionalizar o tempo, dividimos nossas tarefas em categorias como urgentes, importantes, rotineiras e ainda procuramos deixar um espacinho para as extremamente urgentes. O extremamente urgente é aquilo que o seu chefe lhe pede com aquela cara meio desesperada e você faz a fatídica pergunta: "É prá quando, chefe?" Como se não soubesse a resposta: "É prá ontem!" Aliás, tudo hoje em dia é para ontem.

O problema é que estamos com tanta pressa, que esquecemos o básico de uma relação gentil e cordial no ambiente de trabalho. Tive um chefe que pela manhã não dizia: "Bom dia!", dizia somente: "Diaaaa...", de cabeça baixa e andando rápido como um boi bravo. O ambiente de trabalho era horrível, cada vez que ele chamava alguém, a pessoa ia tremendo e preparada para acompanhar o ritmo de sua voz. Ele também acreditava que falando mais rápido ganharia mais tempo.

Fico pasmo quando leio sobre reuniões feitas em pé, lanches rápidos na hora do almoço, e-mails que vão direto ao assunto, sem ao menos cumprimento com um simples "Tudo bem?". Ganha-se tempo com atitudes assim, mas também há uma enorme perda no marketing pessoal. Afinal, quem gosta de entrar na sala do colega e ficar em pé o tempo todo, receber e-mails ríspidos, mal escritos e sem cordialidade? Isso não aumenta a produtividade, mas com certeza o estresse.

Alta produtividade é diferente de rapidez

O grande desafio dos profissionais da Era do Conhecimento é aliar alta qualidade com alta produtividade. Mas nessa confusão de conceitos, muitos acreditam que produtividade é ser cada vez mais rápido. E assim muitos parecem robozinhos organizacionais. Verdadeiras máquinas humanas da vida corporativa moderna.

Ser rápido é importante, mas também diminui nossa sensibilidade e visão da atividade ou negócio. Com o mundo em constante transformação, é preciso enxergar um pouco mais longe. A rapidez, principalmente em atividades rotineiras, inibe a criatividade e com o passar do tempo vira ponto comum. Pergunte a qualquer funcionário da empresa: "Por que você executa essa tarefa dessa maneira?". A maioria responderá: "Porque sempre foi assim". Mas o porquê de se fazer daquele modo, poucos sabem.

Para piorar, começa a preocupação com a resistência a mudanças e pede-se inovação na postura profissional. Mas, como inovar fazendo o que sempre foi feito sem saber o por quê? Por vezes é preciso ser lento para aprimorar, enxergar e assim descobrir novas e melhores maneiras de executar uma determinada atividade ou produto.

Inteligente é quem aprende com os próprios erros, sábio é quem aprende com os erros dos outros

Vivemos reinventando a roda. Poucos são humildes para aceitar e colocar em prática um conselho, ou procurar alguém que tenha mais conhecimento e experiência. Queremos provar nossas próprias teses, errar com as próprias idéias. É o que eu chamo da síndrome do recém-formado. O termo serve para quem também há muito conquistou seu diploma. Especialmente pessoas mais bem preparadas e academicamente bem formadas, adoram reinventar o que já existe. Quer ganhar tempo de forma sábia e criativa? Pesquise e descubra quem já fez.

Assim, além do conhecimento que vai obter, pode prosseguir em novas etapas e experimentos. Perguntar não custa nada, é hora de perder o medo de parecer pouco inteligente, astuto ou esperto. Deixe que os resultados falem por você. Mantenha um relacionamento de respeito e admiração pelos funcionários mais velhos. Eles já passaram por diversas crises, conhecem como ninguém a cultura da empresa. Se estão lá por 10, 15 ou 20 anos não foi à toa. Conquiste os profissionais mais experientes valorizando seu conhecimento e suas histórias de vida.

Quem tem pressa, come quente e cru

Na ansiedade, acabamos fazendo pela metade, ou mal feito, ou ainda quando fazemos bem feito celebramos pouco, prontos para novos desafios. Na conquista, é preciso aprender a saborear sua realização. Pare um pouco para curtir o momento, relembrar as etapas, os obstáculos vencidos, o que aprendeu ou o que poderia ter feito melhor. O bom gourmet é aquele que sabe apreciar o prato desde a decoração, os utensílios utilizados, o ambiente a sua volta, até chegar no sabor do alimento.

Hoje, temos uma carga horária pesada e a tendência não é diminuir. Por isso, ganhe tempo de uma forma diferente. Perceba e dê mais atenção aos sonhos de sua equipe, como ajudar o seu chefe a resolver os problemas, dê ao cliente algo a mais do que ele espera e não assuma um cargo já pensando no outro. Não estou dizendo para não ser ambicioso, a ambição é algo positivo, feio é ser ganancioso. Estou afirmando que quanto mais focado e concentrado você está no seu cargo atual, maiores são as chances de bons resultados e de ascensão profissional. Ocupe-se com o presente, respeite e aprenda com o passado, vislumbre o futuro, mas viva no presente.

Tempo não é dinheiro, tempo é vida

A máxima tempo é dinheiro moveu e ainda move gerações por um futuro melhor. Quem nunca ouviu alguém dizer: "correr agora, para descansar depois". O problema está "no depois" ou "nos depois" que nunca chega. Temos que aprender a ter tempo para tudo. Para trabalhar, descansar, para o lazer e a família.

Quer uma dica prática para você começar a utilizar melhor o recurso tempo, de maneira mais saudável e eficaz? Troque sempre a palavra tempo pela palavra vida. Quando o seu filho lhe chamar para brincar e você disser: "Meu filho eu não tenho tempo!". Para e pense: "Meu filho eu não tenho vida!". O tempo passa rápido demais. Valorize-o, porque "o depois" não existe. O uso adequado do seu tempo vai se reverter em conquistas e vitórias.

* Paulo Araújo é escritor e conferencista, Administrador de Empresas, com pós-graduação em Marketing e em Gestão pela Qualidade e Produtividade. E-mail: paulo@pauloaraujo.com.br.

Fonte: http://www44.bb.com.br/