LEESE


Administração
 

Descrição

O LEESE nasceu quando me preparava para o vestibular. Estudava para a prova específica de Português na UFRJ, e estava no capítulo sobre o modernismo. Voltava a tomar contato com as correntes apresentadas na semana de arte moderna de 1922 após 7 anos. Estudava para entrar em administração na UFRJ depois de longa análise vocacional, experiência profissional de 3 anos em gestão, realização de cursos de empreendedorismo no SEBRAE, e uma fracassada escolha acadêmica anterior, quando cursara por dois semestres Publicidade e propaganda na PUC-SP. Desta vez não podia falhar, o que, felizmente, não aconteceu. 

Nessa leitura, retomei o contato com os movimentos da época, e dois deles me chamaram a atenção: o movimento antropofágico e o movimento Pau-Brasil. O primeiro percebi que tinha resultado em uma série de ações em várias esferas sociais.  Contém semelhanças com a metodologia de algumas escolas de administração como a FGV\SP, a desenvolvida por Florestan Fernandes na Escola Paulista de Sociologia, e até com o fantástico sucesso da nossa modelo Gisele Bundchen. 

Entretanto, o movimento Pau- Brasil não me pareceu, e ainda não me parece, ter tido sucesso análogo. Não encontrei nenhuma justificativa coerente para isso. Esse movimento prega que exploremos nossas singularidades, transformando-as em objeto de exportação, repetindo o caminho do Pau- Brasil, primeiro produto brasileiro nativo exportado. Ainda acredito que temos muitas características únicas em nossa biodiversidade social e natural que podem conquistar o mundo, difundindo nossa cultura e nossa ecologia. Viabilizando nosso desenvolvimento e soberania. 

Essa atração nasceu de um princípio que havia desenvolvido a partir de minha experiência na Mar&arte Playground: conciliar eficácia empresarial e desenvolvimento ambiental. Nessa empresa, tive a oportunidade de conhecer a respeito das funções gerenciais. Tratava-se de uma empresa pequena, que fornecia os parques infantis de condomínios e obras públicas fabricados a partir de troncos de eucalipto citriodora tratados. Nosso principal concorrente era uma empresa estadunidense, por isso desenvolvi a estratégia genérica de diferenciação focado na nossa vantagem territorial, explorando potencialidades nativas e nosso maior conhecimento da cultura nacional. 

A empresa não durou muito tempo, apenas três anos intensos, mas serviu para motivar a realização de cursos sobre empreendedorismo no SEBRAE, onde esta perspectiva estratégica foi aperfeiçoada. Cheguei a elaborar o plano de negócios de uma empresa em que os parques infantis, pedagogicamente, conteriam em seu design a exposição de momentos marcantes de nossa história, com o 14 BIS, a caravela, a Igreja rococó, a oca, e alguns outros. Infelizmente, a falta de recursos técnicos e financeiros inviabilizaram a construção da empresa. Pelo menos, a questão da exploração de nossas potencialidades nativas, possivelmente relacionada com nosso subdesenvolvimento histórico, manteve-se latente, inspirando a criação do LEESE.
 
Durante a graduação na UFRJ, onde mais se faz pesquisa sobre o Brasil, no Brasil; percebi que nossa gestão organizacional está marcada pela absorção acrítica da tecnologia estrangeira, num ethos que não distingue desenvolvimento de modernização. A nossa corrupção, por exemplo, pode ser melhor compreendida se começarmos a problematizá-la com esse olhar. Absorvemos modelos institucinais exóticos, o que provocou estranhamento e um tipo peculiar de resistência, resultante das influências de nossos virtuosos religiosos e sua religiosidade concreta, das características de nossa imigração e nossa formação político-econômica. Chamo-a de resistência velada . 

Quem quiser conhecer um pouco melhor sobre esta resistência nativa, está convidado a conhecê-la na Semana de iniciação científica da UFRJ deste ano, onde pretendo apresentar o resultado de minhas pesquias sobre o assunto, ou ainda, lendo-a integralmente no artigo acadêmico publicado neste portal. Por ora, é preciso atentar que talvez a resistência à mudança dentro das corporações brasileiras, os modismos gerenciais, e nosso baixo índice de inovação tecnológica estejam relacionados com esses elementos culturais. Se isto for confirmado, de nada adiantarão os promissores MBA's no exterior ou nas universidades antropofágicas brasileiras se não vierem acompanhados de uma perspectiva autóctone em gestão. Estaremos sempre aquém de nossa capacidade, com potencialidade inexplorada e crise de excesso de competência em nossas empresas, univerdades, e laboratórios de pesquisas. Precisaremos de novas formas de ver e perceber o assunto, de novas idéias e metodologias inovadoras. O objetivo do LEESE é contribuir para que elas de materializam. Presunção? Talvez. 

Vejamos o que Max Weber , criticamente interpretado, pensaria sobre isso:
" A [administração] é como a perfuração lenta de tábuas duras. Exige tanto paixão como perspectiva. Certamente, toda experiência histórica confirma a verdade _ que o homem não teria alcançado o possível se repetidas vezes não tivesse tentado o impossível. Mas para isso, o homem deve ser um LÍDER, e não APENAS um líder, mas também um HERÓI, num sentido muito sóbrio da palavra. E mesmo os que não são líderes nem heróis devem armar-se com a fortaleza do coração que pode enfrentar até mesmo o desmoronar de todas as esperanças. ISSO É NESCESSÁRIO NESTE MOMENTO MESMO, ou os homens não poderão alcançar nem mesmo aquilo que é possível hoje. Somente quem tem a vocação da [administração] terá a certe za de não desmoronar quando o mundo, do seu ponto de vista, for demasiado estúpido ou demasiado mesquinho para o que ele deseja oferecer. somente quem, frente a tudo isso, pode dizer 'a despeito de tudo', têm a vocação para a [administração]." Crítica do seminário de MAx Weber Política como vocação, substituindo os termos política por administração.

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Criada em
09 de julho de 2008, às 17h12min

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