11/07/2008 15:17
Lorena
Li seu artigo ‘Competência x Compromisso” e ele me fez lembrar da história de uma tia minha que foi confeccionista. Ela começou como outras tantas das milhares de empreendedoras que começam um negócio por hobby e depois tentam profissionalizar a gestão.
Concordo com você :”Gerenciar uma equipe de trabalho não é fácil, mas também não é impossível, pois requer sensibilidade e percepção do gestor para identificar os diferentes tipos de pessoas que a compõe.”
No final da década de 90, com uma grande confecção, com altos custos fixos, por curiosidade fui fazer um “estágio não remunerado” na empresa dela por duas semanas nas minhas férias. Troquei um pouco das férias para aprender muito. Ela estava num dilema se continuava com a confecção ou fechava as portas. Em resumo, crise geral. E pra resolver este dilema não utilizamos o mesmo critério que você utilizou, mas foi parecido. Identificamos 4 tipos de costureiras
- Realizadoras (competentes): competentes e com compromisso
Produtividade e trabalham sábado e domingo, não tem tempo ruim – Eram motivadas a ganharem por peça um adicional acima do salário. E eram as que mais trabalhavam final de semana, ficando com parte das roupas que não foram finalizadas durante a semana.
- Inúteis (incompetentes): sem competência e sem comprometimento
Eram as desmotivadoras, que faziam intriga e queriam a lei do mínimo esforço e ganhar o mesmo que as realizadoras. Eram as que faziam corpo mole.
- Desanimadas (desmotivadas) : competentes e sem compromisso –
Eram as desmotivadas internamente, cansadas. Costureiras com certa idade e com outras prioridades da dupla jornada de profissional, mãe e algumas até avós.
- Amadoras (aprendizes) : sem competência porém com compromisso
Eram as jovens aprendizes que tinham a oportunidade de obter experiência com as realizadoras.
E daí ? Surgiu uma terceira opção, terceirizar. Em vez de fechar ou continuar a confecção poderia se optar por transformá-la em facções com as realizadoras não macomunadas. Incrível, mas foi se descobrir que algumas costureiras realizadoras antitéticas estavam de lobby com as inúteis. As inúteis não trabalhavam para as realizadoras trabalharem final de semana com ágio... absurdo... dá pra imaginar ?
E toda mudança gera stress. Mas por um tempo o mecanismo de facção funcionou. Porém começou a faltar faccionistas realizadoras no mercado, pois as boas iam recebendo mais encomendas e podiam escolher quem dos empresários poderiam lhes pagar mais. E como reserva de mercado, as realizadoras não passaram sua experiência para as amadoras. E minha tia quase quebrou...E por não aceitar trabalhar com amadoras e dentro da lei minha tia encerrou sua carreira de confeccionista. Mas continuou a trabalhar por conta própria...
E por incrível que pareça mesmo entre os executivos temos os realizadores, os inúteis, os desmotivados e os amadores. Gerenciar uma equipe de trabalho não é fácil... ainda mais quando as pessoas resistem as mudanças e quando o mercado não é ético.
Bom fim de semana !