GILBERTO BRANDÃO MARCON
São João da Boa Vista/SP
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19 de abril de 2009

Fé & Filosofia

Reflexão sobre os Tempos Apocalípticos

O HOMEM DESPREZA A SUA HISTÓRIA, SEJA PELA FALTA DE POSSIBILIDADE DE FAZÊ-LA, SEJA PELA MÁ FÉ DOS QUE A OBSERVAM. MAS USAM O CONHECIMENTO PARA PERVERTÊ-LA.
É DISSO QUE SE ALIMENTAM OS TIRANOS, OS DITADORES , AS DISCÓRDIAS ÉTNICAS, OS CONFRONTOS NACIONAIS E TANTOS OUTROS MALES PROVENIENTES DOS OBSCUROS PORÕES DO PASSADO DA HUMANIDADE. EIS AÍ A POSSIBILIDADE DE CONCRETIZAREM O APOCALIPSE BÍBLICO. DAÍ ESTA SINGELA "HOMENAGEM", ENQUANTO AINDA HÁ TEMPO.


ODE IRÔNICA AOS SENHORES DO MUNDO

AVE CÉSARES!
AVE IMPERADORES!
AVE! A TODOS OS TIRANOS E DITADORES
ATROZES ENTES OS GUERREIROS.
SÃO LANÇAS , PAUS E PEDRAS.
SÃO BRAÇOS, PEITO E PERNAS
A DIGLADIAR NA GUERRA HUMANA.
SALVEM A CASTA PALACIANA!
DEFENDAM-SE OS ESPARTANOS GENERAIS!
AO INFERNO COM OS PLEBEUS
TRAVESTIDOS DE CIDADÃOS!
QUE OS COMUNS DEEM SEU SANGUE DERRAMADO
PARA QUE AS ELITES BELICOSAS
FARTAM-SE EM HONRAS.
QUE TODOS OS HOMENS
SEJAM TRANSFORMADOS EM SOLDADOS.
TEREMOS ,ASSIM ,
MAGNÍFICOS FESTIVAIS DE CONTINÊNCIAS.
NÃO MAIS ARMAS PRIMITIVAS,
MAS LASERS, CHIPS,POTENTES JATOS,
ENCOURAÇADAS NAUS, DIZIMAÇÃO QUÍMICA,
ANIQUILAÇÃO ATÔMICA, PROJÉTEIS, MUITOS PROJÉTEIS,
COM TAMANHOS PARA TODOS OS GOSTOS.
SERÃO COQUETEIS BÉLICOS
A DESTROÇAREM VIDAS HUMANAS,
A MAIS ALTA TECNOLOGIA
A SERVIÇO DA DESTRUIÇÃO.
AVANÇADAS ARMAS NAS MÃOS
DE ORGANIZAÇÕES TRIBAIS.
SIM, O QUE SOMOS NÓS
SENÃO PRIMITIVOS DA PEDRA LASCADA
ADORNADOS PELO PROGRESSO MATERIAL
QUE EM MUITO PARECE ESTAR
À FRENTE DA EVOLUÇÃO MORAL.
TANTO SE CRIOU PARA DESTRUIR.
QUEM SABE O DESTINO SEJA O VÁCUO...
IDEOLOGIAS SÃO CRIADAS VISANDO A DAR ASPECTO
CIVILIZADO À AÇÃO ANIMICA.
QUE DANE-SE A QUALIDADE DE VIDA!
UM VIVA AO PROGRESSO EXTRATIVISTA
A ESGOTAR O SISTEMA ECOLÓGICO.
QUE FAZER ANTE TUDO ISTO?
É PRECISO JUSTIFICAR TAMANHAS ATROCIDADES.
QUE VENHAM ENTÃO
OS PROCURADORES DE DEUS SEM PROCURAÇÃO;
QUE SOMEM-SE AOS LEVANTADORES DE TEMPLOS
VAZIOS DA ALMA DIVINA.
ADICIONEM-SE AINDA ALOPRADOS PROFETAS DO MEDO,
QUE ELES JUSTIFIQUEM
A DESTRUIÇÃO DOS FRACOS PELOS FORTES
PARA, QUEM SABE UM DIA ,DESCOBRIREM
A FRATERNIDADE QUE UNE VÍTIMAS E ALGOZES.
NÃO, NADA DE VÃ FILOSOFIA,
USA-SE A TEORIA DE DARWIN DE MODO PERVERTIDO,
CRIANDO UMA SELEÇÃO NATURAL
ONDE O ORGULHO DE RAÇA CRIA CEGOS E MAIS CEGOS.
SALVEM OS GÊNIOS DA RAÇA!
QUE NÃO HAJA RELEVO LIVRE,
QUE TUDO SEJA A CERCANIA
DE SUPREMO PODER DESVAIRADO.
CUBRAMOS NOSSOS CORPOS COM ARMADURAS,
TRANSFORMEMOS NOSSOS ESPÍRITOS EM ALMAS PENADAS.
A GRANDE BESTA,
O MAL PREDESTINADO ESTARÁ ENTRE NÓS.
QUE SURJA UM MAGNIFICO “HITLER BONAPARTE”,
FRUTA ACRE, GUERREANDO EM NOME DE SUPOSTA PAZ.
E ENTÃO A HISTÓRIA TERÁ
O SEU EPÍLOGO DE SOBERBAS GUERRAS.
SERÁ UM “NÃO” AO “AMAR-SE UNS AOS OUTROS”.
SEM DÚVIDA , SERÃO ENCONTRADOS EPICURISTAS
QUE ENCONTRARÃO MAIS SABOR
NO “DEVORAR-SE UNS AOS OUTROS”.
ASSIM, QUE RETORNEM AS ARENAS ROMANAS.
QUE AO INVÉS DE FERAS, TENHAMOS ANTROPÓFAGOS.
JÁ OUÇO O DELÍRIO DA PLATÉIA, A SUA ÊXTASE DEMONÍACA.
O MUNDO SERÁ PEQUENO DEMAIS PARA TANTA SATISFAÇÃO.
GLÓRIA AOS CANALHAS! GLÓRIA AOS PERVERSOS!
SEMENTES DOENTIAS DA DESTRUIÇÃO DO AMANHÃ.

No Site do Autor :http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasespiritualistas/1547972

Enviado por GILBERTO BRANDÃO MARCON às 15:47
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17 de abril de 2009

Filosofia & Fé

Acreditar ou Não Acreditar?

 


Existem momentos na vida que, pela dor, nos fazem imaginar sermos vítima de injustiça divina, seja pela falta de problemas, que nos torna insensíveis e propensos a uma alienação onde nos perdemos no próprio ego, seja ainda por se ter acesso ao conhecimento, quando questionamos tudo e, por conta da história da religião ou mesmo por avançar no saber teórico e no questionamento filosófico, nos fazemos descrentes. Não apenas rebeldes em relação à crença, mas efetivamente descrentes, despojados da fé que antes parecia ser tão fácil. Acabamos como que ateus compulsórios, como se os golpes da vida, assim como os seus sucessos, nos tornassem insensíveis àquilo que parecia ser tão simples quando ainda éramos crianças. É o que mostra o saber do filósofo macedônico Aristóteles ao proferir que o melhor caminho é o do meio. Não falo, portanto, de hábito cotidiano, de ação social, de comportamento político correto que faz da religião um mero ato de liturgia que lastreia um comportamento social adequado. Também não critico isso, não cabe a mim fazê-lo. Falo de decisão íntima, de coração apertado, de franqueza consigo próprio, de dúvida existencial, de questionamentos inquietantes, de dores que se tornam insuportáveis. Neste caso não cabe ser "morno", pois os questionamentos atuam como invasores. Não se trata de um combate, mas a sensação é de última batalha. Na realidade serão muitos os combates. É quando acabamos despossuídos de fé, e Freud diria que o sentimento religioso surge de nossa necessidade de consolação: esta seria uma boa explicação para eliminar a crença. Que fazer? O certo é que passando ou tendo passado por tais circunstâncias, não se fica isento de decisão: ou acaba tendo a fé extirpada ou acaba se decidindo por ela, mas é antes uma decisão solitária. Num contexto de liberdade de opinião, eis um dos entroncamentos da trilha da vida. Cheguei à minha decisão particular, optei pela fé no Criador, mas não discordo totalmente do Pai da Psicanálise, pois existe uma necessidade interna de querer crer que exista o Criador; é preciso que Ele exista, muitos significados nos levam a esta percepção. Não o imagino, pois sou efetivamente limitado para formar o que Ele seria com o que tenho à disposição de minhas emoções e razão. Assim, humildemente o pressinto, e recorro a Mário Quintana que disse que o importante não é a gente estar feliz com Deus, mas Ele estar feliz com a gente. Longe de manipulações, longe dos interesses utilitários, fui construindo minha decisão, e desses momentos faz parte o meu texto "Ainda Assim, Deus", do qual não espero prosélitos ou adeptos, mas quando muito, se possível, contribuir em favor, ou até mesmo contra, com aqueles que compartilham comigo na leitura do teor destas letras.

 
Ainda assim: Deus.
Por maior que seja nossa tristeza,
por mais profunda que seja nossa amargura,
Ainda assim, não nos cabe renegar a Deus.
Mesmo que a labuta do dia a dia nos mortifique a fé,
mesmo que as frustrações
desmobilizem a nossa esperança,
mesmo assim
é melhor acreditar
na possibilidade de justiça do Criador.
Que nossas afeições não sejam correspondidas,
que nossos amados nos reneguem,
que sintamos a dor da incompreensão,
que não tenhamos o consolo do reconhecimento,
mas que nunca percamos a crença
na possibilidade do infinito amor do Criador.
Que não consigamos compreender,
que nos rebelemos ante a vulnerabilidade do bem,
que julguemos ingênuos
os preceitos de uma sociedade superior,
imaginando ser delírio,
ainda assim
é melhor reconhecermos a própria ignorância,
o nosso limite de saber.
O que toma conhecimento de uma migalha de saber
reconhece antes a própria ignorância.
É justamente essa sensação de não saber
que é mola propulsora na busca pela verdade.
É a busca pela verdade que faz nascer a razão
que é a verdadeira mãe dos justos.
Estar na busca pela afeição divina
é o meio de transformação
do servo em filho de Deus.
O justo é o servo. O sábio é o filho.
E o sábio é aquele
que equilibrou a razão com a emoção.
Saibam, entretanto, que a justiça
só existe em função da misericórdia.
Não fosse assim estaríamos condenados
pelos pecados da nossa ignorância.
Somos escravos das vivências efêmeras
enquanto não ressuscitarmos para a eternidade.
São os espíritos esgotados dos instintos
que almejam a liberdade das virtudes.
A questão é que os desejos de libertação,
antes da possibilidade efetiva,
são pensamento e emoção batizados pelo ideal,
mas só transformados pela realização.
Não é suficiente a idealização, não basta querer,
tem-se que realizar através da experiência.
Então concluo:
Deus é o todo,
e eu ínfima parte que me aproximo de nada.
Deus é o único Pai e eu sou filho
desgarrado pelo orgulho e vaidade.
Deus é o próprio amor em sua origem,
eu sou prisioneiro da impulsividade do ódio.
Deus é justiça viva através de sua lei,
eu sou aprendiz lutando contra minha cegueira.
Deus é o saber por ser a alma da verdade,
eu sou vontade em busca constante.
Deus é paz por ser a alma do equilíbrio,
eu sou guerra por viver no caos do conflito.
Deus é o congregar gerando perfeita harmonia,
eu sou individualidade dissonante.
Deus é ilimitado
e eu sou limite lutando contra a impotência.
Deus é infinita beleza
e eu tento lapidar a minha restrita feiura.
Deus é a certeza de bem
e eu sou dúvida tentando adquirir suficiência.
Necessário é tentar entender Deus,
necessidade que luta com a impossibilidade.
Menos difícil ,talvez, seja senti-lo,
imaginá-lo como visitante
em nosso pródigo coração.
Descobri-lo na solidão de nossas dores,
sentir seu amparo e sua silenciosa consolação.
Tê-lo como divino remédio
que anestesia as mais profundas feridas da alma.
Tê-lo como oásis de águas benditas
que saneiam as dúvidas e a sede por justiça.
Reconhecendo toda minha falta de saber,
mas perseverando na esperança de entendimento.
Mergulhando o olhar
no romper das sagradas auroras,
enchendo-se de respeitoso silêncio,
Conversando pela oração que nasce no peito,
pela prece que ilumina os olhos umedecidos.
Sonhando com o dia
em que o velho servo reconhece a sua origem
e o seu destino de ser filho.
 

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12 de abril de 2009

Filosofia & Fé

Páscoa - Dia da Liberdade

Domingo de Páscoa. Evento nascido como festa pagã para comemorar a chegada da primavera. E só por isto já valeria a pena.  Estação das flores, da vida que renasce em seu ciclo de transformação contínua. Vida que ainda tem a suavidade espiritual do amor, em contraposição à sua intensidade passional dos dias de verão. Páscoa simbolizada no ovo. Nada mais justo do que o ovo, ali o nascimento se faz a olhos vistos; não está dentro do ventre, é externo, podemos observar o filhote. O eclodir do ovo com o filhote rompendo a casca em direção à vida. Daí o ovo tratado com símbolo da vida, vindo lá das terras dos armênios, logo ali, pertinho dos russos. Ovo de gansa, pata ou galinha, mas que na França do século XVIII virou confeito de chocolate, porém, devedora do cacau descoberto no Novo Mundo, e já manipulado por maias e incas. Eis aí algo globalizado. Páscoa ,época da libertação da escravidão dos hebreus em relação aos egípcios, o povo que ficou livre do mando de outro povo, conduzido por Moisés. Assim começava a caminhada para a terra prometida. Páscoa, onde aquele que foi morto na cruz da vergonha a converteu em símbolo de fé; o primeiro a ressurgir dos mortos, e Jesus concluiu sua missão de Cristo, libertando o espírito do jugo do corpo, mostrando haver vida após a morte. Eis a ressureição. E a terra prometida deixa de ser um pedaço de solo na geografia do mundo para se tornar a promessa do solo espiritual do Reino de Deus. E, talvez, nisto tudo exista uma lógica, que não é humana, que nos confunde, que nos deixa tão inquietos; como pequenos, verdadeiramente pequenos, humildes como são os ingênuos, humildes sem sermos humilhados, humildes por parecermos entender nossos sonhos de criança, e nossa necessidade de sonhos conforme se aproxima a velhice. Moisés deu liberdade para o corpo. Jesus libertou do corpo ensinando o caminho para o espírito. Por isto, Páscoa deveria ser o Dia da Liberdade. Se no Natal nasceu o Salvador, na Páscoa ele se consagrou em sua missão. E hoje nos convida a voar em sua direção, como que "Ave dos Sonhos".
 

A Ave dos Sonhos


Relacionamentos e vínculos. Laços e ligações.
Alguém é prisioneiro. O ser está subjugado.
Um corpo, um organismo biológico.
Existe uma chama eterna, uma fagulha de luz do Criador
que habita uma massa orgânica.
Sublime organização celular.
Morada de departamento especial, o aparelho cardíaco.
Um coração que pulsa e comanda o ritmo da vida corporal,
habitáculo de emoções,
Portal dos sentimentos,
anjos mensageiros da sensibilidade,
da visão integral do cérebro.
Um único ser e suas duas partes básicas,
da dualidade às dúvidas, a ambigüidade do todo.
Gaiola dourada de uma ave imaginária
chamada liberdade. Ave que por vezes faz-se fugitiva,
para então voar muito alto.
Para fugir do cotidiano, para desvendar o eterno,
para encontrar o céu.
Voa a levar para muito longe a angústia
e para tentar encontrar novamente a pressentida felicidade.
Voa sem barreiras,
convertendo o seu corpo em simples fluído,
ganhando consistência etérea,
Do ser mantendo unicamente a alma,
longe, muito longe, lá de cima a observar o velho planeta.
Voa mais, vai ainda mais longe
e então as muitas esferas ,
e dentre elas a bela jóia terrestre.
Visão impactante,
não sabendo se atingiu a sublime lucidez
ou a suprema loucura.
É o pássaro que brinca num voo arriscado
sobre a garganta de um imenso abismo sideral.
Um desafio, a sensibilidade extremada
a provocar dúvidas e conclusões da limitada razão.
Necessário estar pronto para receber novas idéias,
estar disposto a criar novos pensamentos.
Essencial ter discernimento,
ter sobriedade para diferenciar
o que é realidade do que é mera ilusão.
Urgente é aprender, é conviver com o infinito,
sem perder a capacidade de viver no limitado cotidiano.
É preciso profunda serenidade para ver a aurora da eternidade
sem perder por completo a razão.
Maravilhoso é ser nutrido pela sensação
de pressentir o ato da criação em expansão,
o encanto do movimento.
Sentindo-se acolhido por presenças invisíveis,
talvez anjos amigos,
ou quem sabe apenas obra da imaginação.
Desvendando as primeiras lições sobre a força e a fragilidade, aprendendo sobre o todo e a divisibilidade.
Percebendo toda a força que habita a sua individualidade,
mas integrando-se ao todo de onde é apenas parte.
Tomando, assim, a ciência de sua grande busca,
a sua longa procura que já ocupou muitos dos seus dias.
Pressentindo que de alguma forma
um dia encontrará as respostas
para as dúvidas que o afligem.
Tendo fé, comungando em oração,
crendo que tudo isto um dia chegará a uma conclusão
e terá um fim.
Avistando a imagem do tempo
como um velho senhor, um senil guardião
a guardar os grandes mistérios.
Tendo a chave que abre a porta
para a visão do supremo segredo da evolução do universo.
Para tanto é mister despojar-se de si,
 da própria pequenez, para ter a grandeza que integra o todo.
Mas não revela-se tudo de uma única vez.
Tamanha liberdade parece levar à profunda exaustão.
A ave está realizada,
mas sente que é hora de voltar para o seu ninho corporal,
necessário respeitá-lo.
Agora já não mais é prisioneira,
a porta da gaiola há de ficar aberta.
Não mais a fuga,  apenas o passeio.
Indo e vindo, sabendo o momento de estar em casa,
mas tendo a certeza da sua liberdade eterna.


RESSURREIÇÃO É A CONQUISTA DA LIBERDADE MERECIDA, É O RETORNO DO FILHO À CASA PATERNA.


FELIZ PÁSCOA


Enviado por GILBERTO BRANDÃO MARCON às 11:18
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11 de abril de 2009

Cultura & Costumes

Malhação de Judas – “Eles não sabem o que fazem”



Sábado de Aleluia. E por aqui e por ali, vamos ter cenas lamentáveis, que sob a justificativa de evento cultural haverão de produzir um boneco para ser apedrejado, massacrado, explodido ou implodido, sei lá. O fato é que o ritual de justiça com as próprias mãos será praticado com sua didática perversa, com alguns marmanjos ou marmanjas conduzindo crianças para a festa onde se poderá exercer a violência dos instintos de forma lúdica. Apenas uma brincadeirinha.
Olhando de modo analítico a situação, este chato metido a analista percebe que talvez isto esteja associado à falta de justiça de nosso país. É claro que culturalmente é um evento tolo, mas segundo os seus praticantes, muito divertido. Sim, a justiça brasileira, ao punir os crimes, mesmo os hediondos, nos dá a sensação de que é algo impotente, e cada vez se expande a idéia de que o crime compensa.
Antes era apenas para os altos escalões, ficavam imunes apenas os grandes calhordas, mas o crime organizado aprendeu a acumular capital, e este serve tanto para corromper, como para comprar os serviços de doutores, advogados formados nas melhores faculdades. Com isso se democratizou a impunidade, de bandidão até bandidinho, são todos tratados como se fossem umaespécie de idealistas políticos perseguidos por um estado ditatorial.
Aliás, é estranho que neste clima de impunidade o infeliz do Judas, a apóstolo que imaginou que Jesus deveria ser provocado para se defender e ocupar assim o lugar do messias guerreiro, tão esperado pelos judeus dominados naquele momento pelos romanos, justamente Judas, o tesoureiro dentre os apóstolos, o indivíduo que cumpriu o papel de ser o mediador entre Jesus e a cruz, que enforcou-se por conta do seu feito, sem aproveitar a sua tosca premiação, enfim neste país de impunes, somente o Judas não escape da sua pena que já dura pelo menos dois milênios, um eterno condenado, não apenas em vida, mas também em memória.
O fato é que seja o cidadão ilustre, seja o cidadão marginal, ambos almejam justiça; às vezes mais para os outros do que para si, aliás se ao invés de ficar dando porrada em um boneco eles lessem o Evangelho da vítima do tal Judas, verificariam que este aconselhou que se amassem aos outros como a si mesmo. Se isto ocorresse, conseguiríamos transcender nosso próprio egoísmo, e a polícia teria muito menos trabalho. Aliás, se acharmos Jesus demais, basta fazermos uma visita aos Dez Mandamentos revelados a Moisés e poderemos observar que a justiça também teria menos trabalho. Mas, imagina fazer isto! Dá muito trabalho. No mais, se expande cada vez mais a idéia que Deus adora os dizimistas, e que esta fé operativa tem sua simpatia. Dia haverá que as instituições religiosas disputarão os criminosos para fazerem a sua conversão.
Creio que o tal Judas paga pela impunidade, em algum sentido este personagem acabou por fazer o papel de saco de pancadas bíblico. E aí, o mais estranho é que espancam simbolicamente o tal sujeito, contrariando justamente o preceito de sua vítima que se sacrificou para provar a necessidade do perdão. Pobre do crucificado, deu a vida por sua missão e ideal, e seus supostos defensores praticam em sua defesa exatamente o que ele se mostrou contrário. Cristo é um enigma a ser decifrado; não é fácil entender Cristo. Assim, parece que ao invés de se adaptar às suas difíceis diretrizes, o ser humano o recriou, como espécie de Super Deus, de Super Homem, de Super Mágico, de oferenda sanguinária para aplacar Deus, e os demais ficarem livre dos pecados sem nada fazer. Enfim, sei lá. Sei que a malhação do Judas não tem afinidade com o Evangelho, aliás o que é que ultimamente tem afinidade com o Evangelho? Para falar verdade a coisa está tão estranha que conheço ateus que têm atitudes efetivamente cristãs, e também cristãos que efetivamente nada têm a ver em relação a Cristo. Houve arenas, feras e perseguição, de fato o número dos prosélitos diminuiria bastante. Talvez tudo isto seja apenas a construção de um quadro apocalíptico em que o homem ainda não percebeu que não se trata de castigo divino, mas efeitos da sua própria ação. Afinal, para infelicidade dos espertos a natureza não é hipócrita, segue através dos séculos as mesmas leis.
Pensando bem, é melhor deixarem de malhar o boneco; a psicologia explica: é um substitutivo, possivelmente muitos que malham o traidor seja até pior que ele. Por fim, o Judas acaba se unindo a Jesus em missão de aplacar a fúria da turba. A diferença é que Jesus renunciou à vida pelos pecadores, já Judas, mesmo suicida, foi julgado pelos seus iguais. Ambos morreram e deixaram a memória, que dia será também a nossa herança definitiva.
 

Enviado por GILBERTO BRANDÃO MARCON às 14:29
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10 de abril de 2009

Religiosidade

Sexta Feira Santa - A Morte da Verdade

Aqui não se pretende uma discussão teológica, mas antes reflexiva. Neste sentido, ao ler aquilo que está exposto no texto bíblico nos parece ficar claro que Jesus assumiu claramente que era responsável por trazer a "boa nova", o que tem ligação com boa notícia, com novidade. Não qualquer notícia, mas atuava ele no papel de mensagereiro mais qualificado do Deus Único revelado anteriormente por Moisés aos judeus, e que como tal constituiu uma imagem para o Jeová. Cristo afirma que não veio para desmentir a Lei  tal como era conhecida a revelação, mas pelo contrário, fazê-la ser cumprida. Ou seja, ele não se dispôs a produzir uma revelação à parte, mas sim dar continuidade a algo que o havia precedido há mais de 1000 anos. Chama para si a responsabildade de ser o Prometido, nas escrituras de lei que mantiveram-se vivas na consolidação da nação Israelita. O problema é que o Deus Único, antes nacional, na boca de Cristo ganhava tom de deus universal, de criador de todos. Assim, era como que tomar o deus de uma nação e entregá-lo às demais. Pior do que isto, Israel por esta época estava dominada pelo poderoso Império Romano e assim, se houvesse um Messias, o que os israelistas desejavamm era alguém de têmpera belicosa, capaz de confrontar os romanos dominadores, e não um pacifista dono de uma doutrina supra-humana, que implica antes a renúncia do que o confronto. Foi isento pela lei romana, mas condenado pelo Sinédrio, tribunal religioso dos judeus, por blasfemia, já que insistia em se dizer filho de Deus e sua vida ser o cumprimento da promessa. Jesus efetivamente era um guia para um conhecimento maior, acima daquele que se tinha até então. Seu objetivo era um viver coletivo via conscientização, algo que ainda hoje parece ser mera utopía. Não visou a conquista do Reino físico, e afirmou, entretanto, ser rei de um reino espiritual. Mas o ser humano não estava, e parece continuar não estar, preparado para isso. O sacrifício de Jesus não é entendido como algo para manter sua mensagem viva, mas antes é entendido dentro dos preceitos de uma espécie de oferta para acalmar a ira da divindade, tão comum nos cultos da antiguidade. Hoje, converter-se acaba por ser um mero ato de adoração, que muitas vezes não implica novo procedimento, não implica transformação. Enfim, crucificar Jesus é algo que pode ser abordado como a recusa da "boa nova", matar a nova revelação, e que poderia de fato ter ocorrido, não fosse o evento transcedental de sua ressurreição. O fato é que nesta altura vemos que cada um faz o que quer com Jesus, inclusive sendo ele o guia supremo das consquistas materiais, retomado como divindidade particular. Mas isso tudo diante da anestesia reflexiva de uns, do desânimo que transforma muitos em ateus, acaba por ser o combustivel para criações estranhas. Mas enfim, Deus é liberdade, inclusive para a ignorância que crucificou a verdade, que transcedeu o corpo morto por ser espírito. Pode-se discutir, ou abordar os acontecimentos segundo visões diferenciadas, entretanto, a efetiva verdade será sempre uma só, não se trata de dogma, mas de verdade da qual a razão não consegue estabelecer certeza, enquanto que a fé parace escolher caminhos distintos. O texto "Moinhos de Vento" é uma busca de traduzir esta percepção em símbolos, que haverão de ser lidos pelo coração de cada um.

 Moinhos de Vento

Uma folha em branco, desnuda de qualquer sinal gráfico.
Várias folhas virgens e o vento do tempo a atiçar as fraternas folhas.
Acusando a sua existência um velho moinho com cara de helicóptero.
As páginas dos dias da existência
escrevendo diariamente a história de cada um.
E deixando o pensamento criar asas,
vendo os dias correndo à mercê dos ventos.
Esperança de liberdade para os que entendem o tempo,
desespero aos que não o compreendem.
Trazendo-lhes o terror da chegada das primeiras rugas do corpo
que há de cair ante a velhice.
Fazendo-os ver o destino como um terrível carrasco
com o seu poderoso chicote inevitável.
Descobrindo com amargura o quão efêmero
é o suposto controle que exercem sobre a vida.
Pondo à prova a própria arrogância, tão ínfima ante a força da morte.
Tudo dizimado a nada.
Então ironia, um certo riso piedoso,
 para depois render-se à toda acidez do sarcasmo.
E então rir penalizado de si,
rir-se vingativamente dos outros,
para depois chorar copiosamente.
Vendo pelas frestas do pensamento
sermos vítimas e algozes fraternais uns dos outros.
Meros viajantes, intempestivos aventureiros a vagar pelas trilhas desenhadas pelo destino.
Cheios de orgulho e vaidade,
enceguecidos pela auto-estima superlativa;
crianças travessas.
Grandes em curiosidade,
perdidos por entre as imensas dúvidas pelas páginas ainda vazias.
Propensos ao comodismo das verdades impostas,
fugitivos das dores, amantes dos prazeres.
No ponto limite entre a razão e a ignorância,
na fronteira entre a civilização e a brutalidade.
E o vento acusando a sua chegada,
o movimento assustador daquele maldito moinho do tempo
com suas engrenagens girando sem piedade,
seguindo a mecanicidade da lei estabelecida.
Sendo assim tão implacável
como condicionado aos ventos,
e talvez nisto tendo algo de bendito.
Um porto seguro em meio à grande tempestade.
Um ponto de referência em meio ao caos.
Uma inflexível imagem que não se sabe bem 
se é uma promessa de dádiva ou sentença
mas, ainda assim, sendo algo constante
em meio ao confronto de muitas forças desordenadas.
Uma sutil fonte de água pura
em meio à intensa aridez de um imenso deserto.

 

Enviado por GILBERTO BRANDÃO MARCON às 18:27
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08 de abril de 2009

Tempos Modernos

O Super Homem

Estranhos tempos vivemos em nossos dias onde a cada segundo somos exigidos. Tempo em que o homem, o indivíduo do sexo masculino, se sente por vezes acuado. O homem antigo se foi e o homem novo ainda não surgiu efetivamente. Entretanto, burocraticamente ele continua a existir com toda a cobrança das suas tradicionais funções, aliás é classificado por níveis de funcionalidade. Saudades dos tempos antigos? Não, desconfiança do tempo futuro? Preocupação inútil? O tempo é tão escasso, que refletir parece um crime, mas ainda que seja, a expectativa parece ser de um 'super-homem', um ideal inexistente, um ser cheio de vulnerabilidades, que sobrevive do mito da sua auto-suficiência.


O SUPER HOMEM

O contexto social, a expectativa a se cumprir, o papel masculino.
Protótipo com os acessórios da virilidade,
um objeto e suas características.
Além da humanidade, extra homem ,
super homem, hiper homem, mega bobo.
Pungente guerreiro espartano,
miliciana individualidade, servil obediência.
Cavaleiro medieval em sua armadura dourada,
ágil ginete e seu corcel branco.
O combatente cheio de despojado heroísmo,
príncipe encantado no seu belo cavalo.
Muralha de pedra, poderoso escudo de ferro,
no peito batendo um frágil coração de carne.
Olhos de águia, o olhar do imenso predador felino,
os aguçados olhos do caçador;
Mas também olhos que ganham doçura infantil, ar de meninice,
no encontro com o afeto feminino.
O corpo forte, os músculos bem formados, a força e a destreza,
o desenho com linhas rudes,
Mas ali dentre habita um espirito e este sensibiliza as emoções,
lapida pensamentos.
Nem o cavalo indomável, nem um serviçal burro de carga,
antes de tudo um homem.
Nem a força infinita, nem a fraqueza total,
mas uma essência enérgica e competitiva.
Longe de serem todos iguais,
existem os de natureza de fogo, de água, de terra e de ar.
Mais decididos, mais emotivos, mais práticos ou mais sensíveis.
Todos homens.
Imponente castelo ou tosca fortaleza,
lá dentro podem guardem jardins ou pomares.
Sagrados conventos ou sisudos mosteiros,
podem guardar proteção e segurança.
Solo duro e por vezes árido,
podem trazem a oculta fertilidade dos veios subterrâneos.
Estúpidos nas suas cruéis e brutais batalhas,
sensatos na união que os leva a construir.
Violentos quando enceguecidos pelos instintos,
dóceis quando ganham a visão das virtudes.
Velhos guerreiros dia haverá que banalizaram os louros das glórias,
reconhecerão sua efemeridade.
Deverão ser pacíficos e não passivos,
terão aprendido serem sensíveis e não femininos.
Continuarão a ter a dignidade do carvalho
que tomba mesmo ante a tempestade de contrariedades,
Mas verão virtude e graça na palmeira
que curva-se para sobreviver as intempéries do mal tempo.
Equilibrarão inflexibilidade com flexibilidade,
substituirão a violência da punição por justiça educativa.
Serão alimentados por suas mulheres,
aprenderam com elas, ensinaram a elas.
Pois que homem e mulher, não é competição,
antes de tudo é complemento.
Feliz daqueles que trocam a árida exigência
pela compreensão e boa vontade.
Sabendo que parte da verdade de cada um reside no outro.
Sabendo que sozinhos são inférteis,
mas que juntos são princípio de criação.
Concluindo não existir super homem,
mas apenas a faceta humana masculina.
Que aprendam reconhecer as virtudes
e estas transformarão os pecados.
 

Enviado por GILBERTO BRANDÃO MARCON às 00:09
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06 de abril de 2009

Qualidade de Vida

A neurose das horas

Desde que o patriarca da administração F. Taylor resolveu adotar as horas como meio para medir a produtividade, parece que o relógio de ponto saiu dos limites das empresas e passou a dominar o nosso cotidiano, pequenas miniaturas invadiram os nossos braços e como que robóticos somos constantemente acionados pelo girar impessoal dos seus ponteiros, numa inversão de criador e criatura, é assim que sem percebermos vivemos sob esta autoridade silenciosa, trabalhamos, e trabalhamos, e nunca estamos saciados de tanto trabalhar, não temos tempo para nada, a não ser trabalhar, foi-se o tempo onde a indolência permitia pensar, hoje só trabalho, e não adianta fugir, esta lá no fundo da nossa consciência a nos cobrar, a ponto de nos sentirmos culpados quando descansamos. Foi neste sentido a construção do texto "O Império das Horas" uma crítica a esta nossa mecanização. Sim, viva o trabalho, mas é necessário aprender se recuperar, refletir e viver, para quando aposentados não concluirmos que há um vazio que prenuncia que a vida acabou....



O IMPÉRIO DAS HORAS


Marcha! Um, dois...um dois...
Pés pisoteando com fúria o chão do caminho.
Olha o tempo! ... Olha o tempo!
Acelerado! Acelerado! Marche!
Corre! Corra! Corram!
Os corações parecem dobrarem-se a caimbras,
Os músculos descoordenam-se em movimentos epilépticos,
A suprema obrigação. A ordem a ser cumprida.
Não pense. Não questione-se.
Respostas e verdades podem ser heresias.
Toma cuidado com as palavras ditas,
Podem ser o sua confissão de culpa.
Mãos de aço podem adornar-lhe a garganta.
Vamos! Andem! Vamos molengas!
Estão todos atrasados. São todos uns perdedores.
Temos que vencer, mas estamos atrasados.
Temos que chegar no horário, mas somos perdedores.
Aqueçam os músculos, esfriem a alma.
Sonhos são inúteis, sejam práticos,
Sejam heroicamente tolos,
Finjam-se se ingênuos como estratégia de esperteza.
Transforme em dinheiro a sua criatividade.
Enrede-se no novelo de comprar e vender.
Todo o saber por uns míseros trocados.
Entretanto, por um instante, parem!
Segurem estes malditos segundos,
Esmurrem esta boca que não para de emitir ordens,
Depois caia de joelhos e peça clemência.
Com lágrimas nos olhos, engula alimentos e líquidos,
Fica muito feliz por tê-los, pois a miséria é terrível,
Tema a falta de recursos, não reclama ao desprezo,
Agradece a tudo, agradece a todos,
Se não quiser agradecer, ao menos finja,
Premia com sua hipocrisia o orgulho alheio,
Para depois receber em troca toda merecida indiferença.
Não esqueça de bater continência as estátuas das praças.
Planta um sorriso imbecil na sua face, seja aceitável,
Seja tolerável, tente agradar, não julgue a nada,
Esqueça as suas inquietantes dúvidas
E por fim, nada de lágrimas,
Escancare os dentes e sorria.
 

Enviado por GILBERTO BRANDÃO MARCON às 19:00
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05 de abril de 2009

A Metodologia através da Poética

A Descoberta da Subjetividade pela Livre Associação

 

Dentre meus afazeres ministro aulas de Metodologia. O que a princípio pode parecer ser algo um tanto chato, pode se transformar em satisfação quando se adquire o gosto pelo conhecimento. Uma grande dificuldade dos alunos é entender a idéia de subjetividade e objetividade, preceitos essenciais para o aprendizado da metodologia científica. Pois bem, o resultado deste trabalho está em meus artigos e produção acadêmica; neste espaço gostaria de usar o método da liberdade, assim visando ensinar um pouco sobre a subjetividade para quem quiser exercitar proponho um jogo poético. Em busca da livre associação de idéias, se propõe um objeto, e deste se passa a produzir as ligações de idéias que vem à mente. Isto possibilita trazer para a concretude do mundo, uma faceta da subjetividade de cada um, esta idéia é antiga, e esteve em texto que produzi quando ainda fazendo a universidade me divertia divagando em idealizações; eis aí  o " O Ser e as Bolas", que teve como objeto de partida uma bolinha de gude.

 
O SER E AS BOLAS

Uma bolinha de gude a rolar entre os dedos.
Aguçando as células táteis, inquietando os pensamentos.
Sensibilizando o cérebro, desenvolvendo muitas imagens.
Rola pequena bolinha de vidro, com seu brilho falso de pedra preciosa.
Com sua superfície lisa tocando o acidentado relevo da geografia mental.
Rola como que rolo compressor,
como força viva cheia da própria onipotência.
Rola singela e pura,
como que os dogmas indigestos pelas gargantas dos retraídos
Invadindo o passivo e pobre esôfago,
indefeso ante a força ativa do reles cotidiano.
Rola cheia de astúcia, imitando o mito do “Cavalo de Tróia”,
penetrando no interior,
Explodindo em muitos pedaços,
fingindo-se de presente, enquanto rouba a saúde.
Fazendo-se mãe de outras tantas minúsculas bolinhas,
incômodas e ínfimas esferas,
A bolinar a cabeça daquele que pensa-se poeta,
criando conclusões geniais ou obtusas.
Levando a crer, que quem nasce bola será sempre bola,
confundindo e intrigando,
Gerando um enigma tão discreto que é indecifrável,
uma redundante redundância.
Mas que em meio ao caos, um ponto fixo,
a bola das pupilas dos imensos olhos,
Com suas belas e suaves curvas,
trazendo a lembrança do contorno das montanhas,
Despertando para a inspiração
das mágicas e artísticas curvas do perfil feminino.
Fazendo assim o sentimento ser o feroz feitor da razão,
escravo das doces sensações.
Debelando a criação que desejava ser filosofia
transformando-a em pretensa poesia.
E a poesia transformando o poeta em pintor,
tendo a visão de um quadro de muitas bolas.
Um vivo e constante mesclar de muitas cores,
uma impulsiva atração entre as tantas tintas.
Perdendo-se assim do dia a dia,
perdendo o olhar na visão do céu e seu fervilhar de estrelas,
Vendo a imagem da bola planetária
a girar perdida em meio a tantas outras bolas.
Sentindo que os pés fogem do chão,
pensando ganhar asas que efetivamente não tem.
Ficando obstinado pela importância tão essencial
que esta oculta nestas tantas bolas.
Naquilo que elas têm de ínfimo
a contrapor-se a sua impalpável alma mergulhada no infinito.
 



Enviado por GILBERTO BRANDÃO MARCON às 23:47
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 ALEXA
Dandra Renata
Dandra

Mauricio Oliveira da Silva
Mauricio
Alaynne da Silva Viana
Alaynne





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