19 de janeiro de 2012, às 11h27min

Artesãs da Paraíba criam peças inspiradas na obra de Augusto dos Anjos

Mulheres de assentamento na cidade de Sapé descobrem no ofício uma opção de trabalho

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Por Luciana Oliveira , Agência Sebrae
 
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Retirar o barro da natureza, amassar e transformá-lo em arte. Há pouco mais de um ano, mulheres do Assentamento Santa Helena, no município paraibano de Sapé, aprenderam a criar produtos artesanais de cerâmica. Mais do que exercer um ofício, elas plantaram a semente do empreendedorismo, criando a associação "Mulheres de Augusto" e complementando a renda familiar. Suas peças retratam a história de um dos maiores poetas brasileiros, o paraibano Augusto dos Anjos.

As obras estão sendo expostas em João Pessoa pela primeira vez, no 15° Salão do Artesanato Paraibano, até o próximo domingo (22). As peças em cerâmica retratam pessoas, animais típicos da região e réplicas de prédios históricos relacionados à trajetória de Augusto dos Anjos, como o antigo engenho da fazenda Pau D'Arco, onde ele nasceu e viveu. A casa da ama de leite do poeta e a capela na qual ele foi batizado são as peças mais vendidas. Os trabalhos das "Mulheres de Augusto" ficam expostos e são vendidos permanentemente no Centro Cultural do assentamento, ao lado do Memorial Augusto dos Anjos.

A história dessas 12 artesãs começou a mudar no ano passado, quando iniciaram o curso de cerâmica, ministrado pelo artista plástico Chico Ferreira, por meio do Sebrae na Paraíba e com apoio da prefeitura de Sapé. "Foi muito interessante ensinar o artesanato a mulheres agricultoras e, ao mesmo tempo, mostrar para elas a importância de Augusto dos Anjos na nossa história", afirma Chico.

Gratificante

De acordo com a gestora do projeto Observatório Cultural do Sebrae, Maísa Duarte de Melo, a ideia de trabalhar com o artesanato de barro surgiu das próprias mulheres do assentamento. "Foi muito importante ensinar um trabalho com o qual elas se identificassem, já que fazem réplicas da vila onde vivem", diz Maísa.

Para Luana Patrícia da Silva, 22 anos, o novo ofício é gratificante. Agora, além de trabalhar como ajudante de ensino na escola do assentamento, ela põe a mão na massa para produzir as peças da associação. "Sempre tive vontade de fazer artesanato com barro. Quando soube do curso, logo me inscrevi e adorei. Já posso até ganhar dinheiro com o que aprendi", prevê Luana. 

 

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