90-2000: Década da internacionalização da economia mundial
A economia mundial apresentou um longo processo de internacionalização entre 1990 e 2000. O fim da Guerra Fria foi fator de grande importância para o desempenho da economia mundial na década de 90
Com a dissolução da União Soviética, a unificação alemã e a derrubada das repúblicas socialistas na Europa Oriental, os países ocidentais puderam implementar suas políticas sem contestação de peso. Naquele começo de década de 90, para os países do bloco ocidental, particularmente para os Estados Unidos, a derrota do inimigo de longas décadas poderia abrir espaço para um longa era de prosperidade e de paz. O sociólogo norte americano Francis Fukuyama chegou a escrever um livro em que decretava O Fim da História, diante da vitória dos modelos ocidentais de democracia e livre-mercado.
Na prática, a dissolução da União Soviética não abriu espaço para uma era de paz, desenvolvimento e estabilidade. Eventos como o genocídio de Ruanda (Angola-África) e a guerra dos Balcãs (Albânia-Europa) em meados dos anos 90; as crises financeiras do México, da Ásia, do Brasil e da Argentina; o boom dos mercdos financeiros e o estouro da bolha em 2000; os ataques de fundamentalistas contra os Estados Unidos e a consequente reação norte-americana no Afeganistão e no Iraque, etc, são exemplos de que uma ordem de paz e prosperidade está muito distante.
Cabe esclarecer que o processo de golbalização em curso ainda está longe de atingir o nível de internacionalização daquele verificado entre 1875 e 1914. Em 1996, os Estados Unidos, a principal potência econômica, auferiram ganhos financeiros com as transações internacionais da ordem de 3% do PIB, enquanto os investimentos externos atingiram aproximadamente 25% do PIB. Já na Inglaterra, quando era a principal economia do mundo, antes da Primeira Guerra Mundial, a parcela do capital aplicado no exterior era de aproximadamente 40% e apresenta um longo caminho para que a globalização em curso consiga aitingir níveis de internacionalização do período 1875-1914.
Serão discutidos aspectos da evolução econômica entre 1990 e 2004 (primeiro ano de Plano Pluri Anual do governo Lula). A evolução do PIB, o comércio internacional, os fluxox de investimentos, a concetnração do capital e a financeirização da economia serão tratados.
Entre 90 e 2001, a economia mundial apresentou taxas de crescimento relativamente baixas, se comparadas com aquelas da Era de Ouro. No entanto, conforme se pode observar, esse crescimento variou segundo a característica de cada grupo de país, como é o caso da diferença de desenvolvidos e em desenvolvimento, mas também entre países em desenvolvimento. Chama a atenção o crescimento anual médio da China e da Índia nesse período, de 10% e 5,9%, respectivamente. Por outro lado, Japão apresentou um crescimento bem inferior à média mundial e também em relação aos Estados Unidos. Esse último, por conta das políticas implementadas na gestão Clinton, atingiu um patamar elevado para países desenvolvidos da ordem de 3,4%.
Não se pode, no entanto, fazer uma análise mais profunda do crescimento do PIB sem lançar mão do conhecido conceito de Divisão Internacional do Trabalho- DIT. O crescimento dos Estados Unidos pode, em parte, ser explicado pelo enorme déficit administrado por aquele país e pelas facilidades de escala que lhes são propiciados pelo uso da sua própria moeda como padrão internacional de troca. O crescimento menor do Japão se explica por motivos semelhantes. Primeiro, a necessidade de sustentar a moeda norte-americana; segundo, pelor elativo envelhecimento de sua população; e terceiro, a existência de enormes ativos de poupança em sua economia, que tendem a reduzir o consumo.
Em relação à China, o elevado patamr de suas taxas se explica pela atual tendência daquele país a tornar-se a oficina do mundo. Há 30 anos que a China vem sendo a maior produtora de bens manufaturados do mundo. Em virtude de seus rendimentos serem muito disttribuídos, a China apresenta uma mão-de-obra muito barata se comparada ao mercado internacional. Portanto, a aceitação pelas autoridades chinesas de um papel de fornecedor industrial dos mercados desenvolvidos tem, como efeito interno, elevados ritmos de crescimento, até que se tenha processado por completo a concentração de renda no modelo das sociedades ocidentais.
Há uma tendência da redução do diferencial das taxas, que se expressa no índice do PIB de diferentes países. Essa aparente convergência não se confirma para o caso da Coreia do Sul, a qual apresenta uma tendência para crescer maior que a dos outros países incluídos como Estados Unidos, Japão e Alemanha. Do ponto de vista da DIT, isso indica que a Coreia do Sul é industrialmente subordinada àqueles outros, apesentando um papel complentar.
O consumo de energia é um indicador importante do consumo geral e da capacidade industrial de um país. Os Estados Unidos consomem várias vezes a energia do resto do mundo, particularmente em termos per capita. O consumo energético condiciona fortemente o papel de um país no comércio exterior, porque limita o diferencial de preço dos produtos que pode exportar. Do ponto de veista da evolução do consumo, merece destaque e Coreia do Sul, que cresceu 11,5 vezes. O Brasil, no mesmo período, cresceu 2,5 vezes. Economias maduras têm desempenho menos significativo. Os Estados Unidos, por exemplo, cresceu 1,5 vezes.
Entre 1980 e 2003, o comércio mundial apresentou um crescimento de 280% em termos de preços. Do ponto de vista do volume e do valor nominal, entre 1990 e 2003, o comércio internacional dobrou. Pode-se observar nesse período algumas flutuações decorrentes de crises interncionais, conjunturais e do movimento da depressão do período 1973-1996. aliás, como é característico das grandes depressões, o comércio exterior tende a se intensificar com os países em desenvolvimento, sem que ocorra, no entanto, uma valorização das matérias-primas e insumos em geral. De fato, valorizaram-se notavemente nesse período apenas o petróleo e o açúcar, verificando-se, por fim, que apenas dobrou o valor nominal do comércio.
Um dado importante diz respeito ao desempenho do comércio diante do PIB mundial. Pode-se constatar, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio- MDIC, que o comércio internacional cresceu em um ritmo superior ao crescimento do PIB mundial. Isso indica que ocorreu, no período de 1989 a 2002, uma internacionalização maior das economias nacionais. enquanto o PIB cresceu em média 3,1% ao ano, o incremento do comércio foi da ordem de 6,1% ao ano.
Outra característica relevante do comércio intenacional é o expressivo volume do comércio intrafirmas ou corporativo. De acordo com o órgão da Organização das Nações Unidas- ONU que monitora o comércio internacional, a UNCTAD (sigla em inglês), 1/3 do volume do comércio global é feito entre as matrizes e filiais das empresas transnacionais. Nesse aspecto particular, as empresas tendem a pressionar os governos locais com o objetivo de homigeineizar marcos regulatórios evitando distorções resultantes de diferentes legislações ou barreiras tarifárias.
Analisando o comércio internacional do ponto de vista da participação por categoria de páis, nota-se que os países desenvolvidos tendem a manter uma cota acima dos 60%. Chama a atenção o alto grau de integração verificado em blocos como a União Europeia- UE, Acordo de Livre Comércio da América do Norte- Nafta e a Associação para a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico- Apec. Os bolcos em que figuram predominantemente os países em desenvolvimento, como o Mercosul e a Associação dos Países do Sudeste Asiático- Asean, tendem a depender mais acentuadamente do comércio com outros blocos, uma vez que o nível de participação do bloco no comércio total se situava ente 17% e 23% em 2002.
Duas tendências podem ser observadas no comércio intrabloco comerciais para o período 1980-2002. Uma tendência à estabilização para a Europa e para o Mercosul; outra tendência ao crescimento para a Asean, Nafta e Apec. No longo prazo, a maior dinâmica da área norte-americana de comércio internacional (Nafta, Asean, Apec), se sustentada, poderia implicar recuo lo patel das áreas mais estabilizadas. No entanto, um período de 20 anos é relativamente pequeno para assegurar as tendências do comércio intrablocos para prazos mais longos. Muitos especialistas estão convencidos de um papel futuro (leia-se anos 10 deste do século XXI) para o bloco sob influência norte-americana. Nesse sentido, ode-se supor que o deslocamento do eixo do comércio mundial do Atlântico para o Pacífico é uma tendência bastante factível.
Uma última reflexão deve ser feita sobre o comércio mundial. Entre 1985 e 2002, o volume do comércio de serviços (medido pelas exportações) apresentou uma elevação da ordem de 400%. dados de 2002 indicam que o segmento de serviços equivale a 25% do total das exportações de mercadorias. Essa questão vem se tornando crucial nos dabates sobre abertura econômica no âmbito da Organização Mundial de Comércio e de outros fóruns, como nas negociações sobre a criação da Área de Livre Comércio das Américas- Alca.
Em 1970 os fluxos internacionais de investimento externo direto totalizaram US$ 13 bi, sendo que 73% deles destinaram-se a países desenvolvidos. Dez anos depois, esse volume alcnaçava US$ 54 bi, enquanto subiu para 84% a participação dos países desenvolvidos no bolo. A partir da intensificação do processo de golbalização, na década de 1990, nota-se que o volume de investimento externo direto saltou de US$ 208.646 mi, em 1990, para US$ 1.387.957, em 2000. A crise norte-americana de 2001-2003 levou a uma contração nos fluxox, chegando em 2003 a apenas US$ 559.576 mi. Para esse período, a participação dos países desenvolvidos permeneceu em patamares superiores a 70%, com exceção de 1995, em que cai para 61%.
Em se tratando de fluxo de investimento externo direto para os países em desenvolvimento, verifica-se predominância da China como principal país receptor de capitais produtivos estrangeiros. Por conta da reestruturação econômica iniciada sob a liderança de Deng Xiaoping, esse país tornou-se o maior receptor de capitais entre os países em desenvolvimento. Saltou de 0,68%, em 1980, para o pico de 33,46%, em 2000. Em contraposição, a economia brasileira diminuiu sua participação no mercado de capitais de 22,7%, em 1980, para 5,9%, em 2003.
A partir de uma visão mais abrangente dos fluxos e do estoque de capitais estrangeiros no mundo, no que diz respeiro aos países desenvolvidos, além da participação majoritária no montante de recursos, nota-se a inter-relação econômica por conta de um valor aproximado entre o volume de capitais internos e externos. Ou seja, países como os Estados Unidos e o Japão trocam investimentos produtivos. enquanto os japoneses controlam parte da indústria cinematográfica norte-americana, capitais norte-americanos controlam parte de indústrias automibilísticas japonesas. Por outro lado, o percentual médio de estoque externo em relação ao estoque interno dos países desenvolvidos gira em torno de 125% a série, o que revela que esses países são exportadores líquidos de capital. Já para os países em desenvolvimento, essa relação é de aproximadamente 30%, ou seja, são países predominantemente dependentes de capitais externos. Finalmente, os países subdesenvolvidos aparentemente oferecem poucos atrativos para o capital produtivo. Em 2002, o volume total de investimentos estrangeiros em países subdesenvolvidos era da ordem de 0,6%.
Uma característica importante da economia mundial nos últimos 15 anos é o acelerado processo de fusão e aquisição de empresas (F&A). O capital vem se concentrando por uma série de motivos. De um lado é importante levar em consideração a rápida inovação tecnológica no período. Setores que tinham uma participação insignificante na economia, como o de software, interligação de sistemas, provedores de acesso à internet, entros de pesquisa genética, passaram a ocupar lugar de destaque na economia mundial. Em setores econômicos relativamente novos, quando são criadas inúmeras empresas, sempre se verifica um grande processo de concentração. Quando esses setores se tornam maduros, a tendência é do mercado se assentar em poucas, porém grandes, empresas.
Por outro lado, é preciso considerar o aumento da concorrência nos setores já maduros. Ramos como o automobilístico, eletroeletrônico, farmacêutico e financeiro, em que ocorre uma grande concentração de capital, estão sujeitos a uma forte concorrência. Em um cenário que apresenta grandes flutuações econômicas, como o que se vive desde 1973, e no qual não se verifica vigoroso crescimento do mercado consumidor, a tendência à concentração é inevitável.
Finalmente, cabe assinalar que o processo e a fusão, aquisição e mesmo as alianças estratégicas internacionais decorrem da constante necessidade de inovação tecnológica. Isso faz com que o ciclo de vida de cada produto torne-se cada vez menor, dificultando a amortização de custos e investimentos. Tal situação é agravada pelos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento. Esse processo demanda vultosos gastos, cria, a todo o momento, novas gerações de produtos, porém o tempo para a amortização é muito curto. Dessa forma, os grupos se fundem ou definem estratégias de alianças para compartilhar a maior parte dos custos de P&D.
O processo de concentração de capital do período entre 90-2000 destaca o pico de operações registradas em 2000, num volume de 216% maior que o de 90. Por outro lado, nota-se mais uma vez a concentração de operações os países desenvolvidos, com a participação de 75% naquele ano. Além disso, decorrente do processo de unificação, o peso da Europa nesse movimento foi de 44%. No entanto, o processo de F&A apresentou grande refluxo em 2003. Aliás, quando se verificam os demais indicadores econômicos recentes, nota-se a diminuição do processo de globalização a partir de 2000.
O volume financeiro envolvido no processo de F&A, no ano de 2000, apresentou pico com operações da ordem de US$ 1,08 tri. Dessa vez, a participação europeia atingiu quase 80%, evidenciando transações que envolveram maior volume financeiro.
Já as operações de F&A do ponto de vista do setores, entre 1987 e 2001, no âmbito do setor primário, sempre foram relativamente insignificantes. Nesse setor, as transações envolveram principalmente o ramo de mineração. As fusões do setor secundário envolveram operações do setor farmacêutico, automobilístico, eletroeletrônico e de informática. Para exemplificar esse processo, vale citar a possível fusão entre a franco-alemâ Aventis com a suíça Novartis. Essas duas indústrias farmacêuticas, no entanto, surgiram da fusão entre a Rhodia Pharma, a Hoechst (Aventis) e a Novartis, dos laboratórios Sandoz e Ciba-Geigy. Já as operações do setor terciário envolveram principalemtne transações de empresas de telecomunicações, financeiras e de serviços de informática. Somente a fusão entre o grupo Times-Warner com a provedora de internet Amecican on Line, realizada em janeiro de 2000, levou à fusão de ativos de US$ 350 bi. O estouro da bolha da nova tecnolofia, no entanto, fez murchar esse volume.
O desempenho do setor financeiro entre 90-2005 foi marcado por grandes flutuações e instabildades. Fatores como a extinção do Bloco Soviético (1989-1991); a assinatura do Tratado de Maastricht (1991); assinatura do Nafta (1994); as crises cambiais do México (94-95), da Ásia (97-98), da Rússia (98), do Brasil (99), da Turquia (2000); os atentados contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001; as guerras contra o Afeganistão e o Iraque etc influenciaram decisivamente os rumos do mercado financeiro internacional.
A liberalização da economia mundial alcançou maior amplitude nos mercados financeiros. Ao forçar os países de todo o mundo a abrir seus mercados financeiros para os fluxos de capitais globais de capitais, as instituições de Washington tinham em mente viabilizar o financiamento de empresas e países com menor custo possível. em tese, se os mercados financeiros locais estivessem abertos, os agentes locais (empresas e governos) teriam maior facilidade, para obter recursos. Por sua vez, os poupadores dos países que tinham capitais em excesso poderiam auferir maiores lucros ao emprestar ou aplicar dinheiro no exterior, onde supostamente o retorno poderia ser mais atraente.
De fato, alguns países e empresas se beneficiaram do acesso ao crédito externo. Muitos, no entanto, passaram a sofrer com a saída abrupta de capital expeculativo. Ou seja, como os mercados financeiros estavam integrados em nível mundial, quando um país distante menifestava o menor sinal de crise, os investidores rtiravam rapidamente seus capitais e, de uma hora para outra, a crise se espalhava como um rastilho. Foi o que de fato ocorreu durante o período de 90 a 2003.
Para conhecer melhor o mecanismo da crise financeira é necessário conhecer antes os atores e os objetos de especulação. De um lado do balcão encontram-se os possuidores do capital, ou seja, os investidores institucionais. Em geral, trata-se de fundos de pensão ou bancos de investimentosde países desenvolvidos, principalmente dos Estados Unidos. Do outro lado, encontram-se os governos de países emergentes ou empresas destes países. Do ponto de vista dos objetos de especulação podem ser listados títulos de dívidas governamentais, ações de empresas privadas, imóveis, terras, contratos de câmbio, commodities, etc.
Cabe esclarecer ainda que o volume de capitais que saem dos países centrais para os mercados emergentes representa uma pequena quantidade do capital total. Assim como os investimentos externos diretos, a maior parte dos recursos financeiros é investida nos países desenvolvidos. O principal ativo de investimento são os títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Por tratar-se do local, pelo menos até então, mais seguro do mundo para investimentos, as variações da taxa de juros dos Estados Unidos influenciaram diretamente os fluxos de capitais em todas as partes. Apesar de ser um fator que influencia todo o sistema financeiro internacional, as decisões sobre as taxas de juros dos Estados Unidos obedecem às necessidades exclusivas daquele país. Quando o presidente do Federal Reserve- FED (o equivalente ao Banco Central no Brasil), Alan Greenspan, decide elevar ou baixar os juros, são consideradas as variáveis, como a inflação, o desemprego e o PIB... dos Estados Unidos.
Quando os juros norte-americanos estão baixos, ocorre um movimento de internacionalização dos investimentos. Os investidores institucionais saem pelo mundo (via internet ou satélite) e com um simples comando (click)) despejam bilhões de dólares em determinado país que oferece retornos mais atrativos. Por outro lado, quando o FED eleva os juros, em frações de segundo os capitais retornam ao porto seguro (o que até 2008 era os EUA), e o país que atraiu aquele tipo de investimento fica em situação crítica, em meio a uma crise financeira e cambial. o mesmo acontece quando o mercado se depara com alguma crise em qualquer dos países emergentes. Um movimento de retirada se inicia e a crise assume proporções mundiais.
De acordo com a evolução da duas principais taxas de referência para os juros internacionais, a London Inter Bank Offering Rate- Libor e Prime Rate, o perfil em que as taxas flutuam no mesmo sentido e ao mesmo tempo, reflete o desenpenho da tasa de juros dos títulos das dívidas dos Estados Unidos. O período em que elas permaneceram elevadas coincide com o boom da economia norte-americana entre 1994 e 1999. O estouro das bolsas de valores (2000) e as repercussões dos antentados de 11 de setembro de 2001 influenciaram a queda dos juros. No primeiro período, as taxas permaneceram elevadas para impedir o surto inflacionário associado à expansão econômica. Após 2001, diante da recessão iniciada com o estouro da bolha, taxas de juros negativas foram importantes para reativar a economia.
A influência da economia norte-americana sobre o desempenho da economia mundial fica mais patente diante da grande da grande necessidade de financiamento externo. Para se ter uma dimensão do déficit da conta de Transações Correntes do Balanço de Pagamentos, nessa conta são computados os saldos da balança comercial, dos serviços (como frete, seguros e juros), do fluxo de lucros, dos royalties, entre outros.
a forma como os Estados Unidos financiam seus déficits gêmeos, orçamentários e das transações correntes, é pela atração de capitais disponíveis em todo o mundo. Os maiores exportadores para os Estados Unidos, Japão e china estão os maiores investidores em títulos do governo norte-americano, fato que torna o processo pouco traumático. Além disso, mesmo que os títulos não tenham a rentabilidade dos similares de países emergentes, a segurança é o fator primordial que pesava, pelo menos até 2008, na opção de investir em títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Desde 1990, as flutuações das bolsas de valores foram bastante acentuadas. Os índices de ações Dow Jones e Nasdaq Composite apresentaram variações espetaculares. Entre janeiro de 90 e fevereiro de 2000, o índice saltou de 412 para 4.697 pontos, uma variação de 1.040%. O auge da valorização ocorreu entre dezembro de 97 e fevereiro de 2000, ao variar de 1.570 pontos para 4.697 em apenas 27 meses. Foi justamente nesse período que se cunhou o termo "exuberência irracional", frente à especulação desenfreada com as ações da nova tecnologia. O índice Dow Jones apresentou um desempenho menos exuberante, ao variar 45% entre dezembro de 97 e dezembro de 99. Por tratar-se de um indicador que abrange empresas tradicionais, seu desempenho foi menos especulativo. É importante notar que a especulação teve início no momento em que eclodiu a crise financeira da Ásia, no segundo semestre de 97.
O estouro da bolha, particularmente na Bolsa Nasdaq, no primeiro semestre de 2000, desencadeou a recessão 2000-2002 enfrentada pelos Estados Unidos. Em setembro de 2002, o índice estava em 1.172 pontos, ou seja, 24% do que fora o pico em fevereiro de 2000 e similar ao índice de junho de 96. Acerca das bolsas, cabe verificar a grande recuperação do índice Dow Jones, a partir de 2003. De certa forma, coincide com o decurso da guerra contra o Iraque, em que o gasto público se intensificou para fazer frente ao esforço das tropas, benficiando as grandes corporações industriais daquele país.
A crise da substituição de imortações e a política econômica do governo Castelo Branco (1961-1968) é abordada com profundidade no livro:
Economia para administradores, de autoria de Jayh Figueiredo de Oliveira.
Mais em:
http://modallbrasil.wordpress.com/2012/01/03/90-2000-decada-da-internacionalizacao-da-economia-mundial/
http://www.jornaldoempreendedor.com.br/empreendedorismo-na-web/sebrae-e-outros/90-2000-decada-da-internacionalizacao-da-economia-mundial
http://messiaslamim.com/inicial/2012/01/03/90-2000-decada-da-internacionalizacao-da-economia-mundial/
http://portalcontadores.com.br/painel-economico/3334-90-2000-decada-da-internacionalizacao-da-economia-mundial
http://pt.angolaglobal.com/20120102/90-2000-decada-da-internacionalizacao-da-economia-mundial-administradores/
http://www.dirigida.com.br/news/pt_br/90_2000_decada_da_internacionalizacao_da_economia_mundial_administradores/redirect_7107950.html
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Especializando em Sistemas de Planejamento e Gestão pela Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC. CRA-SC nº 600285.







