20 de junho de 2010, às 22h57min

A administração brasileira pode aprender com a alegria do nosso futebol

Nossos representantes na copa do mundo de 2010 corroboraram uma vez mais o argumento de que o país do futebol é um país inovador e bem administrado. Oxalá esta copa se revele uma oportunidade para reconhecermos o nosso potencial, criando as condições para a realização do trabalhador e a inovação

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Por Felipe
 
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A seleção brasileira nos encantou neste domingo: 3 x 1 na Costa do Marfim.

Com grande futebol, nossos representantes na copa do mundo de 2010 corroboraram uma vez mais o argumento de que o país do futebol é um país inovador e bem administrado. Quem demonstrou-o foram Luis Fabiano, com o gol mais bonito da copa, produto de sua criatividade individual e Robinho que, na partida passada, deu um passe espetacular para o gol de Elano, produto de uma jogada ensaiada, a chamada jogada diagonal, praticada pela dupla desde que jogavam juntos em seu clube formador, o Santos.

 

No país do futebol, o Brasil diferencia-se por combinar talento e organização, criatividade e planejamento, articulando virtudes individuais e coletivas, ao contrário dos demais países, que ou submetem sua efetividade ao planejamento e organização em suas jogadas coletivas, caso dos europeus, ou acreditam que a criatividade individual é suficiente para sua alegria, caso dos africanos.

 

"A bola corre mais que os homens" é o título de um livro do antropólogo Roberto da Matta que analisa como o futebol se diferencia em nossa realidade excludente e privilegiosa. No futebol, brancos e negros, ricos e pobres têm oportunidades para progredirem em sua carreira por mérito. No futebol, desenvolvemos nosso próprio "estilo de jogo" e exportamos talento e organização, somos modelo e referência por nossa capacidade de articular técnica, eficiência e improviso.

 

Nas empresas brasileiras, oportunidades são restritas àqueles que conseguem estudar nas melhores escolas particulares, além de viajar para o exterior e aprender Inglês num nível de fluência disponível apenas para a elite financeira. Não há um estilo brasileiro de gestão que seja modelo e referência internacional posto que os modismos são implementados acriticamente por administradores incapazes de articular competências técnicas, gerenciais e a vontade do trabalhador, criando as condições para a realização do trabalhador e a autêntica inovação gerencial.

 

A criatividade individual, o intra - empreendedorismo, existe apenas no discurso e a própria língua portuguêsa muitas vezes não é predominante: estrangeirismos são parte do ambiente corporativo brasileiro mesmo que se revelem planos de expressões inconvenientes como fica muito claro no emprego de Kick off significando informes corporativos contendo resultados, planejamentos e ações numa cultura onde se deseja a tabela e não o Kick off (menos pior seria se fosse Kick on).

 

Oxalá esta copa do mundo se revele uma oportunidade para reconhecermos o nosso potencial, certos de que "tornar o trabalho produtivo e o trabalhador realizado"(Drucker) será possível quando aprendermos a avaliar nossa gestão pela sua capacidade de tornar realidade o que existe como possibilidade dentro da organização dadas as competências e conhecimentos acumulados dentro dela e a sua capacidade de liberar o trabalhador para, dentro de sua vocação e responsabilidade, buscar o caminho para alavancar os resultados empresariais e alegrar-se com isso.

 

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Autor
Atualmente trabalho como consultor em estratégia emrpesarial, sou membro do LABEDUCEMP e graduado como bacharel em administração com habilitação em estratégia empresarial na UFRJ. Fui monitor de Filosofia da administração, metodologia da pesquisa e comunicações administrativas, experiências que contribuíram para o meu conhecimento da área de estratégia empresarial.

Procuro enfatizar as relações entre o empreendedorismo e a estratégia empresarial dentro do objetivo adminstrativo de "tornar o trabalho produtivo e o trabalhador realizado"( DRUCKER), por acreditar ser este o principal desafio da administração contemporânea.

Ser capaz de conciliar os interesses e expectativas dos stakeholders da organização, inclui a implementação acrítica das tecnologias exóticas e a capacidade de explorar e desenvolver convenientemente as competências internas organizacionais.

Avançar na direção da superação deste desafio e me preparar para oportunidades de trabalho e pesquisa na área gerencial são minhas principais expectativas nesta comunidade.

Abs,
leesebrasil.blogspot.com
leesebrasil@ufrj.br
 
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