10 de novembro de 2009, às 20h46min

A arte de resolver os problemas errados

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Passamos a maior parte da vida buscando soluções para problemas de todos os tipos. São problemas sentimentais, pessoais, empresariais, técnicos, etc. Apesar disso, durante nossos anos de escola sequer tomamos consciência de que há maneiras melhores que outras para abordarmos problemas, ou somos treinados para tal. Não estou falando de treinamento na solução de problemas de matemática e física. Estou falando de problemas no sentido mais amplo. Daqueles que não se resolvem com equações e fórmulas.

Não sei de ninguém que tenha estudado no colégio uma disciplina que se proponha a apresentar “Técnicas de resolução de problemas”. Nem nos melhores cursos universitários isto acontece. Perguntei recentemente a duas turmas de formandos em engenharia mecânica de duas grandes universidades se eles sabiam que iriam passar a maior parte da vida resolvendo problemas e se eles tinham recebido algum treinamento específico para isso. As respostas foram dois “nãos” unânimes. Com isto, a menos dos naturalmente dotados, a maioria de nós não usa processos estruturados para atacar os desafios com os quais vamos nos deparar.

A teoria de solução de problemas nos diz que o primeiro passo para encontrar, de forma estrutura, soluções é perguntar: “Qual é o verdadeiro problema a ser resolvido?”. A maioria das pessoas simplesmente ignora esta pergunta e parte direto para a busca de soluções do que acham ser o problema. No entanto, mais de 50% da solução de um problema (qualquer problema!) está justamente em defini-lo corretamente e entender suas causas. Encontrar as soluções e priorizá-las completa os 100%. Não investir os primeiros 50% vai levar, em 99% dos casos, a excelentes soluções para o problema errado.

Diversos fatores levam as pessoas a partir para a busca desenfreada de soluções sem entender corretamente os problemas que estão tentando resolver. O primeiro fator é que nosso cérebro é foi desenhado para encontrar os caminhos mais curtos, reconhecendo e aplicando possíveis padrões de solução. Então sempre vamos tender a acreditar que já sabemos atalhos para resolver aquele problema. É humano agirmos assim. Humano e errado. Outro fator importante é que a cada dia as pessoas têm menos paciência ou tempo para pensar. A busca por soluções de curto prazo a qualquer custo diminui muito a possibilidade de acharmos o problema certo. Pense na quantidade de livros que promete soluções rápidas “em 10 passos”, ou “fortuna imediata”, ou qualquer outra coisa que traga gratificação instantânea. Um exemplo emblemático disso é o Twitter. Ele é um sucesso, pois certamente o limite de paciência das pessoas para entender alguma coisa deve estar perto dos 140 caracteres.

Além da nossa tendência a usar padrões pré-concebidos e da falta de tempo, ainda temos a falta de motivação para resolver de verdade os problemas. O problema real pode ser doloroso ou vergonhoso demais para ser exposto. Falta coragem para fazer uma devassa expô-lo. É muito melhor deixar a coisas como estão e as pessoas trabalhando em outras coisas. Por último, há também o apego das pessoas a seus problemas. Afinal de contas, “Vai que alguém resolve meu problema? O que vai ser de mim?”.

O ferramental de “Solução de problemas” minimiza todos os fatores acima. Se fossemos treinados nessas técnicas desde pequenos garotos, certamente o mundo não perderia tanto tempo e dinheiro com a implantação de soluções ótimas para problemas errados.

Para começar a mudar sua forma de resolver problemas, antes de começar a procurar soluções, dedique um tempo de qualidade para responder a perguntas como: “Qual é o problema que precisa ser resolvido?”, “Para que preciso resolver este problema?”, “Quais as causas deste problema?”, “O que me impede de resolver este problema?”. “Como saber que encontrei uma solução para o problema?”, “Que recursos existem para resolver este problema”. Mas cuidado! Não deixe seu chefe vê-lo fazendo isso. Ele pode achar que você está perdendo tempo enquanto deveria estar gerando soluções.
 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor
Adriano Roberto de Lima, D.Sc.
É doutor em física e trabalha com consultoria em inovação sistemática para transformar pessoas comuns em grandes inovadores.
 
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