"Seja a mudança que você quer ver no mundo". (Gandhi)
Sabe essas coisinhas corriqueiras do dia-a-dia que revelam a nossa intimidade com a corrupção? Lembrei-me de uma agora.
Ano passado, eu e minha esposa passamos um tempo em Florença estudando italiano.
O sistema de transporte público de lá, a exemplo de outros países europeus, é bem interessante. Os ônibus não têm cobradores. Você compra um bilhete que vale por um determinado tempo (1 hora, 1 dia, 1 semana, etc.), que deve ser validado assim que você entra no veículo. Eventualmente (mas muito eventualmente mesmo!), um fiscal da companhia aparece para conferir os tickets dos passageiros. Se o sujeito estiver sem passagem ou com ticket fora do prazo, recebe uma determinada multa.
Logo que chegamos na cidade, compramos bilhetes semanais, que custavam algo como 12 euros por pessoa.
O interessante vem agora. Na escola, vários dos nossos colegas brasileiros não entendiam por que havíamos comprado tais bilhetes. Ouvimos vários comentários do tipo: “
Dançaram, eles nunca fiscalizam”; “
Perderam dinheiro, heim?”, e por aí vai. Nossa resposta era sempre a mesma:
- A regra é clara: se você utiliza um serviço que não é gratuito, deve pagar por ele.
Sem querer generalizar, mas isso é bem típico da malandragem brasileira. O famoso e famigerado “jeitinho”. Parece que existe sempre essa tentação de querer ser esperto, de querer levar vantagem. Pode até parecer bobagem para alguns, mas esses pequenos delitos formam a base de uma verdadeira cultura de corrupção, e são repercutidos em escala maior nas organizações, nas relações pessoais e profissionais e, é claro, na política. Como diria o Barão de Montesquieu, "
a corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios".
Aposto que você também tem episódios como esse para compartilhar. Comente mais abaixo.
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/a-cultura-da-corrupcao/32232/