22 de fevereiro de 2011, às 22h12min

A cultura do extrativismo no mundo dos negócios

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Vivemos ao longo de nossa história, enquanto nação, uma cultura constante de extrativismo. Os que para cá vieram juntamente com Cabral não pensavam em criar uma nova nação, diferentemente dos passageiros do Mayflower, mas sim extrair daqui tudo o que encontrassem.


Infelizmente essa cultura ficou de tal forma enraizada que ainda hoje sofremos as conseqüências por conta de um acidente ocorrido há aproximadamente 500 anos atrás.


Observo diariamente organizações que encaram seus mercados como se fossem verdadeiras capitanias hereditárias, vendo-se no direito de explorar e extrair deles tudo aquilo for possível.


Essas empresas fazem falsas promessas, prestam um serviço de baixíssimo nível, maltratam seus fornecedores, não cumprem aquilo que foi combinado com o consumidor e ainda cobram até o último centavo possível de seus clientes, mesmo que para isso seja necessário andar na margem da lei, ficando ressentidas quando não conseguem gozar plenamente de seus direitos adquiridos.


A conseqüência disso - ou seria a causa? - são profissionais que vivem em função de extrair tudo o que puderem das empresas para as quais trabalham. Tais profissionais, se é que podem ser assim chamados, fazem sempre o mínimo de esforço possível, reclamam constantemente de seus salários e exploram até a última gota dos seus direitos (?) trabalhistas garantidos por uma legislação anacrônica e paternalista, perpetuando diariamente o ranço do tão celebrado jeitinho brasileiro.


Tais organizações e profissionais acabam por se esquecer de que mercados operam em função da chamada troca de valor. Basicamente o conceito de troca de valor diz que ao efetuar uma transação ambas as partes devem terminar com a percepção de que estão em melhor posição do que estavam antes. Como disse Adam Smith em 1776: Dê-me aquilo que eu quero, e te darei aquilo que você quer. Não é com a benevolência do padeiro ou do açougueiro que devemos contar para conseguir nosso jantar, mas sim do seu interesse próprio.


Felizmente (para as empresas e profissionais sérios) a mentalidade extrativista carrega dentro de si sua própria Nêmesis.


Uma vez que os recursos (tempo, dinheiro, confiança, paciência) são finitos, o sistema extrativista mais cedo ou mais tarde acaba por entrar em colapso. Em uma economia globalizada onde é possível adquirir praticamente qualquer bem ou serviço, de qualquer fornecedor em qualquer parte do mundo, a organização ou o profissional que insistir em viver de escambo acabará invariavelmente por se tornar uma person non grata, fadada a viver à margem da sociedade.


Se a empresa para a qual você trabalha, ou se você enquanto profissional, acha que está fazendo um grande favor em atender o mercado e criar valor para os seus clientes, fica um aviso: até mesmo os impérios chegam ao fim.

 

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Autor
Formação acadêmica : Bacharel em Ciência da Computação, MBA pela Fundação Getulio Vargas com extensão internacional pela Ohio University, especialização em Economia Empresarial pela Universidade Estadual de Londrina, Master em Empreendedorismo e Inovação pelo BI International com extensão em Inovação pela Berkeley University of California.
 
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