31 de outubro de 2010, às 19h39min

A desindustrialização nacional e o “Efeito Made In China”

Mesmo com as exportações legais crescendo, as importações legais e ilegais crescem em um ritmo muito mais rápido; as indústrias dos setores elétricos e eletrônicos já estão sentindo esse processo.

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As gôndolas de supermercados, as lojas de presentes, as ruas mais visitadas para compras em São Paulo, os vendedores ambulantes e informais dos bairros e dos centros das capitais, as viagens das sacoleiras aos países vizinhos, porta de entra dos produtos "importados," revelam claramente o quanto os produtos nacionais estão sendo substituídos por importados, por que não dizer, contrabandeados.


Mesmo com as exportações legais crescendo, as importações legais e ilegais crescem em um ritmo muito mais rápido; as indústrias dos setores elétricos e eletrônicos já estão sentindo esse processo.


A indústria já apresentou uma participação de 36% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1985, com várias oscilações, ela caiu para algo em torno de 16% do PIB, em 2008; hoje representa apenas 15%.


Conforme estudos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostram que, os bens fabricados pela indústria de transformação, isto é; produção de bens, em 2010, alcançou um déficit comercial de US$ 22,4 bilhões, conforme artigo de Jorge J. Okubar, de 31/10/10 do Jornal Estadão.


Para exemplificar Paulo Kliass, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, e doutor em Economia pela Universidade de Paris, comenta em seu artigo "A polêmica atual sobre a desindustrialização":


"Verifica-se uma acentuação da perda relativa de posição dos produtos manufaturados no total de exportações. Ou seja, há um crescimento do peso dos produtos primários, de baixo valor agregado. Por exemplo: entre os 25 anos de 1982 e 2007, a média havia sido de 58% de industrializados no total das exportações. Nos últimos 3 anos, essa participação baixou para 49%, 43% e 41%. Quando se analisam algumas informações do lado das importações, a situação também merece preocupação".


"A participação dos bens manufaturados no total das importações brasileiras ficou na média de 12% ao longo dos últimos 20 anos – com exceção dos anos de câmbio valorizado sob FHC. Já em 2009 e 2010, houve um crescimento significativo dessa participação, saltando para 16% e 17%. Ou seja, algo como se a demanda interna em expansão estivesse sendo atendida por produtos industriais importados".


"Em síntese: continuamos a exportar bens com baixo valor agregado e a importar cada vez mais produtos manufaturados de maior valor agregado para nosso consumo".

"A velha estória de nos vangloriarmos de exportar soja, minério de ferro, suco de laranja e carne, ao passo que, importamos, produtos eletrônicos, computadores, celulares e outros bens de alto valor agregado."


Mesmo com todas as evidências muitos estudiosos e economistas ortodoxos, "porque pensam de acordo com o Consenso de Washington, e, por isso, apóiam a política macroeconômica instaurada desde 1992." palavras de Luiz Carlos Bresser-Pereira, Professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas, ainda questionam o assunto.


Temos também o setor de autopeças "o Brasil passou de exportador para importador.." palavras de Reginaldo Arcuri, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)


Caso queiram tirar suas dúvidas, vão a uma grande rede de distribuição e verifiquem alguns produtos, tais como, cafeteiras, sanduicheiras, torradeiras, ferros elétricos, liquidificadores, computadores, impressoras, telefones, malas, bolsas, vestuários em geral, tênis, guarda-chuvas, brinquedos, relógios, etc. etc., e verifiquem quantos são nacionais quantos são importados.


As principais causas são;


1º.) Carga excessiva de impostos nos produtos fabricados no Brasil, tais como: ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias) de 18% em São Paulo; IPI (Imposto de Produtos Industrializados) média de 10%; PIS (Programa de Integração Social) de 0,65% e 1,65%; COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) de 3% ou 7,6%; Imp. de Renda s/o Lucro, em média, dependendo do regime tributário da empresa, de 10% a 15%; INSS das empresas sobre a folha de pagamento dos empregados de 27,8%; FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) de 8% sobre a folha de pagamento dos empregados; toda essa carga tributária encarece o produto em 50% aproximadamente, isto todo produto consumido ou exportado tem 50% de impostos, isto cria dificuldade, pois os países não querem importar impostos e sim produtos.


2º.) Legislação Trabalhista que está dificultando contratações e demissões, tais como, contratação de aprendiz, multa de 40% do FGTS, legislação de gestantes, interferência dos sindicatos, e outras mais


3º) Taxa de dólar baixo facilita as importações e prejudica as exportações.


4º.) Altos custos de produção, tais como, preço da matéria prima nacional, devido às incidências mencionadas acima, incidências de horas extras e adicional noturno com altos acréscimos, custo dos transportes rodoviários e dos pedágios, pois o transporte ferroviário que é mais barato não teve investimento por interesses das fábricas de caminhões e falta de planejamento dos governantes.


Autor: Cláudio Raza; Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas para Negócio, Palestrante, Mestrando em Educação, Administração e Comunicação, com ênfase em Políticas Públicas, Professor Universitário da Uninove, mais de 35 anos assessorando empresas.

site: www.razaconsulting.com.br e E-mail: c.raza@terra.com.br

 

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Autor: Cláudio Raza; Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas para Negócio, Palestrante, Mestrado em Educação, Administração e Comunicação, Professor Universitário Uninove, mais de 35 anos assessorando empresas.
site: www.razaconsulting.com.br e www.claudioraza.com.br. E-mail: c.raza@terra.com.br


 
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