28 de agosto de 2011, às 18h28min

A galinha dos ovos de ouro, os políticos, o “omelette” e a educação

O Brasil precisa urgentemente de gente que pense de forma clara e coerente, gente que observe aquilo que está a sua volta, dos recursos que ainda restam, das oportunidades que ainda não foram aproveitadas.

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Em nosso país as galinhas dos ovos de ouro, durante cinco meses botam ovos para sustentar os gastos governamentais e os roubos fraudulentos de inúmeros parlamentares, municipais, estaduais e de Brasília.

Nosso erro como galinhas dos ovos de ouro é justamente não identificar ou colocar parlamentares certos (se é que existem), para administrar esses ovos.

O Brasil precisa urgentemente de gente que pense de forma clara e coerente, gente que observe aquilo que está a sua volta, dos recursos que ainda restam, das oportunidades que ainda não foram aproveitadas.

Nossos jovens estudantes que buscam avidamente o saber, o conhecimento, a oportunidade, a Universidade e o emprego, são eliminados destes direitos e são jogados aos "tubarões" das drogas, da violência e da morte; pois, não tem incentivos, vagas e salas de aulas suficientes, nem programas ou políticas públicas e verbas para a Educação e Cultura, pois os inescrupulosos administradores dos ovos de ouro têm outras prioridades, seu próprio "omelette", pois cuidar de crianças e jovens, que são o futuro da nação não dá voto.

As pessoas honestas, qualificadas, e bem intencionadas que gostariam de participar do processo para melhorar o país, são desestimulados, irão poluir com sua honestidade, sabedoria, experiência e a vontade de trabalhar em benefício de mais de 200 milhões de enganados pelos discursos.

Conforme pesquisa Inaf do IPM - Instituto Paulo Montenegro, evidencia a situação precária do ensino no país. 68% [dos brasileiros] são considerados analfabetos funcionais, e 7% de analfabetos absolutos; isto significa que 75% dos brasileiros não conseguem ler e interpretar textos.

Apenas 25% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos têm domínio pleno da leitura. Os números (que estão com percentuais arredondados) estão no Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), coordenado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM), braço social do Ibope, e pela ONG Ação Educativa.

Entre os países latinos, o Brasil é o que tem a mais elevada taxa de repetência no segmento de primeira à sexta série, 25,1%. Em segundo lugar aparece a Tunísia, com 18,3%. A taxa de primeira à sexta série na Argentina é de 5,3%; de 3,2% no Chile; 8,6% no Paraguai; 9,8% no Peru; 8,4% no Uruguai.

Os brasileiros na faixa etária de 25 a 34 anos, classificados como população adulta jovem, 24% concluíram o ensino médio e 6% terminaram o nível superior. Outros 70% têm, no máximo, o ensino fundamental, sendo que 5,5% não possuem qualquer grau de instrução. A desigualdade regional quanto ao grau de formação da população brasileira é marcante. Enquanto no Sudeste 34% da população de 25 a 34 anos têm o ensino médio ou superior, no Nordeste apenas 23% dos adultos jovens têm essa mesma formação. Por outro lado, 3% no Sudeste não possuem instrução, contra 12% no Nordeste.

Entre as unidades da Federação, também há significativas discrepâncias. Em alguns estados, como: Amazonas, Amapá, Maranhão, Piauí, Ceará, Alagoas e Bahia, menos de 3% da população têm a educação superior. Ao mesmo tempo, no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro, mais de 8% têm essa formação. Apesar das diferenças, o índice da população com nível superior estão bem abaixo dos indicadores mundiais. Para vencer esse obstáculo, que é um empecilho ao desenvolvimento econômico, social e cultural do País, especialistas afirmam que, além de garantir o acesso à escola, são necessárias as permanências no sistema de ensino, a progressão entre séries e a ampliação da oferta de vagas na rede pública de educação superior.

O brasileiro de um modo geral aceita com naturalidade que os políticos se apropriem dos bens públicos; estamos em uma condição que favorece aqueles espertalhões, oportunistas, políticos e mal intencionados vendilhões da pátria em benefício de seu próprio "omelette", que continuarão com suas práticas e políticas públicas danosas à nação.

Também a banalização da violência, corrupção, impunidade, injustiça, cria em nossos filhos e netos outro conceito, diferente daquele que aprendemos de nossos pais e dos mestres escolares.

A falta de políticas públicas e investimentos na educação têm causado um flagelo para nossos jovens que estão despreparados para o mercado de trabalho.

As escolas profissionalizantes que eram um referencial de preparação para a juventude, hoje nem as empresas privadas querem esta responsabilidade, pois a legislação é confusa e duvidosa e os empresários não querem arriscar.

Os projetos e medidas para melhoria do ensino ficam parados por anos, pois os parlamentares, governantes e ministros da educação que são cargos políticos e não técnicos, com interesses do partido ou dos candidatos que não visam o futuro da nação, mas apenas o benefício que terão nos seus mandatos.

È difícil entender esta postura, porque esses foram instruídos ainda no conceito antigo de moral, lisura, honestidade e princípios, mas, o que aconteceu então? Se você não participa da "política" que está levando o país ao caos ficará fora do esquema ou será considerado bobo.

Mas, parece-me que com todo esse passado negro, com 20 anos de ditadura e 25 de maus governos, ainda não aprendemos a cuidar do nosso galinheiro, deixando a porta aberta para as "raposas".

Autor: Claudio Raza, consultor e professor Uninove – c.raza@terra.com.br

 

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As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
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Autor
Autor: Cláudio Raza; Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas para Negócio, Palestrante, Mestrado em Educação, Administração e Comunicação, Professor Universitário Uninove, mais de 35 anos assessorando empresas.
site: www.razaconsulting.com.br e www.claudioraza.com.br. E-mail: c.raza@terra.com.br


 
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