14 de novembro de 2008, às 12h31min
A importação de uma crise - II
A mundialização ou globalização não pressupõe que a economia real esteja submetida às decisões financeiras, por questões técnicas ou estruturais. A submissão da economia real ao sistema financeiro decorre de poder econômico dos países centrais, que já possuem uma economia madura, isto é, sem muitos espaços para crescimentos vigorosos das produções de bens e serviços.
É por essa razão que os países desenvolvidos passaram a submeter as economias dos demais países ao sistema financeiro, que servem de válvula de escape para as limitações econômicas das suas nações.
Assim: nos momentos de crise os agentes econômicos dos países centrais (desenvolvidos) vendem os títulos e ações comprados junto aos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos (queda nas bolsas), para minorar prejuízos contabilizados nos países centrais, logo, contribuem para a diminuição de seus prejuízos advindos de apostas erradas ou inconseqüentes; também, acabam por aumentarem, num segundo momento, a oferta de moeda e crédito (liquidez) em seus países de origem, pois compram títulos e ações dos governos e economias (que consideram seguros e confiáveis) e esses governos (tesouros) em conjunto com seus bancos centrais, capitalizam-se, até que um novo equilíbrio econômico-financeiro seja obtido e esse excesso de recursos financeiros tenha que deixar os centros mais desenvolvidos em direção aos outros mercados de capitais, nos países em desenvolvimento (subdesenvolvidos) novamente ; caso contrário, poderá acontecer desequilíbrio macroeconômico resultante do excesso de moeda nas economias desenvolvidas, nesse sentido os países em desenvolvimento funcionam novamente como válvula de escape.
Esses são alguns dos motivos para não esperamos valorização do Dólar em relação às principais moedas (o Real, inclusive) além de dois ou três meses que essa crise terá como pico; passadas as turbulências, o comportamento de manada (que existe de fato), alguns lucros astronômicos alcançados por quem especulou bem, o Dólar continuará desvalorizando-se, porque os EUA contarão com bilhões ou trilhões de Dólares a mais em seu sistema econômico, e esses recursos serão orientados para outros mercados, em busca de outros ativos e rentabilidades, esperemos que, com maior regulação internacional.
Há outros elementos negativos que impossibilitam a valorização do Dólar por tempo demasiado, ou seja, considerando-se os déficits orçamentário (interno) e comercial (exterior) advindos de isenções tributárias irresponsáveis, gastos com guerras e importações para financiar consumo direto, os EUA terão que (re)iniciar o quanto antes a desvalorização de sua moeda perante as principais economias, porque essa desvalorização incrementará os haveres de empresas estrangeiras que investem diretamente na economia norte-americana e podem viabilizar novos empregos e incrementar o crescimento econômico ou ainda, atenuar recessão.
Havendo recessão, ainda que moderada, nosso mercado interno terá uma dinamização bem-vinda em função das quedas nas exportações, mais do que já vem ocorrendo, não mais pela taxa de câmbio, apenas, valorizada ; agora pela queda na demanda mundial por commodities.
A China está se movendo no sentido de ampliar sua demanda agregada interna, para compensar queda nas atividades ligadas ao comércio exterior, o grande impulsionador de seu PIB até o momento. Prova disso são as experiências feitas com a distribuição de terras (agora não-estatais) aos agricultores, como projeto de uma futura agricultura baseada na titularidade ou posse privada, da terra e dos empreendimentos agrícolas, o objetivo é o de fortalecer a auto-suficiência agrícola e de torná-la um mercado desenvolvido tecnologicamente ainda atrasado.
Quanto aos títulos norte-americanos em poder dos chineses, o Tesouro dos EUA nunca faliu ou deu calote, mesmo se considerarmos a difícil situação macroeconômica desse país e a preocupante situação de seu sistema financeiro, o próprio Brasil é o quarto ou quinto credor dos EUA em títulos de sua dívida, e foi por isso que paradoxalmente a procura por seus títulos não diminuiu nessas semanas, mas aumentou. Os chineses sabem que essa estrutura mundial de fluxos de capitais vai mudar à medida que o eixo de crescimento e desenvolvimento econômico se desloque mais para a Ásia e para o restante dos países em desenvolvimento (Brasil incluso).
Tenhamos calma, quem está com recursos nas bolsas de valores, melhor será mantê-los lá. Quem tem disponibilidade financeira, o melhor momento para comprar ações é agora. Vamos reeditar uma frase dominate do início dos anos 1980 : não fale em crise, trabalhe !
É por essa razão que os países desenvolvidos passaram a submeter as economias dos demais países ao sistema financeiro, que servem de válvula de escape para as limitações econômicas das suas nações.
Assim: nos momentos de crise os agentes econômicos dos países centrais (desenvolvidos) vendem os títulos e ações comprados junto aos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos (queda nas bolsas), para minorar prejuízos contabilizados nos países centrais, logo, contribuem para a diminuição de seus prejuízos advindos de apostas erradas ou inconseqüentes; também, acabam por aumentarem, num segundo momento, a oferta de moeda e crédito (liquidez) em seus países de origem, pois compram títulos e ações dos governos e economias (que consideram seguros e confiáveis) e esses governos (tesouros) em conjunto com seus bancos centrais, capitalizam-se, até que um novo equilíbrio econômico-financeiro seja obtido e esse excesso de recursos financeiros tenha que deixar os centros mais desenvolvidos em direção aos outros mercados de capitais, nos países em desenvolvimento (subdesenvolvidos) novamente ; caso contrário, poderá acontecer desequilíbrio macroeconômico resultante do excesso de moeda nas economias desenvolvidas, nesse sentido os países em desenvolvimento funcionam novamente como válvula de escape.
Esses são alguns dos motivos para não esperamos valorização do Dólar em relação às principais moedas (o Real, inclusive) além de dois ou três meses que essa crise terá como pico; passadas as turbulências, o comportamento de manada (que existe de fato), alguns lucros astronômicos alcançados por quem especulou bem, o Dólar continuará desvalorizando-se, porque os EUA contarão com bilhões ou trilhões de Dólares a mais em seu sistema econômico, e esses recursos serão orientados para outros mercados, em busca de outros ativos e rentabilidades, esperemos que, com maior regulação internacional.
Há outros elementos negativos que impossibilitam a valorização do Dólar por tempo demasiado, ou seja, considerando-se os déficits orçamentário (interno) e comercial (exterior) advindos de isenções tributárias irresponsáveis, gastos com guerras e importações para financiar consumo direto, os EUA terão que (re)iniciar o quanto antes a desvalorização de sua moeda perante as principais economias, porque essa desvalorização incrementará os haveres de empresas estrangeiras que investem diretamente na economia norte-americana e podem viabilizar novos empregos e incrementar o crescimento econômico ou ainda, atenuar recessão.
Havendo recessão, ainda que moderada, nosso mercado interno terá uma dinamização bem-vinda em função das quedas nas exportações, mais do que já vem ocorrendo, não mais pela taxa de câmbio, apenas, valorizada ; agora pela queda na demanda mundial por commodities.
A China está se movendo no sentido de ampliar sua demanda agregada interna, para compensar queda nas atividades ligadas ao comércio exterior, o grande impulsionador de seu PIB até o momento. Prova disso são as experiências feitas com a distribuição de terras (agora não-estatais) aos agricultores, como projeto de uma futura agricultura baseada na titularidade ou posse privada, da terra e dos empreendimentos agrícolas, o objetivo é o de fortalecer a auto-suficiência agrícola e de torná-la um mercado desenvolvido tecnologicamente ainda atrasado.
Quanto aos títulos norte-americanos em poder dos chineses, o Tesouro dos EUA nunca faliu ou deu calote, mesmo se considerarmos a difícil situação macroeconômica desse país e a preocupante situação de seu sistema financeiro, o próprio Brasil é o quarto ou quinto credor dos EUA em títulos de sua dívida, e foi por isso que paradoxalmente a procura por seus títulos não diminuiu nessas semanas, mas aumentou. Os chineses sabem que essa estrutura mundial de fluxos de capitais vai mudar à medida que o eixo de crescimento e desenvolvimento econômico se desloque mais para a Ásia e para o restante dos países em desenvolvimento (Brasil incluso).
Tenhamos calma, quem está com recursos nas bolsas de valores, melhor será mantê-los lá. Quem tem disponibilidade financeira, o melhor momento para comprar ações é agora. Vamos reeditar uma frase dominate do início dos anos 1980 : não fale em crise, trabalhe !
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Autor
Carlos Cesar D'Arienzo
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cesar-darienzo@uol.com.br
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Áreas de interesse : Análise econômica conjuntural e estrutural de cenários..
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