07 de novembro de 2008, às 13h00min

A IMPORTÂNCIA DO EQUILÍBRIO EMOCIONAL PARA A CARREIRA DO PROFISSIONAL DO SÉC. XXI

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* Por Josiane Souza

Em épocas não muito remotas, as habilidades de raciocínio lógico, o domínio matemático e a percepção espacial definiam o perfil do profissional competente. Atualmente, o perfil ideal perpassa, além das habilidades já citadas, pelas comportamentais tais como, relacionamento inter-pessoal e resiliência. As empresas perceberam que, treinar colaboradores nos aspectos técnicos traz resultados imediatos, já nos aspectos comportamentais, é necessário um tempo maior para os resultados serem satisfatórios. Por este motivo, a “inteligência emocional” se tornou um diferencial competitivo para os profissionais do Século XXI.

Segundo Daniel Goleman, a Inteligência Emocional está relaciona com a capacidade de um indivíduo sentir, entender seu sentimento, controlá-lo e modificar o seu estado emocional bem como, o de outras pessoas que o cercam, de forma organizada, obtendo resultados positivos.

Há controvérsias a respeito do conceito de Inteligência Emocional, sendo que a emoção é um impulso neural que move o organismo a uma ação e, tal ação, nem sempre é controlável. Alguns cientistas da psicologia/neurologia defendem a existência do que pode ser chamado de “educação emocional” pautados no seguinte:
§ as emoções são reações biológicas geradas no sistema límbico independentes da inteligência, apesar de fazerem ligações com as áreas destinadas à decisão, planejamento e auto-controle;
§ é necessário levar em consideração as crenças, os valores, o meio social em que a pessoa vive, entre outros, que formam a consciência do indivíduo e suas concepções de bem x mal e certo x errado;
§ o ser humano tem a capacidade de aumentar o seu auto-domínio, seu tempo de reflexão que antecede a ação, de desenvolver e aperfeiçoar o seu auto-conhecimento, além da capacidade de melhorar o seu nível de relacionamento interpessoal e social.

Controvérsias a parte, o fato é que pessoas com capacidade de controle emocional, auto-motivação, empatia e auto-conhecimento estão sendo bem sucedidas em suas relações profissionais e pessoais.

Uma empresa mineira de prestação de serviços, teve como critério para demissão de um funcionário as habilidades comportamentais. A área de Planejamento Estratégico da empresa precisava demitir um dos três Analistas sendo que, o primeiro era o único com especialização em Gestão pela Qualidade (não poderia ser demitido naquele momento), o segundo e o terceiro tinham a mesma formação profissional, embora o domínio técnico do terceiro fosse menor. A questão foi: onde a empresa terá melhores resultados, permanecendo com um colaborador de maior capacidade técnica ou, com um de melhor “inteligência emocional”?

Diante da indagação, em conjunto com a área de Recursos Humanos e considerações dos Gerentes de maior relacionamento da área de Planejamento Estratégico, decidiram, unanimemente, que seria mais fácil desenvolver as habilidades técnicas no terceiro funcionário do que mudar o comportamento do segundo. O segundo Analista, embora tivesse um resultado individual excelente, comprometia o resultado global da equipe com suas atitudes e posturas inadequados (fofocas, mentiras, intrigas, discussões explosivas e conturbadas, etc.).

Após três meses da decisão, a empresa se certificou que a demissão do segundo Analista e o investimento em treinamento para o terceiro foi eficaz, visto os resultados gerados posteriormente. O terceiro Analista, além de ter aumentado o nível do seu desempenho técnico, se tornou um líder respeitado pela equipe, motivando todos os envolvidos, administrando conflitos durante os períodos críticos das mudanças organizacionais acontecidas, gerando resultados globais satisfatórios.

São comuns os questionamentos a respeito existência ou não, do “equilíbrio emocional” em pessoas retraídas bem como, das manifestações incontidas dos profissionais que têm a IE. Os retraídos podem ter “inteligência emocional” sim. O que acontece em vários casos é que, na infância, algumas pessoas foram submetidas a limites excessivos de comportamento e não tiveram oportunidades experimentar grandes desafios / ousar. Consequentemente, na idade adulta, se tornam alvos fáceis para indivíduos dominadores ou, são pessoas que desistem de seus objetivos com maior facilidade. Entretanto, os tímidos podem ter capacidade de auto-controle inimagináveis! Por outro lado, os que já possuem a chamada “inteligência emocional” podem se exaltar em situações altamente desgastantes, opressoras ou injustas.

Mudar comportamento não é uma tarefa fácil. Infelizmente, muitos profissionais precisam perder o emprego ou a oportunidade de uma promoção para se conscientizarem da necessidade do desenvolvimento da “inteligência ou educação emocional”. Mudar hábitos é uma tarefa que exige consciência da necessidade de mudança, desejo de mudança, ação concreta de mudança, persistência e disciplina. É trabalhoso, mas não impossível!

As atividades físicas e culturais favorecem o desenvolvimento da “inteligência ou educação emocional” visto que, trabalham com as emoções em situações reais onde o exercício periódico do auto-controle, da persistência, da motivação, entre outros, levam o praticante ao aperfeiçoamento.

* Josiane Souza, Consultora Organizacional e Coach; Professora e palestrante. MBA em Gestão de Pessoas e Estratégias Empresariais; Bacharel em Administração de Empresas.
 

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