30 de outubro de 2007, às 17h02min
A mágica do dinheiro fácil e rápido
Vejo muitos leitores se inspirando em Warren Buffet e George Soros. Calma lá pessoal. A história deles é muito bacana, o QI financeiro deles é elevado e a inteligência emocional privilegiada. Ora, eles ganham muito dinheiro do dia pra noite porque movimentam muito dinheiro. Dinheiro com dinheiro se ganha. Deixe a mágica de lado. E não, eu não estou dizendo que não devam ler suas obras e dicas. “Interpretação de texto faz parte da prova”, assim falava um professor meu.
Já falei e repito: seu emprego não vai torná-lo rico! Isso é uma opção sua (só sua) e não um dever da empresa. Trabalhar dá dinheiro? Dá! Trabalhar para si mesmo pode dar mais. Aprender a fazer seu dinheiro trabalhar por você dá muito mais. Mas enfim, isso sim é assunto para o bar.
A rentabilidade deve ser construída
A melhor opção para você aplicar seu dinheiro é aquela que você escolher. Seu perfil determina sua aversão ao risco e a rentabilidade de seu patrimônio estará nele atrelada. Passado o curto prazo, seja lá o que isso signifique para você, a realidade ainda será a mesma: alguém ganhou mais dinheiro que você e alguém ganhou menos. No entanto, preferimos nos lamentar pelos poucos (ou muitos) “por centos” que deixamos de ganhar a vibrar com os mesmos poucos (ou muitos) “por centos” que conseguimos conquistar.
Não estou sendo hipócrita ou simplista ao dizer que você deve apenas comemorar o que ganhou, ainda que tenha sido pouco. Estou sendo realista. Aprender a multiplicar seu patrimônio requer dedicação e conhecimento e à medida que essa base cresce, cresce também a rentabilidade. Querer ganhar dinheiro à beça em apenas 6 ou 12 meses, a partir de um produto fantástico oferecido pelo colega, é assumir publicamente sua ingenuidade e favorecer o caráter imediatista vivido pela grande maioria da população. Nada justifica a falta de planejamento passado.
Seu dinheiro não vai se multiplicar tanto quanto você gostaria no curto prazo, isso já ficou claro? Aprender a lidar com suas expectativas é a lição número um. Além disso, há outras coisas a se considerar:
- Imposto de renda: as alíquotas para movimentação em fundos são altas para períodos de 180 ou 365 dias. Dependendo da rentabilidade acumulada, o dinheiro em conta pode frustrá-lo depois que o governo levar a parte dele.
- Operar na Bolsa não é só comprar e vender: eu particularmente adoro as histórias de quem ficou rico com a Bolsa de Valores. Sugiro que você também enalteça tais pessoas, mas entre com cuidado e comece devagar. Estude primeiro, tenha boas companhias e invista seu tempo em aprimorar seu senso de negociação. Se notar que o mercado costuma bater mais em você do que você nele, pule para um clube de investimentos ou fundo de ações.
- O risco: quando o assunto é dinheiro, risco é algo fundamental de se entender. Ao contrário do que todos costumam pensar, risco não é algo necessariamente ruim. Risco é a chance de algo dar errado, mas é também a chance de algo dar certo. No mundo financeiro, quanto maior o risco maior o retorno. Se em 6 ou 12 meses você procura por dinheiro garantido, com poucas chances de evaporar, sua rentabilidade não será das melhores. Mas aprenda que é assim. Ponto.
O que posso fazer então?
Se você é dos que tem dinheiro para investir e não se preocupa com uma eventual queda de patrimônio no curto prazo, procure um bom corretor e trate de entrar no mercado de ações e derivativos. Arrisque, mas assuma as consequências. Se você gosta de andar por estradas mais tranqüilas, prefira aplicações como CDB, fundos referenciados DI, fundos multimercado conservadores ou a boa e velha caderneta de poupança (que está de fôlego renovado).
Qual o melhor investimento?
Pare de procurar resposta para a pergunta do milhão. Que tal procurar pelo melhor investimento para você? Notou a sutil diferença? Quem tem pouca reserva não pode se dar ao luxo de participar do pregão da Bovespa, ainda que eu fale que a Bolsa dá dinheiro. Quem tem muito dinheiro e ainda assim prefere os imóveis e a poupança pode estar perdendo a oportunidade de multiplicar seu patrimônio. Mas isso não interessa quando este alguém está feliz e satisfeito com o que está fazendo.
Até a próxima! Grande abraço.
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Autor
Conrado Navarro é consultor de finanças pessoais e investimentos. Com formação técnica, MBA Executivo pela UNIFEI e mestrando em Produção (Economia e Finanças), ministra palestras, mini-cursos e workshops para empresas, comunidades e estudantes em toda região Sudeste.
É autor do livro "Vamos falar de dinheiro?" (Novatec) e sócio-fundador do Dinheirama e da Sociedade Dinheirama, onde mantém artigos, opiniões e grande parte de seu trabalho disponível de forma gratuita. Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos, depois de aprender a priorizar objetivos e investir.
É autor do livro "Vamos falar de dinheiro?" (Novatec) e sócio-fundador do Dinheirama e da Sociedade Dinheirama, onde mantém artigos, opiniões e grande parte de seu trabalho disponível de forma gratuita. Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos, depois de aprender a priorizar objetivos e investir.
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