30 de junho de 2009, às 13h32min
A SOCIEDADE DA TROPA
O filme Tropa de Elite retrata de uma maneira explícita a realidade do Rio de Janeiro, mostrando a difícil missão do grupo de elite da polícia carioca, o BOPE.
Ele traz à tona as diversas realidades conflitantes, através da narrativa do capitão do BOPE, Nascimento, que busca um substituto para comandar um dos batalhões. Neto e Matias são os dois aspirantes que iniciam suas carreiras na policia. Neto, ama a policia e admira profundamente o combate ao trafico, tem o coração e a garra para combater o crime. Matias é inteligente e age mais racionalmente e com menos impulsividade.
Nascimento após anos enfrentando a guerra civil que se tornou a segurança, ou melhor, a falta dela no Rio de Janeiro, passa por diversos conflitos psicológicos devido à pressão constante do seu trabalho, somados a gravidez da esposa. A visita de João Paulo II, que deseja se hospedar na casa do Arcebispo na favela (Morro do Tucano), trazendo ainda mais tensão a esta realidade.
O filme evidencia a grande distância que existe entre pobres e ricos. A desigualdade social no Brasil, que é uma das maiores do mundo demonstra estar intimamente ligada a fragilidade do sistema capitalista e de mercado livre, conforme exposto por Karl Marx. Segundo Marx, uma das contradições do sistema capitalista é a geração simultânea de riqueza e pobreza, teoria que poderia ser ilustrada perfeitamente pelas favelas cariocas ao lado dos bairros nobres e suas luxuosas casas no Rio.
Vê-se que apesar de separadas e totalmente distintas, a realidade que existe nos morros cada vez mais se mistura a dos ricos, pois estes vêem seus filhos entrarem no vício das drogas e são reféns em suas próprias casas da violência que emana das favelas e da exclusão social que foi imposta a seus moradores. Financiam direta e indiretamente a pobreza, pois, tal como o filme escancara, o consumo de drogas é cada vez maior nas camadas com maior poder aquisitivo, financiando a compra de armas e drogas pelos traficantes. Mostra isso através da convivência de Matias com estudantes da classe média alta que participam de uma ONG de forma superficial, sem compreensão verdadeira da complexidade social.
Enquanto Matias vive estes conflitos, Neto começa a entender a dificuldade para se trabalhar corretamente que a policia enfrenta. Os conflitos da sociedade (desigualdade social, corrupção, drogas, violência) criam um "sistema" invisível e independente, que se forma pelas reações em cadeia das ações de todos os seus componentes.
Até que ponto as empresas podem se considerar participantes ativas deste "sistema"? A Revolução Industrial, que pode ser considerado o motor construtor da sociedade moderna, onde as pessoas se tornaram não apenas participantes ativas das organizações, mas totalmente dependentes delas para manter seu padrão de vida, também pode, direta e indiretamente ser considerado responsável pela criação deste sistema independente.
Muitas organizações têm faturamento superior a países, poder e influência superior a governos. Cabe aos administradores de hoje considerar efetivamente a responsabilidade que têm nesta história. É preciso considerar a influência da organização na vida dos colaboradores (que passam a maior parte do tempo na empresa), na comunidade em que esta situada, na sociedade, no governo e nos diversos outros stakeholders envolvidos.
Administrar deve ir além dos interesses financeiros da organização, é preciso ir muito além disso, administrar com visão no futuro e ação no presente. Ter apenas consciência social e ambiental não é mais suficiente, é preciso que a agressividade de ação das empresas privadas seja levada para fora, pois as antigas estratégias e raciocínios visando apenas o lucro individual se mostraram insustentáveis para a sociedade e para o planeta.
A responsabilidade social empresarial, tema ainda polêmico deve ser discutido com maior relevância. A produção que não tem preocupação alguma com a destruição do meio ambiente deve ser desmascarada, pois até onde será possível continuar a guiar ações por lucro em detrimento do planeta?
O governo por sua vez arde numa fogueira de vaidades, numa máquina ineficiente que queima dinheiro, e que por maiores que sejam os avanços, permanece sempre a sensação de que muito mais poderia ser feito. Como podemos viver nesta guerra urbana e social, onde a cada dia colocamos mais grades em nossas casas, construindo prisões para nossas famílias? A sociedade entrou numa conduta de passividade e acomodação ante a violência e os governantes, defensores e representantes legais do povo agem com uma tranqüilidade inadmissível.
A história de Nascimento, Matias e Neto se cruzam após os aspirantes tentarem consertar a polícia convencional. Após diversas frustrações, os acontecimentos os levam a entrar no morro, culminando com um conflito armado e a entrada do BOPE na favela. Após o incidente, ambos entram no curso de formação do BOPE, passando por diversos testes físicos e psicológicos.
Matias compra um óculos para um menino que tinha dificuldades na escola, porém é Neto que leva o óculos na entrada da favela, onde é atocaiado e morto. Nascimento nota o desejo de vingança que nasce em Matias, desejo este que faz com que ele abandone a indecisão sobre ser policial ou seguir carreira no Direito. Ambos invadem o morro e utilizam violência de modo indiscriminado para encontrar o traficante que assassinou Neto.
O filme termina com Matias atirando no traficante, como um marco na perda da "sensibilidade" do policial.
Polêmico, popular e com um sucesso inegável, o filme atingiu o país numa proporção que raramente um filme nacional consegue. Mostra a realidade de uma polícia despreparada, com insuficiente apoio do governo e muito criticada como recentemente foi visto em abordagens desastrosas a carros e que resultaram na morte de pessoas inocentes.
Porém nos leva a considerar as dificuldades enfrentadas por estes policiais, que escondem as suas fardas por medo, que nunca sabem de onde virão as criticas, ou os tiros; mas que têm a coragem de colocar suas vidas diariamente em risco pelas pessoas que não os compreendem, pelo governo que os abandona, e contra um sistema que os desfavorece e enfraquece.
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Tenho 25 anos e formado em Administração de Empresas. Sou apaixonado pelo curso e pela profissão, considero uma excelente área, onde somos levados a constantemente lidar com diversas questões e conhecimentos, permitindo um aprimoramento muito grande, como pessoa e como profissional, por quem se permite envolver.
Trabalho como Fiscal Municipal, mas já atuei no comércio e na indústria, experiências que me permitiram crescer como profissional e aprender um pouco de cada realidade.
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