28 de agosto de 2009, às 20h00min
Administração Pública: A verdade apareceu. E agora?...
Mas, agora, que a verdade apareceu, onde está a mídia que alardeou por tanto tempo o nome e a imagem do deputado e ex-ministro seu assessor de imprensa de colaborarem ou até ordenarem a quebra do sigilo bancário de uma vítima também inocente? Será que a sentença do STF pondo fim ao caso terá o mesmo destaque na mídia? Enfim, estes veículos de comunicação que exploram com tanto destaque os escândalos que envolvem pessoas públicas como pré-condenadas de autoria estão mesmo em busca da verdade ou só querem pegar carona na popularidade de pessoas famosas para vender exemplares de seus produtos comunicacionais ao público que é descaradamente feito de idiota? E os partidos políticos que tomaram a acusação como sendo procedente e utilizaram as informações falsas veiculadas na mídia para tirar proveito eleitoral na propaganda partidária obrigatória e no horário eleitoral gratuito serão responsabilizados por isso?
O que parece é que a nossa sociedade há muito tempo está "doente" e que esta "doença" também atinge a mídia que tem a responsabilidade de dar informação correta ao público. O que fazer? Acreditar em tudo? Não acreditar em nada? O pior é que muitos destes veículos de comunicação utilizam concessões públicas de canais de telecomunicações para veicular estas mentiras e depois que a verdade é descoberta não dão o mesmo destaque. Enfim, não é a verdade que interessa? Ou o que interessa são as suspeitas e casos sob investigação?
O governo não ficou de braços cruzados. Em 2005 tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo- CFJ com o objetivo de se ter um controle social do exercício profissional e ter meios de coibir o exercício ilegal e anti-ético do jornalismo. A grande mídia, de imediato, contra-atacou dizendo que se tratava de uma estratégia de se restabelecer a censura prévia da comunicação social como nos tempos da ditadura militar. Milhares de acadêmicos de comunicação social em todo o país esmeram-se em buscar no meio universitário a formação adequada para ir ao mercado de trabalho e combater estas práticas. Eram impedidos até de estagiar na imprensa. O estágio, prática cotidiana do trabalho profissional é item de honra no currículo de todos os demais cursos superiores em todas as demais áreas do conhecimento.
Nem o poder judiciário resistiu à pressão pela desregulamentação do exercício profissional do jornalismo e entendeu como atentado à liberdade de expressão prevista na Constituição Federal de 1988- a Constituição Cidadã. E a picaretagem correndo solta na mídia em todo o país... Como se não bastasse, mais uma vez a sociedade assiste de braços cruzados aos seus defensores ficarem de mãos atadas na busca por um jornalismo ético e profissional. E o resultado é o que se vê: imprensa tentando fazer o papel de juiz e cometendo injustiças contra pessoas que jamais terão de volta o que perderam com a exposição midiática imputando a elas culpas e responsabilidades que não suas.
(mais em http://marcio.gama.zip.net)
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Especializando em Sistemas de Planejamento e Gestão pela Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC. CRA-SC nº 600285.
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