Agentes Econômicos na cadeia produtiva de Café
Empresas ou produtores que negociam commodities agrícolas, no caso do trabalho, café, enfrentam variações que geralmente não são previsíveis na produção e no preço.
A atividade agrícola apresenta algumas características econômicas peculiares de outros setores. Diferenciadas devido a sofrer variação relevante associada à condição climática, ao longo período que algumas culturas permanecem sem apresentar retorno, à pericibilidade, as políticas governamentais, subsídios, taxa de juros, barreiras tarifárias, política cambial, crescimento econômico, tendência mundial de consumo, entre outros fatores.
O commodity abordado neste trabalho será café, que tem uma produção mundial de cerca de 123,8 milhões de sacas em 2006. Só o Brasil em 2006 produziu cerca de 42.512 milhões de sacas de café, entre as duas espécies: arábica e robusta, transformando o Brasil em maior produtor e exportador, pois desse valor exportou cerca de 27 milhões de sacas. Além disso, o Brasil é o segundo maior consumidor do produto no mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos, consumindo cerca de 16,33 milhões de sacas de café.
Uma das variações microeconômicas encontradas no produto analisado é a oferta e a demanda. O consumo per capita de café aumenta com o aumento da renda per capita do país, exceção feita aos Estados Unidos, que apresenta um menor consumo per capita, porém, é o maior consumidor mundial de café. Isso nos mostra que, se a renda per capita do Brasil diminuir, consequentemente diminui a demanda por café, fazendo com que aumente a oferta e tenha uma queda nos valores. O inverso também é real, com o aumento da renda per capita do país, aumenta-se o consumo por café, pois o brasileiro tem mais recursos a sua disposição para adquirir o produto, fazendo com que o valor do produto tenha um aumento. Este ano as perspectivas com base nisso é o aumento do valor do produto, pois tivemos aumento no salário mínimo nacional de 9,2%, fazendo com que o poder de compra do brasileiro esteja aumentando, e por conseqüência o consumo final de café estará aumentando.
Fatores climáticos podem fazer com que o valor do produto aumente ou diminua, dependendo da região. Caso há um fenômeno climático que afete boa parte da plantação brasileira, como seca ou excesso de chuvas, diminuísse a oferta e a demanda estável faz com que haja um desequilíbrio. Assim, abrem-se as portas para importação do produto. Com isso, o valor dos produtos acaba se elevando, pois compramos em dólares o café.
Um fator que altera os valores do produto café, é a bienalidade em sua cultura, ou seja, a cada safra com alta produção, tem uma em seguida com baixa produção. Sendo que assim, faz com que tenha um valor um tanto quanto previsível de alta ou baixa no preço. Na época de safra com alta produção, aumenta a oferta no mercado, abaixando os valores pagos e suprindo a demanda de forma regular. Já no período em que a safra não é alta, ou seja, é de baixa produção, percebemos que a demanda que se mantém estável em um ambiente normal, acaba aumentando devido à baixa oferta do produto. Esta baixa oferta do produto acaba não acompanhando a demanda e faz com que os valores do produto aumente de acordo com o mercado. Atualmente a bienalidade tem diminuído um pouco, devido ao uso de tecnologia e produtos transgênicos, mas nada que surta um efeito realmente significativo no aumento da produção na safra baixa.
Neste ano, devemos ter a maior safra de O mercado está atento a notícias de que a safra brasileira será maior do que a projetada pelo governo, informou a agência Bloomberg. No mercado, analistas projetam uma colheita acima de 50 milhões de sacas de 60 quilos. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima a colheita em no máximo 44,2 milhões de sacas.
O fator oferta e demanda sempre afeta o café, pois incide em duas variáveis, para um melhor entendimento um exemplo claro de demanda e oferta é o da crise do café em 1929. O café não resistiu ao abalo sofrido no mundo financeiro e o seu preço caiu bruscamente. As lavouras de café enfrentaram a verdadeira dimensão do mercado. Nesse processo, milhões de sacas de café estocadas foram queimadas e milhões de pés de café foram erradicados, na tentativa de estancar a queda contínua de preços provocada pelos excedentes de produção. Ou seja, o Governo optou por uma medida de diminuir a oferta de café no mercado e fazer com que houvesse um equilíbrio da demanda.
Mas essa foi uma das diversas medidas já tomadas pelo governo para equilibrar a economia que acaba afetando significativamente o valor final dos produtos, seja para consumo interno, quanto para exportação.
O uso de tecnologia torna-se uma variável que acaba afetando o valor final do café. O mercado europeu, que junto forma o maior mercado consumidor de café do mundo, são cuidadosos quanto à origem, à qualidade e às técnicas de produção, valorizando aqueles que se caracterizam pela sustentabilidade, responsabilidade social e ecológica, não importando se, para isso, tenham que pagar mais pelos produtos. E isso faz com que os produtores se adaptem a este crescente mercado, investindo em tecnologia de produção, novas formas de plantio, responsabilidade social com seus funcionários ou colaboradores, aumento os gastos gerais da produção. Gastos esses que são facilmente cobertos pelas receitas que o mercado europeu traz para este tipo de produto.
Aspectos políticos-economicos também afetam o mercado de café. Como em 2003 quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a elevação da taxa de juros cobrada nos financiamentos para a colheita com recursos do FUNCAFÉ. Elevou-se a taxa de 9,75% a.a. para 13% a.a., com o argumento que o aumento da taxa Selic implicava num maior desembolso dos cofres públicos para equalizar os financiamentos.
Essas medidas demonstraram-se pouco conscientes. Na época, autoridades governamentais enfatizaram que as elevações na taxa Selic eram provisórias diante do contexto de instabilidade global, com o andamento da guerra, fraca recuperação nos ativos financeiros e patrimoniais. O Governo com essa medida pretendia reduzir as despesas com equalização financeira dos créditos concedidos, só que ele acabou não considerando a participação do café na geração de saldo cambial, que era próximo dos US$ 1,8 bilhão. Sendo que o café é uma das culturas que mais emprega no país, merecia uma atenção maior do governo, redução da taxa de juros, pois assim incentivaria a produção cafeeira, aumentaria postos de trabalho, reduziria o valor final do produto e faria com que a economia cafeeira girasse de forma mais contundente.
Isso mostra que certas políticas econômicas incidem como variáveis e afetam no valor final do produto e no total produzido. Altas taxas de juros para financiamento retraem o investimento em plantação e na abrangência de área plantada, já o inverso faz com que os investimentos em plantio e área plantada aumentem significativamente, gerando assim riqueza para o país.
O aumento dos encargos para exportação, torna-se uma variável significativa para os produtores. Para compensar a perda da CMPF, o governo federal tributou pelo Imposto de Operações Financeiras (IOF), de 0,38% as operações de câmbio das exportações e manteve isenção no caso das importações.
Sabe-se que com esse tributo o governo espera arrecadar cerca de R$ 12,6 bilhões de reais.
Concluímos assim que na cultura de café existem n fatores que podem afetar o produto. Os agentes podem ser variáveis e afetar fortemente ou apenas de maneira sutil o valor final do produto.
Os impactos das variáveis são sempre sentidos, mas na cultura de café especificamente, as variáveis não tem diferenças gritantes que possam afetar o produto e fazer com que haja uma discrepância nos valores. Sabe-se da bienalidade, que sempre afetará a cultura e é algo intrínseco e bem particular da cultura de café. Encargos governamentais, aumento padrão da demanda e aumento esperado da oferta para que supra esta demanda são os principais fatores que afetam a produção de café. Lógico que não isentamos crises mundiais, fechamento de mercados, catástrofes climáticas e mudanças na tendência mundial de consumo de café, visto que tudo isso pode afetar drasticamente no valor do produto, tanto para perda quanto para excesso de produção. Mas manutenção mundial dos estoques é padrão e faz com que se tenha certa tranqüilidade quanto à oferta do produto enquanto a demanda se mantém estável.
Diante destes fatores, podemos dizer que as variáveis afetam quaisquer produtos, mas no caso especifico do café, há um controle e uma regularidade que dá tranqüilidade ao produtor e ao consumidor, pois não terá variações finais no valor do produto que possam prejudicar e afetar de maneira significativa o produto final.
Bibliografia:
Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. CEPEA http://www.cepea.esalq.usp.br/cafe/. Acesso em: 20 de mar. de 2008.
Revista Cafeicultura. Dados Café. http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=10335. Acesso em: 20 de mar. de 2008.
Revista Cafeicultura. Dados Café. http://www.cafe.agr.br/index.php?tipo=ler&mat=14228. Acesso em: 27 de mar. de 2008.
Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aqüicultura e Pesca. Histórico. http://www.seag.es.gov.br/setores/cafe/?cd_matia=5&cd_site=23. Acesso em: 28 de mar. de 2008.
Daniel Pereira Scombati
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Já trabalhei na área varejista em uma grande rede de supermercados e na empresa da família além de ter atuado na supervisão de tecnologia da informação voltada ao setor de saúde pública.
Atualmente trabalho com supervisão e administração de logística na unidade de Tupã do Frigoestrela S/A, coordenando uma equipe com 26 colaboradores.
Também atuo com análise administrativa, planejamento estratégico e financeiro de forma autônoma para empresas da região em que resido.
Já ministrei aulas em tecnologia em duas empresas diferentes.







