17 de agosto de 2009, às 16h05min
Aguardando o dia do “fico” de Marina Silva
Marina nos disse que tal situação se dá por entender que a razão da existência de um partido político e de uma liderança política é o pensar e o agir sobre os sonhos, as utopias, as causas e a capacidade de realização dessas. Sua importância para o PT está expressa nos esforços de convencimento feitos pelo PT do Acre e o PT nacional para que Marina continue conosco. No resumo de todas as conversas feitas (entre lágrimas), Marina nos revelou sua insatisfação com a despreocupação (nossa) com estas causas; o espírito, a força, a fé e a combatividade que nos moveu nestes trinta anos de petismo não podem sucumbir ao pragmatismo do cotidiano.
Também me emocionei diante deste fato, e como os demais, pedi à Marina que fique conosco, pois é muito difícil para nós ficarmos sem Marina, embora que em se tornando uma decisão, devemos respeitá-la. Marina foi por quatro vezes uma boa surpresa de votos; uma vez como Vereadora de Rio Branco, uma vez como Deputada Estadual e duas vezes como Senadora da República ajudando significativamente na construção do PT e da FPA no plano local e o projeto Brasil no plano nacional, com votos e com idéias. Na segunda vez como Senadora, recebi com alegria (e também com certa preocupação) a missão de substituí-la no seu mandato por cinco anos. Confesso que de um lado isto me foi muito gratificante, de outro lado tive medo com o tamanho da responsabilidade a mim imputada: o nome da Marina, o nome de Lula, o PT, o Acre, a FPA, o público de minha convivência e por fim, eu mesmo.
Todo gesto é um recado e acho que devemos refletir um pouco o gesto de Marina. Uma pessoa que faz política com a fórmula da simplicidade nos faz lembrar a Mahatma Gandhi, que conseguiu impor a independência de seu país através de uma luta popular bastante peculiar: o pacifismo. Durante os primeiros dias após a publicação dessa notícia, falei por telefone com diversas lideranças do PT local e nacional sobre este assunto, senti unanimidade de sentimento de tristeza com o caso. Algumas dessas pessoas me atentaram para o fato de que o PT está consciente de seu propósito quanto às questões ambientais, podendo talvez estar cometendo alguns erros na forma da condução, lembrando ainda que somos um partido com reais condições de contribuir bastante com o tema, pois foi no ambiente petista que floresceu e cresceu movimentos sociais e nomes como Chico Mendes e a própria Marina Silva.
Resta-nos aqui o pedido, o apelo para que Marina permaneça conosco. Entendemos que um processo político é algo que não se esgota, está em contínuo aperfeiçoamento, depende de pessoas, depende de idéias, sugestões e organizações sociais que empunhem essas bandeiras, oriente a sociedade, e que ponha o pé na realidade vivida e o pensamento no ideal almejado. A busca da felicidade é uma luta incessante e como é da natureza da vida pública e da vida política, é um caminho cheio de curvas, dificuldades e percalços, nos obrigando a disputar as idéias em todos os momentos e ambientes que a sociedade nos oferece (não sei se devo falar assim para alguém que passou trinta anos nos dizendo exatamente isso). Acredito que o PT quer e tem todas as condições de debater e empunhar as bandeiras das minorias, dos desassistidos e desse projeto chamado Brasil.“Não faço política com uma calculadora” foi a frase que entendi quando Marina me disse que não calculava ao fazer política. Discuto os propósitos e as causas, pois são estas que nos mobilizam para o futuro. Concordo e é por isso que acho que o PT é um ambiente que permite isso, portanto, queremos continuar sonhando e “sonhando juntos” para transformar estes sonhos em realidade. Entendo que de vez em quando somos obrigados a refletir sobre o poema de Raul Seixas: “ser uma metamorfose ambulante X manter a velha opinião formada sobre tudo”.
Fica Marina...
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Autor
Sebastião Sibá Machado Oliveira, um errante nordestino que passou pelo estado de são Paulo e Pará, fixando-se no Acre em 1986. Bacharel em Geografia e Mestrando em Desenvolvimento Regional pela Ufac, foi comerciário, camponês, cobrador de ônibus, Dirigente Sindical, Dirigente Partidário, secretário de Estado e Senador da República.
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