09 de maio de 2009, ās 08h28min

Aprender com Cassius Clay em tempo de crise

Por Jorge Nascimento Rodrigues
 

O combate entre Cassius Clay (adoptou, mais tarde, o nome muçulmano de Muhammad Ali-Haj) e Floyd Patterson em Novembro de 1965 ficou célebre – Clay derrotaria surpreendentemente o adversário no 12º assalto do Campeonato Mundial de Pesos Pesados realizado em Kinshasa, no Zaire.

O pugilista ficaria célebre pela técnica inovadora de rope-a-dope. A manobra de se encostar às cordas do ringue, fingindo fraqueza, permitia a Clay ampliar a sua capacidade de absorção dos ataques do adversário, até o cansar e desanimar, e potenciar ainda melhor a sua agilidade, procurando a oportunidade para, num contra-ataque, golpear decisivamente o oponente explorando os erros.

Clay voltaria a usar este truque contra George Foreman em 1974 e cansá-lo-ia ao quinto assalto conseguindo pô-lo KO ao oitavo – um ganho de eficácia em relação ao combate de há nove anos atrás. O modelo foi copiado numa cena de ficção no segundo combate de Rocky Balboa (interpretado por Sylvester Stallone) no filme Rocky III.

Um comentador americano, Andrew Sullivan, viu na recente estratégia de campanha eleitoral de Barack Obama sinais do mesmo estilo que era a marca inconfundível do que foi considerado o maior pugilista do século XX. Esta metáfora pugilística poderá fazer, agora, escola na gestão, graças a uma investigação de Donald Sull, director da Faculdade de Gestão Estratégica e Internacional da London Business School.

Agilidade e absorção seriam os dois ingredientes fundamentais para enfrentar uma crise com a dimensão da actual. Apenas agilidade – e Donald encontrou na sua investigação muitos «bailarinos» exímios entre empresas – não chega. É preciso ter estrutura (moral interna, liderança, arcaboiço financeiro, desígnio estratégico sólido, clientes fiéis) e “alguma gordura, mas não exagerada” (custos fixos baixos, outsourcing inteligente, diversificação e dimensão quanto baste) para aguentar os socos da crise.

As opiniões de Donald Sull podem ser lidas aqui. Ele refere a estratégia da Brahma como o exemplo de excelência.

 
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/aprender-com-cassius-clay-em-tempo-de-crise/29875/